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Claudio Russo

Claudio Russo

Formação em História pela Uerj e pós em História da África. Há 22 anos compõe sambas-enredo, conseguindo algumas vitórias neste espaço de tempo. Desde 2009, faz sambas para Nenê da Vila Matilde, em São Paulo.

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20/11/2013 13h07

O samba que toca a minha consciência...
Claudio Russo

Foto: Reprodução de InternetO samba que toca a minha consciência é naturalmente cantado em Sol menor ou seria em Ré maior, mas poderia ser em Lá menor, Si bemol ou qualquer outro tom para dar o tom da consciência que aspiro e almejo cantar. Sol menor que tornou se estrela de maior grandeza de um desfile iluminado. O samba que toca a minha consciência tem os pés descalços e é cantado a plenos pulmões, não tinha brilho artificial, mas brilhou intensamente na palha, palhoça, a flor da pele e a lua, que iluminava a rua, testemunha consciente do mais humilde dos grandes desfiles me ouviu cantar: Valeu Zumbi...

No Dia da Consciência Negra seria oportuno, mas que imediato, clamar pela consciência do samba, a busca da identidade perdida ou o reencontro com as raízes que te fizeram: Samba!

Depois que o visual virou quesito, como bem diz Beth Carvalho, o samba curvou-se a circunstância imposta pelo dinheiro e ai subjugado pelas leis da selva capitalista resolveu esconder os verdadeiros sambistas atrás de alegorias imensas, tripés, destaques de chão e musas emplumadas, mas a crise chegou, chegou em 90 por cento das escolas na procura desenfreada por patrocínios ilusórios para que se mantenha a maquiagem.

Quanto custa um carnaval? Quanto deste custo é gasto com plumas de faisão, pedrarias, acabamento de carros suntuosos? Quanto vale o show? E a velha baiana que vende churrasquinho na porta da escola querida se queixa da quadra vazia antes de janeiro chegar...

E por falar em janeiro quando mesmo deve sair a verba para as escolas do Grupo A? Ah tá, "A" até quando esperar?
No grito forte dos Palmares cada escola de samba se faz Quilombo da resistência, ou ao menos deveria ser assim. E como Martinho, faz tempo, proclamou: Vamos Renascer das Cinzas... E quebrar de vez a corrente do luxo gratuito e sem propósito, reinventar o valor das coisas no dia da consciência do samba para não ser eterno refém de oportunidades...

É hoje! Diminua-se a quantidade, o comprimento e a largura para que se aumente a liberdade... Recicle ideias, matérias, misture para que não se perca na mesmice; a ordem unida na festa profana poderia ser menor também; abrace o amigo ao lado e cante, mas cante muito o samba que toca a consciência, pois você é o que há de melhor, e sempre será em nosso desfile e sambe porque isso não tem dinheiro que compre, não tem preço saber que Zumbi Valeu... Em meio à beleza de ser simples, a magia de ser palha e o valor de ser suor, Valeu...


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Comentários
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    22/11/2013 14:23:10Carlos Gomes da MottaMembro SRZD desde 02/07/2012

    O importante é ser fevereiro e ter Carnaval em março para a gente sambar. Sou a favor de fixar o carnaval no mes de fevereiro. Já virou tradição. Colegas: Dêem a sua opinião.

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    20/11/2013 16:05:12Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Salve, salve. Ã? comovente termos no mundo do samba um sambista-compositor-poeta cuja origem antropológica e sociológica jamais o impediram de ser parceiro na criação de obras musicais antológicas em sua biografia, conforme as possui Cláudio Russo. A ponto dele, nos últimos anos, ter passado a nos deliciar já enquanto sambista-blogueiro, com textos do quilate deste. O que vem comprovar sua grandeza. Isto, independentemente do fato de eu ter coração & consciência portelense e somente agora após muita reflexão, ter passado entender porque, embora ele também seja portelense, Cláudio Russo não pertença mais à Ala de Compositores da Majestade do Samba, da Águia Altaneira ou da Águia Guerreira de Oswaldo Cruz e Madureira. Não há de ser nada. Continuamos os mesmos parceiros de mundo do samba, que têm coração & alma portelense. Afinal, conforme os versos musicais daquela obra eternizada pelo cantor Jair Rodrigues, criada em parceria pelo compositor Nilo Amaro e pelo compositor-cantor o saudoso Wando: â??O importante é ser fevereiro e ter Carnaval pra gente sambarâ?. Axé! Almir de Macaé.

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