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23/11/2013 09h24

Há 80 anos nascia um dos maiores gênios do Carnaval: Joãosinho Trinta
Redação SRZD

Joãosinho Trinta. Foto: Montagem/Reprodução de Internet

Há 80 anos nascia uma estrela que se tornaria um dos maiores carnavalescos de todos os tempos e mentor de grandes personalidades do mundo do samba.

João Clemente Jorge Trinta, o Joãosinho Trinta, viveu em São Luís do Maranhão até os 17 anos de idade, onde atuou como escrituário. Em 1951, se mudou para o Rio de Janeiro para estudar dança clássica no Teatro Municipal. Ao longo de 25 anos, ele fez parte do Corpo de Baile do Teatro Municipal.

Joãosinho começou a atuar no Carnaval como assistente no Salgueiro, aos 28 anos de idade. Dois anos após sua estreia, a escola foi campeã com "Xica da Silva", de autoria de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Ainda como assistente, ele viu sua escola ser campeã do Carnaval carioca nos anos de 1965, 1969 e 1971.

Quando Pamplona e Arlindo deixaram a vermelha e branca, Joãosinho foi promovido a carnavalesco, fazendo parceria com a artista plástica Maria Augusta em 1973, desenvolvendo o enredo "Eneida: Amor e Fantasia".

Três anos depois, Joãosinho consagrou-se campeão com "O Rei de França na Ilha da Assombração", em 1974, e novamente em 1975, com "O Segredo das minas do Rei Salomão".

Depois de enfrentar problemas com a diretoria do Salgueiro, ele passou a atuar na Beija-Flor, conquistando títulos pela escola nos anos de 1976, 1977, 1978, 1980 e 1983, além de vice-campeonatos, como o de 1989, com o polêmico tema "Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia", que gerou controvérsias com a Igreja Católica devido ao uso de uma escultura do Cristo Redentos caracterizado como mendigo. Clique aqui e veja o que Joãosinho Trinta falou sobre a polêmica escultura, na época.

Escultura do Cristo Redentor como mendigo precisou ser coberta para o desfile. Foto: Reprodução de Internet

Joãosinho também conquistou campeonatos no Grupo de Acesso, em escolas como Império da Tijuca e Acadêmicos da Rocinha, além de atuar em desfiles do Carnaval de São Paulo e Minas Gerais.

Após atuar por 17 anos na Beija-Flor, o carnavalesco foi para a Unidos do Viradouro, levando o título para a escola de Niterói no ano de 1997, com "Trevas! Luz! A explosão do Universo".

Um ano antes, em 1996, Joãosinho sofreu uma isquemia, paralisando o lado direito de seu corpo.

Homem voador no desfile da Grande Rio, assinado por Joãosinho Trinta. Foto: Reprodução de InternetEm 2003, Joãosinho passou pela Grande Rio, concedendo o terceiro lugar à escola, colocação inédita na história da tricolor de Caxias.

Um ano depois, o carnavalesco sofreu um derrame e, em 2005, decidiu se afastar da Avenida, passando a atuar como consultor durante os preparativos dos desfiles.

Depois de sofrer dois AVCs, Joãosinho foi internado, no ano de 2006, e ficou com sequelas: parte de seu cérebro ficou paralisado. Com isso, o artista passou a se locomover de cadeira de rodas.

Joãosinho ainda apresentou problemas no coração no mesmo ano, devido a aterosclerose.

E no dia 17 de dezembro de 2011, o mundo do samba perdeu Joãosinho. Três dias após sua morte, seu nome foi anunciado como o novo título da "Cidade do Samba", local que abriga os barracões das escolas do Grupo Especial.

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Comentários
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    28/11/2013 08:27:29papiza do sambaMembro SRZD desde 28/01/2010

    AMO-O

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    25/11/2013 17:09:31Duquesa Dholores: a nobreza da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    João sai de cena num momento turbulento da festa. Só pelo fato de ele ter desenvolvido alguns enredos patrocinados, alguns até interessante como esse da Vale do Rio Doce, não significa que era feliz desenvolvendo-os. Além do mais, chamo a atenção para o fato de, dificilmente, uma mente privilegiada como J30, nos brindaria novamente com enredos do tipo ratos e urubus e a explosão do universo. Enredos realizados na força da ousadia. Um, tranformou o Cristo num mendingo. Outro, abriu alas com plástico de lixo preto representando as trevas. O deus mercadinho jamais dará ou daria ao 30 condições de contestar ele mermo. O Cristo mendingo, sobretudo, vai na contramão do pensamento elitista mercenário. Condiciona o filho de Deus a mais um ser humano vítima do sistema capitalista que transformam pessoas em lixo quando essas não servem e não se encaixam mais em seus padrões. Para realizar esse feito, foi preciso coragem. Será preciso coragem sempre para denunciar as mazelas sociais de maneira criativa e impactante. Infelizmente, a nova geração de carnavalescos está sujeita aos ditames do mercadão. Ele dá dinheiro pra trambolhar em troca de temas bostiais, tipo o Mangalarga Machador. Um dos carnavais mais deprimentes da era sambódromo... Não estou me referindo a aparência cênica, estou me referindo ao cerne da questão ENREDO. Nesse quesito, estamos mais pobres, embora o pinico garanta grana pra ornamentar. Criatividade é a capacidade de tirar do nada alguma coisa interessante. Isso, o dinheiro jamais proporcionará... João é prova incontest desse fato.

