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Claudio Russo

Claudio Russo

Formação em História pela Uerj e pós em História da África. Há 22 anos compõe sambas-enredo, conseguindo algumas vitórias neste espaço de tempo. Desde 2009, faz sambas para Nenê da Vila Matilde, em São Paulo.

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30/03/2014 20h37

Justificativas: questionamentos justificáveis!
Cláudio Russo

Como o ditado diz errar é humano!  Julgar será divino?

Saíram as justificativas do mais polêmico dos julgamentos carnavalescos dos últimos anos e muito já se falou com imensa propriedade por toda rede, roda de amigos, bares e escolas de samba, já deu! Não dá mais... Só pra ficar em nosso território temos excelentes análises, como a do Amigo Rainho, neste espaço de debates carnavalescos.

O que é necessário, premente e inadiável é entender que o modelo chegou este ano a um estado de saturação e urge por sensíveis modificações e não quero aqui falar de resultados e nomes, de má vontade e má intenção (vejo que não há!), quero falar de conhecimento básico e preparo, simples assim!

Vejamos, pede-se aos jurados que levem em conta a criatividade (outros anos até esteve mais em voga) e não se define o que é ou o que seria criatividade para o nosso carnaval. Vocês podem até dizer: o Claudio está querendo definir criatividade, ou melhor, que seja definido para os jurados este fator, algo que deveria está intrínseco no âmago do corpo de jurados. E eu respondo! Há alguns anos começou-se a cobrar isto das baterias: Criatividade e as baterias começaram o grande movimento dos caçadores da bossa perdida e também iniciava neste momento a inquisição dos "puristas", aqueles que priorizavam única e exclusivamente o ritmo, nada de bossa, paradinha ou "olé da bateria", aqueles que ou fizeram o movimento inverso ou desapareceram! Agora como uma bossa pode ser considerada um ato criativo se o mesmo está banalizado, com todo respeito 99 por cento dos casos não são originais, e isto é evidente.

- Justificativas do Grupo Especial: Bateria - parte 1

- Quesito enredo: como os jurados não conseguem justificar suas notas

- Justificativas não justificadas

- Quanto vale um décimo?

- Carnaval 2014: Liesa divulga justificativas dos julgadores

Foto: Reprodução de Internet

Mestre André criou há muito tempo lá nas bandas de Padre Miguel, Mestre Paulão popularizou a bateria da União da Ilha fazendo bossa, Mestre Cosme brincava na bateria dos Acadêmicos do Engenho da Rainha, Odilon, o Mestre, levou ao requinte da perfeição e como isto pode ser criativo logo agora tanto tempo depois. O problema é que há literalmente uma confusão entre ousadia e criatividade.

Fazer paradinhas continua muito difícil, ousado e temeroso, mas ao processo criativo pouco vai acrescentar, a não ser que surjam e vão surgir! Alguns movimentos rítmicos de fato inéditos.

Para finalizar minha posição neste assunto, somos escola de samba, devemos sim inovar, mas essencialmente somos do samba, então porque uma bateria não pode mais passar pela Marques de Sapucaí fazendo ritmo? Tocando o fino do samba, por que não? Agora acho que a exceção é o que há de mais criativo, posto que todas as baterias estejam fazendo bossa, eu disse todas!

Falta de empolgação e interação com o público, alas coreografadas e teatrais deixaram de cantar o samba, estes são alguns dos motivos que saltam aos olhos nas justificativas e que me deixam alguns questionamentos. Em primeiro lugar empolgação e interação não são quesitos, então em qual quesito incluí-las? Um samba em tom menor tende a ser menos empolgante que os sambas em tom maior (tende! Não quer dizer que é sempre assim), mas pode ser muito bem cantado e possibilitar uma unidade harmônica de canto na escola mesmo sem empolgar, co mo se julgar esta falta de empolgação e este canto uníssono?

Outro questionamento: coreografias e teatralização estão cada vez mais presentes em nossos desfiles, será que durante a execução de um movimento coreográfico se uma determinada ala deixar de cantar parte do samba enredo para manter a atenção na execução do movimento pode-se retirar pontos de harmonia ou conjunto? Será que pode?

Amigos! Acho que é necessário um maior preparo de quem julga, é difícil e sabemos que a LIESA está atenta a cada ano em encontrar um modelo correto e coerente de julgamento das escolas, mas precisamos evoluir para evitar as discrepâncias atuais como: o júri por deveras vezes tem a mão pesada ao extremo com a escola que acabou de subir, esta já enfrenta dificuldades de estrutura de carnaval ao mudar de grupo, recebe a pior posição para o desfile e ainda é julgada com rigor excessivo.

A espera de boas novas deixo aqui um último questionamento: o Império Serrano em 2012 apresentou um desfile extremamente emocionante, muito pela história de sua homenageada e seu samba, os jornais da época noticiaram: Império sonha com grupo especial em desfile que se resume em Emoção. Mesmo sabendo que este desfile foi no grupo de acesso fica a pergunta: Se temos dez quesitos que em nenhum momento do manual fala-se em emoção, como julgar um desfile capitaneado pela emoção que não é quesito?


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Comentários
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    02/04/2014 23:30:41RogérioMembro SRZD desde 26/05/2009

    Eu acho que desfiles como foi o caso da Beija-flor em 2001, desfiles como esse que emocionam é preciso fechar os olhos para alguns erros e deixar a avaliação técnica de lado.

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