SRZD


15/01/2014 19h46

'Falta profissionalismo por parte da Galileo', diz funcionário da UniverCidade
Diego Mello

Arleson Pereira. Foto: Reprodução / FacebookArleson Pereira entrou na UniverCidade em 2001 como aluno e funcionário. Ele se formou em jornalismo em 2006, entrou na pós-graduação e seguiu na área de apoio ao docente até não suportar mais os atrasos de salário. Lidando diretamente com professores e coordenadores dos cursos, sofreu na pele com toda a crise que abalou alunos e funcionários da instituição, que culminou no descredenciamento pelo Ministério da Educação (MEC).

A UniverCidade foi assumida pelo Grupo Galileo em 2012. Arleson garante que a chegada dos problemas já era questão de tempo. "A instituição já vivia em estado de crise, mas não como está nos últimos anos", disse. Segundo ele, desde 2003, as coisas não eram claras. "Desde 2003, a UniverCidade desconta dos funcionários o INSS e o Fundo de Garantia, mas não repassa para o Governo", revelou ao SRZD.

Apesar de alguns problemas, desde que começou a trabalhar lá, Arleson nunca tinha presenciado uma greve. "Desde 2001, a UniverCidade não tinha feito nem paralisação, o que dirá greve". Para ele, a queda começou com a chegada do Grupo Galileo. "É uma instituição que era forte, mas a má administração deixou cair nesse descaso. De 2012 para cá, a coisa vem caindo muito. Em um ano foram quatro greves".

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De acordo com Arleson, o último salário recebido foi referente ao mês de setembro, quando os funcionários também receberam o dinheiro de agosto. Com a conta cheia, a greve acabou, mas não os atrasos. "A gente estava em greve e voltou a trabalhar. A partir daí, parou. Os funcionários ainda trabalharam outubro e novembro sem receber". Para ele, a situação tentou ser contornada pelos professores, mas chegou num momento que não tinha como continuar.

"Os professores tentaram o máximo que puderam. Chega uma hora que não dá. A UniverCidade sempre teve histórico de bons professores. Quando você passa a não remunerar professor, funcionário administrativo, técnico e o pessoal da limpeza, que é o básico do básico do básico, o serviço sempre cai de qualidade. Por isso essa queda vertiginosa na qualidade de ensino da UniverCidade".

Alunos e funcionários protestaram nesta terça-feira. Foto: Agência Brasil

Sem receber salários, Arleson entrou na Justiça pedindo a recisão indireta e cobrando os seus direitos. Perguntado se mantém esperança em conseguir uma vitória, se limitou a dizer que não há "nenhuma". Para ele, "falta profissionalismo" por parte do Grupo Galileo. "A gente sempre tentou o diálogo através do nosso sindicato e através dos representantes das unidades com o Grupo Galileo. Quando a gente manda email, eles nem respondem. É assim, a coisa é desse jeito. Eles não nos dão a menor satisfação de quando vão pagar ou do que realmente está acontecendo", lamentou.

Fazendo pós-graduação e formado em jornalismo na UniverCidade, Arleson compartilha o sofrimento dos alunos. "Para concluir a pós-graduação, só falta entregar a monografia. Eu estou tentando fazer isso desde junho, mas não consigo. Não tem funcionário, não tem coordenador, não tem nada. Não tem ninguém". Ele ainda lamenta pelo motivo da crise. "A luta dos alunos é a nossa luta. Se eles estão sem aula é porque os funcionários e professores estão sem receber desde setembro", disse.

Enquanto sonha com momentos melhores no futuro, Arleson aproveita para relembrar o passado da UniverCidade. "O curso de Direito em 2001 foi considerado o melhor no Rio de Janeiro entre as privadas. O curso de Desenho Industrial, Administração e Marketing eram fortes. Eram cadeiras bem conceituadas. O curso de Turismo até hoje é referência. O curso de Dança teve alunos como Hélio Bejani, Ana Botafogo e Marcelo Misailidis. Todos esses caras aí que foram primeiros bailarinos do Theatro Municipal foram alunos do curso da UniverCidade".

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Comentários
  • Avatar
    16/01/2014 11:39:04carlos camposAnônimo

    ...segundo uma aluna da UniverCidade, tá faltando até papel higiênico, parece a Venezuela do chavismo decadente.

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