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    25/11/2013 16:09:11TedyMembro SRZD desde 12/04/2012

    Entenda uma coisa minha cara Duquesa: O Joãosinho não estaria "infeliz" nos tempos atuais de Enredos patrocinados. Vale lembrar que Joãosinho desenvolveu um Enredo sobre a Empresa Vale do Rio Doce, o Enredo o "O nosso Brasil que vale" em 2003, e não só desenvolveu o enredo, como também foi o maior defensor do Enredo, tem até o programa Sem Censura da Leda Nagle, onde o Joãosinho disse que se: "Se a Fórmula 1 tem patrocinador, porque o Carnaval não pode ter, que romantismo barato, é esse?!" ... Essa foi mais uma frase genial do Joãosinho, só que essa passou despercebida. ... E esse Enredo patrocinado desenvolvido pelo Joãosinho deu em 2003, a Grande Rio a sua primeira colocação boa de verdade, o terceiro lugar. ..... O Joãosinho não tinha problemas em fazer Enredos patrocinados, ele era gênio, e os gênios sabem muito bem transformar o que seria um abacaxi num delicioso suco de abacaxi, como no exemplo que citei do Enredo da Grande Rio de 2003. .... Assim como a Beija-Flor fez um dos melhores desfiles da sua história falando de Cavalo, nesse ano de 2013.

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    25/11/2013 11:52:32Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Ainda sobre o debate de ideias acerca da biografia do saudoso cidadão João Clemente Jorge Trinta o imortal carnavalesco-filósofo Joãosinho Trinta, eu reviso corrigindo alguma opinião e comento outras. Em relação a lapidar frase do imortal carnavalesco-filósofo â??intelectual gosta de pobreza, pobre gosta de luxoâ?, eu corrijo o meu equívoco pela falta de revisão ao comentar a parte da frase â??intelectual gosta de pobrezaâ?: Conforme ensinou Gramsci, o ou a intelectual que gosta de pobreza não é o intelectual orgânico ou a intelectual orgânica como o é o imortal carnavalesco-filósofo Joãosinho Trinta. Os intelectuais burgueses ou pequeno-burgueses assim como as intelectuais burguesas ou pequeno-burguesas, por não pertencerem ao mundo do samba, um meio comunitário de excelência em Arte, Cultura e Dignidade são quem embora não abram mão do desfrute da opressiva desigualdade financeiro-econômica-social, fingem gostar da pobreza. Para não me alongar mais, eu considero equivocada a ideia idolátrica de que se fosse vivo o imortal carnavalesco-filósofo Joãosinho Trinta â??estaria se opondoâ? à mercantilização do mundo do samba. Ã? equivocado considerar que o imortal carnavalesco-filósofo tenha sido â??opositorâ? da privatização mercantil do mundo do samba e do Carnaval ao ser transformado no maior espetáculo da Terra. Isto é, em um show-business. Afinal, conforme ensinou Trotsky no livro Literatura e Revolução: â??O papel de poetas e artistas (neles inclusos atletas esportivos e sambistas) não é com a consciência de classe social ou com o politicamente correto. Mas, sim com a produção de obras com excelência na qualidade, que quando ocorrem ficam para posteridade (História)â?. Que é o caso do imortal carnavalesco-filósofo Joãosinho Trinta. PRESENTE & AXÃ?! Almir de Macaé.

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    25/11/2013 10:30:58Duquesa Dholores: a nobreza da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    J30 foi mais do que gênio. J30 era uma entidade momesca. João sempre teve uma preocupação constante com temas de cunho social e, sobretudo, sobre a formação étnica do povo brasileiro. Através desse seu olhar, vislumbrou e nos brindou com enredos espetaculares. Insisto muito no quesito enredo, embora existam outro nove. Sabem por que? Porque tudo quanto uma escola leva para a avenida é oriundo de um enredo ou tema-enredo. João acertou em muitos deles. Errou em outros. Mas, o que mais me comovia em 30 era ver seu espirito inquieto de tentar inovar, buscar novos horizontes, apresentar algo incomum, embora carnavalizável. João foi um maluco beleza. Não tinha medo de ser ousado. Não tinha medo de arriscar. Se vivo fosse (e continua em nossas mentes) e com vigor para trabalhar, certamente estaria muito infeliz nesses tempos piniqueiros em que o mercado dita o que vai para a Sapucaí. Geralmente são bostas ricamente ornamentadas. J30 saiu de cena e não acompanhará mais o desenrolar desse nefasto sistema que invadio a festa em nome do deus mercado. E Momo? Eles mandaram pra PQP. Se vivo fosse, J30 certamente a qualquer momento de revoltaria e nos brindaria com mais uma de suas pérolas carnavalescas tentando ressuscitar Momo e decretar a morte do mercado enquanto intruso dessa festa popular que ele tanto amor e lutou por sua preservação. Saudades!

