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Rachel Valença

Rachel Valença

CARNAVAL. Carioca, historiadora, filóloga e jornalista. Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Coautora do livro "Serra, Serrinha, Serrano: o império do samba". Pesquisadora do projeto de elaboração do dossiê "Matrizes do samba no Rio de Janeiro", para registro do samba carioca como patrimônio cultural do Brasil. No Império Serrano há 40 anos, foi ritmista e vice-presidente da escola.

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18/03/2014 11h33

Troca-troca de Quaresma
Rachel Valença

Quem acompanha o mundo do samba sabe que o período que sucede o desfile das campeãs é marcado pelo troca-troca. É nessa hora que se ajeitam as peças do tabuleiro do profissionalismo que hoje domina o carnaval carioca.

Diz o velho ditado originário do futebol que em time que está ganhando não se mexe. Por isso, a campeã de 2014, a Unidos da Tijuca, não era alvo de especulações. Mas... há sempre um mas para agitar nossa depressão pós-carnavalesca. Recorro de novo aos velhos ditados e contraponho: Para quem sabe ler, um pingo é letra. É isso. Já acostumados com os meandros do carnaval, vínhamos sentindo no ar alguma coisa estranha, o comportamento de Paulo Barros dava claros sinais de insatisfação. Faltava às suas declarações o entusiasmo de um campeão e não foi surpresa notar que não acompanhou a escola até o final do desfile das campeãs. Além disso, suas entrevistas, se lidas nas entrelinhas, tinham um evidente tom de fim de festa.
Hoje os fatos confirmam as especulações: Paulo Barros será o carnavalesco da Mocidade Independente em 2015. Como sou partidária da identidade, já me acostumei com a Unidos da Tijuca do jeito que Paulo Barros a fez. Ela é uma das mais antigas e tradicionais escolas de samba da cidade, mas tem mostrado em vários momentos a coragem de se reinventar. Ou seja, a Mocidade está levando Paulo Barros, mas Fernando Horta fica. E como tem se revelado um administrador competente e muito esperto, capaz de sobreviver entre feras de maneira discreta mas eficaz, nem tudo está perdido.

Não é a primeira vez que Paulo Barros se afasta da escola. Depois de ter despontado lá em 2004, ano em que apresentou o histórico carro do DNA, inaugurando um novo conceito de alegoria, e permanecido nos carnavais de 2005 e 2006, esteve na Viradouro em 2007 e 2008 e dividiu com Alex de Souza em 2009 o carnaval da Vila Isabel. De volta à Tijuca faturou três títulos entre 2010 e 2014. Desses dados se pode depreender que a Tijuca sobreviveu sem Paulo Barros e Paulo Barros sobreviveu sem a Tijuca, mas o afastamento não foi bom nem para a escola nem para o carnavalesco. Entre 2007 e 2009 Tijuca e Barros estiveram meio longe dos holofotes.

Foto: Reprodução de Internet

Paulo Barros é uma figura polêmica. Sobre ele as opiniões oscilam entre o ódio e a paixão. Acho que esta é uma qualidade, porque revela que ele tem uma marca, uma "pensata" sobre o fazer carnavalesco. Não se limita a repetir o que já foi feito: quer o novo, o inusitado, e o carnaval precisa disso. Se este novo for bom, vai pegar, vai ser imitado. Se não pegar, cairá no vazio. De minha parte, seu trabalho que mais me agradou, que me encheu os olhos e me emocionou foi o Portinari do Paraíso do Tuiuti, em 2003. Era pobre, claro. Mas talvez isso tenha desafiado a sua enorme criatividade, com um efeito maravilhoso.

Ele não acerta sempre, mas que carnavalesco, ontem ou hoje, conseguiu isso? Gostamos de algumas coisas, não gostamos de outras, mas é inegável que Paulo Barros tem uma assinatura forte em seus trabalhos. Isso se chama estilo e nem todos o têm.

Parece que Paulo Barros está em busca de liberdade para criar. Quem não está? O sonho de todo carnavalesco, imagino, é fazer o que quer tendo à disposição todo o dinheiro necessário. Tomara que a Mocidade, em sua nova fase, lhe proporcione isso. A realidade do carnaval hoje é às vezes adversa aos carnavalescos, porque para ter muito dinheiro é preciso às vezes "vender a alma", aceitando patrocínios. Não se pode adivinhar o que acontecerá a partir de agora, mas é bom saber que a Mocidade está indo à luta. Podia fazê-lo com seu antigo carnavalesco, Paulo Menezes, para quem as mudanças políticas vieram tarde demais. Mas a contratação da "estrela" deixa patente uma postura competitiva que revela isso que nós sambistas chamamos de atitude.

