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09/11/2008 17h49

O puro e simples rock n' roll do R.E.M.
Luiz Felipe Carneiro

O puro e simples rock n' roll do R.E.M. | Foto: Divulgação

Apenas um telão de leds ao fundo e algumas dezenas de miniaturas de dinossauros em cima de um amplificador, e o cenário está armado para o show do R.E.M.. Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck nunca ligaram muito para grandiosidade em seus shows. Provavelmente eles pensam: "somos uma das maiores bandas de rock, não precisamos dessas frescuras". Quem esteve presente ontem na HSBC Arena, no Rio de Janeiro, pôde tirar a prova de que eles estão certos.

A distância do local do show e o preço dos ingressos fez com que a antiga Arena do Pan não estivesse tão cheia. No final das contas, a pista estava confortável, sem ninguém espremido, e as cadeiras superiores ficaram com imensos buracos desocupados. Uma pena. Tivesse sido o preço dos ingressos um pouco mais barato, provavelmente o local estaria lotado.

Mas quem se dispôs a pagar caro e a fazer uma viagem até o autódromo de Jacarepaguá, não se arrependeu. Em duas horas de show, o R.E.M. apresentou um espetáculo coeso, dosando perfeitamente as canções novas de "Accelerate" (todas cantadas pelo público, diga-se de passagem) com antigos sucessos que fizeram a alegria de um público mais velho que, aliás, era a maioria.

De cara, Michael Stipe, de paletó e gravata, soltou os cachorros em "Living Well Is The Best Revenge". A canção, política, ganhou novo significado na turnê brasileira, após a eleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. No decorrer da apresentação, o nome do novo presidente foi citado por Stipe e a sua imagem apareceu no telão ao fundo, o que provocou aplausos por parte da platéia. Durante o show, Michael Stipe falou pouco com o público, limitando-se a apresentar a banda e a fazer propaganda "gratuita" da cerveja Itaipava.

Apesar de ter iniciado o show com uma canção nova, em seguida, a banda da Geórgia mandou "These Days" e "What's The Frequency, Kenneth?". Esta última provocou o primeiro momento de euforia no público. E assim o show teve continuidade, com canções antigas que muita gente jamais sonhava escutar ao vivo, como "Driver 8", "Exhuming McCarty" (que contou com a gravação da célebre frase de um senador norte-americano que desmascarou Joseph McCarthy: "o senhor não tem um pingo de vergonha, senador") e "Nightswimming", esta já no bis em momento intimista apenas com a voz de Stipe e o piano de Mills.

Logicamente, além das canções antigas e não muito conhecidas (que têm sido uma constante nessa "Accelerate Tour"), o R.E.M. apresentou grandes sucessos como "Imitation Of Life", The Great Beyond", "Man On The Moon", "It's The End Of The World, As We Know It (And I Feel Fine)", "Orange Crush", The One I Love" (durante a qual, Michael Stipe pulou do palco e foi cantar junto com o público), "Everybody Hurts" e, claro, "Losing My Religion". Muitas dessas canções não estavam presentes nas turnês européia e norte-americana, nas quais a banda privilegiava mais as canções de "Accelerate".

Se as músicas do novo disco não tiveram tanto espaço no show no Rio de Janeiro, algumas ainda foram lembradas. Provavelmente, se Michael Stipe imaginasse a recepção da platéia às mesmas, ele não tiraria grandes músicas de "Accelerate" do roteiro, como a faixa-título, "I'm Gonna DJ" e "Houston". Mas, de qualquer forma, o público foi brindado com "Supernatural Superserious" (a primeira do bis, que contou com cinco músicas), "Hollow Man", "Man-Sized Wreath" e "Horse To Water".

Além dos três integrantes originais do R.E.M., a banda contou com dois músicos contratados que a acompanham há algumas turnês. Bill Rieflin (bateria) e Scott McCaughey (guitarra, baixo, teclado e o que mais aparecer na sua frente) deram conta do recado tocando o rock básico que permeia a estética musical do R.E.M.. Talvez a única canção do show que teve um momento mais "virtuose" foi "She Just Wants To Be", que contou com uma bela "jam session" entre os músicos da banda enquanto Stipe dançava daquele jeito que só ele consegue. Aliás, a primeira vez que o R.E.M. apresentou essa canção ao vivo, foi aqui no Brasil, no Rock in Rio de 2001, poucos meses antes do lançamento de "Reveal".

De janeiro de 2001 até novembro de 2008, foram mais de sete anos de espera entre um show e outro no Brasil. Tomara que o próximo não demore tanto. Até a próxima!

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Cotação: *****

 


Comentários
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    14/11/2008 17:00:05Clarissa JustinoAnônimo

    Eu fui no show do dia 10, em SP, muito, mas muuito bom! A única coisa que eu não entendi foi terem colocado o Sideral pra abrir o show.O resto foi impecável. www.quilometragem.blogs pot.com

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