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    23/11/2013 22:09:34DANIELMembro SRZD desde 21/07/2009

    Esse fez história, ele nasceu para brilhar! Ratos e urubus, eu estava lá, antológico. Merece respeito.

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    23/11/2013 19:36:26Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Está de parabéns a política editorial deste prestigioso site com este belo texto de honra ao mérito do cidadão João Clemente Jorge Trinta, o imortal carnavalesco Joãosinho Trinta. O qual, eu considero que ainda não teve a merecida & devida homenagem do maior espetáculo da Terra. Eu considero pouco, ainda que merecido, este imortal carnavalesco dar nome oficial à chamada Cidade do Samba. E, não, por exemplo, à própria Passarela do Samba na Sapucaí. Haja vista, concordando com a opinião de que a genialidade do imortal carnavalesco Joãosinho Trinta se expressa muito mais como a de um artista-filósofo do mundo do samba. Aqui, atenção, eu penso que a genialidade do imortal carnavalesco Joãosinho Trinta não pode ser confundida com idolatria. Por exemplo, a histórica frase â??intelectual gosta de pobreza, o povo gosta de luxoâ? foi uma genial sacada dele, que precisa ser interpretada com profundidade. Conforme ensinou o filósofo Gramsci, o intelectual que gosta de pobre não é o intelectual orgânico como o é o próprio imortal carnavalesco Joãosinho Trinta. Mas, sim, o intelectual burguês ou pequeno-burguês. Isto é, o de fora do mundo do samba o qual, não por outra razão, se trata de um meio comunitário de excelência em Arte, Cultura e Dignidade. Por sua vez, conforme ensinou Marx, o luxo que pobre gosta não se restringe ou se limita ao luxo em artes plásticas representadas, por exemplo, pelos quesitos Alegorias & Adereços e Fantasias. Mas, sim, ao luxo financeiro-econômico desfrutado somente pela burguesia. Almir de Macaé.

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    23/11/2013 16:41:26TedyMembro SRZD desde 12/04/2012

    Joãosinho é um gênio (uso o tempo presente, pois sei que existe um plano espiritual superior) que no Carnaval deixou sua marca muito mais pela sua genialidade, pela sua opinião a frente do seu tempo, do que pelas próprias alegorias e fantasias. Ele disse coisas fantásticas, como: "Quem gosta de pobreza é intelectual, povo gosta é de luxo!"... Pensamento fantástico, e sempre atual! ... Semana passada, eu estava vendo o desfile da Viradouro de 2000, onde todas as escolas tinham que fazer o mesmo enredo: Os 500 anos do Brasil. ... E o Joãosinho fez o enredo mais inteligente de todos:"Brasil: visões de paraísos e infernos", mostrando o sofrimento e a felicidade do Negro, do Índio, no Brasil! ... O Joãosinho as vezes podia deixar a desejar no luxo das fantasias, e alegorias, mas no Enredo, ele era muito inteligente! ... Na Beija-Flor, o enredo "Ratos e Urubus", não foi injustiçada não, o Joãosinho sempre tão bom em desenvolvimento do Enredo, dessa vez se perdeu no desenvolvimento do Enredo, que do meio pro fim do desfile, se perdeu no entendimento do enredo. O Enredo da Imperatriz se manteve fiel ao seu objetivo até a conclusão do desfile, e o Samba da Imperatriz era muito melhor, Imperatriz mereceu o título. .... A injustiça, foi em 1986 quando com o Enredo: "O Mundo é uma bola", o Joãosinho merecia ter ganho com a Beija-Flor, pois apesar de alegorias luxuosas, e simples, que se alternavam, o desenvolvimento do Enredo foi excelente, do começo a conclusão do desfile. O título de 1986 deveria ter sido da Beija-Flor, e não da Mangueira. Mas, como em 2003 o título deveria ter sido da Mangueira, e foi pra Beija-Flor. Então, tá tudo bem, estamos kites! (rsrs)

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    23/11/2013 16:37:40almanaque do robertoMembro SRZD desde 14/05/2010

    Rádio Arquibancada radioarquibancada.com.br

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