Sempre gosto de saber a opinião dos leitores, porque o diálogo com eles é muito enriquecedor. Por isso, será muito bom que opinem aqui sobre a nova conjuntura. Isso me ajudará a estender minhas considerações.

Leia mais:

- 'Buscamos o melhor carnavalesco da atualidade', diz Anderson Abreu

- Agora é oficial: Paulo Barros é da Mocidade


Veja mais sobre:Carnaval 2015

Comentários
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    22/03/2014 22:43:51cristiano de lucena pedrosoMembro SRZD desde 20/03/2014

    ok senhor(a) beija sempre aprecio seu comentário até pq fez uma auto crítica o q revela ter propriedade para opinar...aproveito para me desculpar sobre eventual grosseria no meu comentário anterior...PORÃ?M,acho que o laíla e a beija-flor deveriam agradecer a ida do paulo barros para mocidade pois agora é q o paulo barros vai trabalhar na sua integridade...observe q a beija flor não deveria ter esse ódio todo do paulo barros.veja ,por exemplo, qual foi a diferença entre o enredo de 2012 e o enredo de 2014 da tijuca???NENHUMA,sim nenhuma.claro que são enredos diferentes mas a concepção foi a mesma,o pensamento dos enredos foram os mesmos.e aí é q está .nesses últimos anos o paulo barros estava sendo freado pelo fernando horta(foi daí sua saída)...e mesmo assim arrebatou 3 títulos e outro vice-campeonatos...portanto a beija deveria ficar mais atenta as mudanças q os jurados também propõe e no seu próprio elenco,abrindo mais a escola para novas idéias.e isso não passa na minha opinião pela saída do laíla,e sim começando pelo proprio laíla assumir uma reciclagem...ok?

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    21/03/2014 13:28:04Beija SempreMembro SRZD desde 20/01/2013

    Paulo Barros, esse que a mídia ama (pois a mídia ama qualquer porcaria que seja diferente e dê ibope, não importando suas origens e seus valores) e que muitas pessoas aplaudem achando ser o máximo! Eu odeio e odiarei sempre enquanto viver e só lamento ver uma cultura construída às custas de tanto empenho e sacrifícios ser vilipendiada e descaracterizada em nome de uma tal â??novidadeâ?. Ã? isso, meu caro.

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    21/03/2014 13:25:26Beija SempreMembro SRZD desde 20/01/2013

    cristiano de lucena pedroso, nem de longe eu reclamo das notas dadas à Beija-Flor esse ano e digo mais... A escola ainda ficou muito bem na foto, considerando as falhas que cometeu! Em 2011, odiei aquele resultado em que a minha escola foi campeã! Em 2003, o título, a meu ver, indiscutivelmente era da Mangueira e não da Beija. Jamais critiquei â?? e tenho quase certeza que nenhum nilopolitano também â?? os carnavais do Oswaldo Jardim que possuíam uma conotação â??paulobarrianaâ?, ou seja, faziam uso vigoroso do humano em suas alegorias e alas. Eram, porém, altamente carnavalizados, autênticos e genuínos quase sempre e nem de longe faziam sangrar esta cultura popular chamada desfile de ESCOLA DE SAMBA ("Gbala, Viagem ao Templo da Criação" / Vila Isabel / 1993, um perfeito exemplo do que falo). Não se trata de reclamar das conquistas da U. da Tijuca, mas, do carnaval que este senhor põe em prática e que cada vez mais estupra às vertentes desse espetáculo. Não é possível que em busca dessa dita â??nova emoçãoâ? se aceite e se aplauda aberrações dos tipos alegorias abarrotadas de pessoas robotizadas empunhando lencinhos, guardas chuvas, ou jogando os braços pra um lado e pra o outro num comportamento de debiloide e totalmente anti-carnaval! Pelo amor de Deus, será que a mediocridade intelectual atingiu tal nível?(!!!) Em 2013 a Vila Isabel levou o campeonato com um desfile simples plasticamente, mas, quase 100% carnaval autêntico. Duvido que você tenha visto algum nilopolitano reclamando daquele campeonato! Duvido que o Laíla tenha aberto a boca pra falar um â??Aâ? que seja do título da Vila! E sabe porque não aconteceu isso? Simplesmente porque a Vila foi carnaval puro e seu desfile foi um resgate dos autênticos e inesquecíveis desfiles que já passaram naquela avenida. Nunca questionei os carnavais do Lage, mesmo sendo eles altamente ousados e vanguardistas. Porém, jamais vi o Lage massacrar à cultura carnavalesca como o faz Pau

