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Haroldo Monteiro

Haroldo Monteiro

VAREJO. Formado em Administração de Empresas e Engenharia Econômica pela UERJ. Possui vasta experiência no mercado de varejo tendo atuado como executivo em várias empresas deste setor. MBA em Business Administration pela Ohio University, e sócio da Planning & Management, consultoria especializada em gestão e estudos de tendências econômicas para o varejo. É professor convidado do Coppead, onde ministra Administração Financeira de Curto Prazo.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



06/03/2014 11h15

Toda marca é como uma planta, precisa ser regada todo dia para não morrer
Haroldo Monteiro

Onde estou? Para onde vou? Quem está comigo? Quem gosta de mim? Estas perguntas não são de quem está perdido não!!!! Essas são perguntas que deveriam ser feitas constantemente por quem é gestor de uma marca. Pois quando isso não é feito a marca perde a sua identidade com o tempo, envelhece, agoniza, e pode chegar à morte.

No mundo hoje, é cada vez mais importante a inovação. E em muitos casos as marcas que não inovam perdem espaço, ficam obsoletas, como exemplo podemos citar a Kodak, que não apostou nas máquinas de foto digitais, ou ainda a Xerox que pecou por não acompanhar o avanço da tecnologia dos computadores, ou ainda o tão sonhado telefone Blackberry, que entrou em decadência acentuada após a corrida dos smartphones - Iphones e Samsungs.

Mas, o meu foco nesse artigo são as marcas do mundo fashion que não necessitam de inovação tecnológica propriamente dito, para se perpetuarem no mercado, porém precisam cuidar da sua alma, da sua aura para que não envelheçam. Muitos empresários deste ramo saíram de cena por não investirem no seu principal patrimônio, a SUA MARCA.

Estar em constante movimento para atender e entender o que o seu fiel consumidor deseja. Ou ainda pensando um pouco como foi a estratégia da Apple para lançar os seus produtos: criar algo novo que opúblico ainda não conheça e crie nele o desejo de consumir. Neste caso a marca ganha status!

Criar também uma identidade em relação a sua marca x seu consumidor - bem no estilo "seu modo de viver". Desta forma a marca pode acompanhar as mudanças do comportamento de seu consumidor com mais facilidade, não deixando assim sua marca ficar com "cara de velha". "Store Design" também faz a diferença. Hoje o consumidor quer entrar na loja e sentir emoção de estar comprando determinado produto, e para isso o ambiente faz toda a diferença. Portanto lembrem-se que não adianta criar catálogos sofisticados com fotos bonitas que chame a atenção do consumidor, se ele ao procurar a sua loja não tenha esta emoção. O design da loja precisa passar o mesmo ambiente do catálogo.

Outra maneira que ajuda a manter a sua marca viva é o uso da tecnologia. Ainda que ela não seja o fiel da balança para manter a sua marca em evidencia, o recente caso da Burberry, que apostou numa mistura de tecnologia e história da marca deu certo. A idéia foi concebida por Angela Ahrendts (CEO da empresa) e sua "connected culture".

Angela focou em um público high-end mais jovem, e esta nova estratégia desenvolvida se mostrou correta. Mas antes de implanta-la ela realizou várias pesquisas e pode comprovar que o novo mercado de luxo teria consumidores 25 anos mais jovens que o público ocidental tradicional, graças a entrada de novos ricos dos países emergentes.

Assim, ela optou por usar a mídia digital como principal estratégia de marketing, em primeiro por ser mais barata que a tradicional e em segundo por poder mensurar os resultados e por poder utilizar os dados para conhecer melhor o seu consumidor, além é claro da vantagem de poder interagir mais facilmente com os "millennials".

"Existirão sete bilhões de smartphones nas mãos de todo mundo nos próximos cinco anos. Agora, todo mundo é um cliente digital, de modo que fazer coisas digitalmente não é mais um nicho. Fazer as coisas digitalmente é como o mundo todo se comunica". Angela Ahrendt

Essa é a nossa linguagem de hoje, afirma Angela. Nosso projeto é ter uma página de destino na internet e essa página de destino ditará como serão as vitrines das lojas, e não o contrário. Em mídia criativa, muitos estão atirando para o digital, então estamos transformando-o de volta ao físico"

Na realidade existem mil formas de fazer com que uma marca se mantenha viva. No entanto a principal mensagem é para o empresário do mundo da moda, que deve estar sempre buscando uma forma de perpetuar sua marca com o mesmo glamour.

O problema é que muitos acham que no passado, criaram uma marca que deu certo, e nada precisa ser feito para que esta marca continue viva no mercado. Porém muitas vezes é tarde demais para mudar, pois sua marca já está agonizante.


Comentários
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    24/08/2017 13:05:43HELOISA ROCHAAnônimo

    Um exemplo de marca que envelheceu, que me vem a memória é a Dimpus. Tão jovem e lançadora de tendências nos anos 80 até os 90. e depois decaiu de um jeito, a vitrine, o ambiente das lojas, tudo. Até fizeram um anúncio ( anos 2000 ) com o texto "Velha é sua avó " Me parece que acabou por enterrar mais ainda a marca.

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