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    20/03/2014 23:36:55cristiano de lucena pedrosoMembro SRZD desde 20/03/2014

    O modelo anticarnaval ameaça, inclusive, o grande artista e a grande escola, sujeitos ao aprisionamento no cárcere da exigência impositiva da mídia e dos jurados alheios ao samba. O próprio carnavalesco parece ter saído da escola tijucana para libertar-se desses estigmas, demonstrando algum desgaste e a necessidade de trabalhar enredos próprios, conceituais, autorais.olá senhora eu cheguei a copiar a frase do seu colega...é isso...renovar,repensar,rearranjar,enfim paulo barros parece ser um ser humano sentido amplo...e é estranho o pessoal da beija-flor...há 14 anos atrás ,quando estavam prestes a entrar na era vitoriosa,criticavam a imperatriz pelo fato do Drummond ser presidente da liga...nunca sabem perder,pois se especializaram,na década inicial do novo século em fazer melhor o carnaval que a imperatriz fazia na década de 90,isto é,carnaval para jurados,carnaval de quesitos...agora que a tijuca dá as cartas,"com paulo barros",eles reclamam como se tudo que o laíla fizesse fosse bíblico...carnaval é espírito ousado(não atrasado) e QUESITOS...QUESITOS BEIJA-FLORES...agora só porque não foram os jurados bom pra mim eu vou dizer que tudo o que os outros fazem não é carnaval???pô...e o espírito????o que foi ruim hoje pode até se renovar e ser bom amanhã...aprendam com paulo barros esse é o cara....obrigado,sem ofensas,apenas na análise e observação dos eminentes colunistas...valeu(liberdade liberdade abre as asas sobre nós e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz...)

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    20/03/2014 20:20:44Beija SempreMembro SRZD desde 20/01/2013

    Dois egos hiper, super, mega inflamados e que agora terão que provar que realmente se garantem um sem o outro. A Unidos da Tijuca, até a chegada do Paulo Barros, nada mais era que uma escola â??figuranteâ? (sem desmerecer seus grandiosos valores enquanto instituição cultural), essa é a verdade. Já Paulo Barros despontou para o estrelato mesmo após o seu carnaval de estréia na Unidos da Tijuca. Após esse casamento â??perfeitoâ?, tanto uma quanto o outro passou a arrotar â??poderâ?, e a se portarem de maneira exibicionistas em muitos momentos. O Paulo Barros se sente tão estrelar que chega ao cúmulo de bater boca em sites e blogs carnavalescos com aqueles que criticam seus trabalhos. Nada mais baixo nível e anti-ético. O Horta, tão logo os holofotes se viraram para a, até então, apagada U. da Tijuca, passou a se achar o â??reiâ?. Vira e mexe solta umas â??pérolasâ? cheias de convencimento e certa arrogância. Como sabiamente frisou a Rachel, em outro momento, quando este casamento sofreu a primeira crise e, consequentemente, a primeira separação o que vimos foi fiascos, tanto do criador quanto da criatura. Portanto, só nos resta agora, diante dessa nova ruptura, esperar para vermos como se comportarão. De qualquer forma, por mais que se identifique e se adapte ao estilo Paulo Barros, a verdade é que a Mocidade sempre será vista como a escola que imita a Tijuca , ou que, se parece com a Tijuca.

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    20/03/2014 12:14:00Mauricio SantosMembro SRZD desde 01/02/2011

    Eu particularmente, não gosto muito do estilo do Paulo Barros, novidade mesmo ele apresentou em 2004,aquele carro do DNA, foi o máximo, mas acho que ele peca no quesito fantasia, algumas at´´e que são bastante originais, mas outras pecam com materiais muito simples e de um acabamento fraco, falo isso porque já desfilei com roupas dele, mas o homem estar na moda, caiu nas graças da mídia e com certeza a Mocidade fez um gol de placa, mesmo se não ganhar o carnaval, deve ficar entre as campeãs,a Mocidade ´´e uma grande escola e merece voltar a fazer aqueles desfiles inesquecíveis.

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    20/03/2014 10:05:12Noel de AlmeidaMembro SRZD desde 25/07/2012

    Olá pessoal! Parece que a nossa Mocidade entrou com força total para o próximo carnaval, contratando o Paulo Barros. Agora só falta o Paulinho Mocidade regressar ao nosso ninho. Ele além de ser um campeoníssimo, ser Mocidade desde pequeno e pé quente,com certeza vai trazer bons fluidos e muito axé para a nossa escola. Avante Mocidade!

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    20/03/2014 06:47:10josé carlos cordeiroMembro SRZD desde 17/10/2011

    Acho o Paulo Barros um carnavalesco contemporaneo, que busca sempre em seus enredos o nôvo, o luxo e sem dúvida a marca maior dele as Provocações, daí a escolha por um enredo autoral para 2015 na mocidade, teremos no próximo carnaval uma grande supresa, um enredo que certamente mostrará o fim dos tempos o Apocalipse, que ele sabbe fazer.Agaurdem.

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    20/03/2014 00:18:35Hany Beija-FlorMembro SRZD desde 04/12/2011

    Quer novidade? Tema-enredo da Beija-Flor envolve a Bahia de iaiá e de ioió, das mães pretas carinhosas - não é enredo cep...

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    19/03/2014 17:46:57Ricardo BatalhaMembro SRZD desde 19/03/2014

    Rachel eu acho muito saudável a troca entre PB e Tijuca, ambos irão sair fortalecidos e não há dúvidas que se Paulo deu uma cara de ousadia a Tijuca , nós escola demos a ele, estrutura, chão e samba para fazer o seu trabalho. Não existe carnaval sem carnavalesco e não existe carnavalesco sem escola! então eu acho que a Tijuca vai contratar alguém a altura e com a sua cara para o carnaval e PB leva para Mocidade muito da organização que o Horta tem aqui na escola. Quem vai ganhar é o Carnaval do Rio, uma Mocidade de cara nova e um outro carnavalesco que irá se projetar através da potência de carnaval que a Tijuca se transformou. Mais competitividade na pista vai fazer o carnaval e as escolas estarem em busca de inovações, soluções e profissionalismo mais e mais..então esta mexida vai ser muito bem a todos e este chororo nem será lembrado quando a sirene soar em 2015!

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    19/03/2014 16:28:05Marco BiancoMembro SRZD desde 26/02/2010

    O enredo que o PB quer mostrar é muito pesado...Os enredos pra mim devem ser leves, instrutivos...Vida dura, já basta o dia-a-dia.

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    19/03/2014 16:14:17ACBeijaflorMembro SRZD desde 08/09/2010

    ECO. Estou dizendo que o trabalho do Paulo é muito marcado na Tijuca, ele esta no auge e o trabalho dele é praticamente o mesmo anos apos anos tudo bem dando muito certo na Tijuca. Espero que ele com o talento que tem crie um carnaval com a cara da Mocidade para a Mocidade e que essa seja muito feliz em 2015 afinal a Mocidade é uma escola que merece muita credibilidade pelo que já fez no passado. Renato Lage quando foi pro Salgueiro começou a fazer carnaval pro Salgueiro e quanto tempo depois que ele foi para o Salgueiro que ele conseguiu acertar a mão.

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    19/03/2014 15:16:42ECOMembro SRZD desde 28/05/2012

    acBEIJAFLOR.....NÃ?O ENTENDI O QUE VC QUIS FALAR.: VC TA DIZENDO QUANDO O SALGUEIRO ENTRA NA AVENIDA PARECE A MOCIDADE...? ME POUPE..!

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    19/03/2014 08:39:27ACBeijaflorMembro SRZD desde 08/09/2010

    Espero realmente que a Mocidade não tenha dado um tiro no pé, Paulo Barros é a cara da Tijuca espero sinceramente que a Mocidade não entre na avenida parecendo ser a Tijuca isso seria humilhante e sinceramente acho que a Mocidade não precisa passar por isso. Porem espero estar enganado e torço para que Mocidade volte a ser tão competitiva quanto foi com o Renato Lage.

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    18/03/2014 23:13:27AghataMembro SRZD desde 20/05/2013

    Nação Independente, vem uma outra contratação ai!!!! Ã? o desejo de muiiiiiitos Independentes e inclusive o meu. Acho q ele já pegou a Brasil e voltou pra casa. Aguardem nos próximos dias...

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