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Hélio Ricardo Rainho/Carnaval

Hélio Ricardo Rainho/Carnaval

CARNAVAL. Profissional de Comunicação e Marketing, Hélio Rainho veio do teatro, sendo ator e diretor profissional. Autor da biografia do jogador Mauro Galvão e de várias peças teatrais. Nascido na Praça XI, chegou à Portela como jovem compositor nos anos 80 e passou a pesquisar escolas de samba e Carnaval. Idealizador do projeto "Quem És Tu, Passista?", um manifesto pela preservação do segmento, é padrinho dos passistas do Império Serrano e comentarista dos desfiles na Sapucaí. Twitter/Instagram: @hrainho.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



31/03/2014 13h48

Por uma alforria das escolas de samba!
Hélio Ricardo Rainho

Semanas após o carnaval, o enredo é o silêncio.
Pronto. Acabou.
Os erros, os descasos, as injustiças, as justificativas veementemente acéfalas passaram.
E o que fazemos de tudo isso?
Calamos, silenciamos?!
Não. Ah...não mesmo!!!

Não estudei Comunicação Social para tão somente dominar a técnica, manusear a ferramenta, executar os recursos. Meu interesse foi pela Comunicação como ciência social. Ou seja, antes mesmo de aprender a utilizá-la, minha alma me impulsionou a questioná-la, "filosofá-la", pensar sobre a ética em seu uso.

Aqui me intitulam "blogueiro", e confesso que ainda acho esse termo pejorativo. Parece que ser "blogueiro" é sair por aí irresponsavelmente escrevendo o que se quer onde se pode. Mas entendo que o uso desse termo em um site profissional e dedicado como este seja justamente para reforçá-lo como profissional sério, consciente, e distingui-lo de ser apenas "alcunha", a ser usada por qualquer um. Uma professora de Antropologia ensinou-me que os comunicadores sociais seriam os "feiticeiros eletrônicos do século XXI". Juntei a isso a frase-símbolo do personagem Homem-Aranha: "grandes poderes, grandes responsabilidades". Penso assim: não adianta exercer sem servir.

Ora, se não quero ser "qualquer um", não posso me dar ao silêncio e me igualar aos agentes de comunicação monopolistas e seus mancomunados que absorvem o carnaval como festa sazonal e, dentro dela, atiram a escola de samba, subjugada a produto de uma festa, como uma laranja podre dentro de um saco.

Não é!

Foto: Reprodução de Internet

A escola de samba "acontece" o ano todo; ela "apenas" desfila no carnaval. Me desculpem, senhores vendedores de laranja podre! Não queiram nos igualar a seus seus restos de xepa! A escola de samba é alma, é resistência, é quilombo cultural, é ancestralidade. Temos muito mais a dizer do que um enredo fala! A escola de samba "já viu você chorar na hora do seu desfile encerrar"; a escola de samba "é patente, só demente que não vê"..."atrás da escola de samba só não vai quem já morreu"! Insensíveis, dementes e mortos são vocês! Nós, a escola de samba, estamos vivos!

A forma burra, interesseira e usurpadora com que a grande mídia trata a escola de samba tenta nos convencer de que estamos assistindo a uma coisa pequena e oportuna, sem referência nem "representamen", como um objeto de consumo. É o que Guy Debord chamava de "Sociedade do Espetáculo". E é por isso que, dentro dessa lógica, a mídia se cala e consente a insuficiência mental e ética dos nossos jurados: porque ambos - mídia e jurados - são, por consenso, distantes e alheios daquilo que exibem e julgam. Estrangeiros de sua própria festa, acreditam que bundas e carroças de cachorro-quente são figuras mais imponentes do que a águia, a coroa, a estrela, o pavão.

Para eles, o dono do carnaval é o piloto, não o crioulo! Eles querem Michael Jackson, não Nélson Sargento! Assim como, um dia, tentaram envelopar o samba africano, crioulo e favelado num modelito americanizado, jazzístico, zona sul, "pra inglês (branco) ver", substituindo o grito de Zumbi pelo "canto baixinho" de joões&gilbertos sem graça nenhuma, sem respeito por público nenhum, endeusados até hoje por intelectuais burgueses e baba-ovos da vez que cultuam grosserias e destratos.

Reparem como reinventam nossos sambistas aprisionando suas formas em seus conteúdos: o sambista que comenta os desfiles é o animador de auditório do "Esquenta", nunca o compositor célebre de sambas-enredos dignificadores do ofício. Porque a grande mídia faz a escola de samba estar na TV dos brancos e abastados da mesma forma que a favela, os crioulos e pobres estão no cinema e na novela das oito: com a concessão de só ocuparem o espaço se puderem ser retratados como seres primitivos, inferiores, exóticos, extra-sociais. Ou somente após serem redefinidos e redesenhados segundo seu diapasão.

Certa vez contemplei, num desses camarotes de avenida que me dão náusea, disputados a tapa por alguns colegas de ofício, uma cena desoladora. Um passista negro sambando numa nuvem de brancos abastados, sendo abordado como quem solta um bicho de uma jaula e diverte-se ao vê-lo sacolejar em meio aos nobres. Uns queriam tocar-lhe como quem se acha no direito (tipo "paguei por isso"); outros evitavam o contato físico porque admiravam o "profano" sem almejar "corromper-se" tocando.

Pois assim vejo, genericamente falando, a postura de submeter nossos artistas de escola de samba ao crivo desses jurados: é uma reinvenção de nosso antigo ritual de expor os negros escravos à revelia do gosto peculiar dos senhores de engenho, que lhes davam "nota" por uma boa arcada dentária, "premiando" apenas aquilo que lhes serve ou interessa, sem respeitar a individualidade e o valor intrínseco daquele que está se exibindo.

Com o passar dos anos, o negro afirmou seus direitos, reiterou suas lutas. Mas ainda não se conscientizou de que, na escola de samba, está escravo e cativo ao senhorio dos "emissores de nota", numa postura subserviente, sendo obrigado a cortejar e cativar uma bancada de nativos estranhos ao seu meio, na situação degradante de implorar uma nota que não vem. Porque os donos do engenho castigam quem eles querem, engrandecem quem lhes convém, e tripudiam da justiça e da sociedade com justificativas que debocham da racionalidade de todo mundo, gargalhando como hienas em seu abusivo exercício de poder.

Não é de se admirar a sua repulsa "à batucada que se espalha nesse chão"!

Lembrei-me do ritual de lavagem do Sambódromo. Embora não sendo agnóstico, me oponho ao misticismo exagerado que privilegia o ritual em detrimento do rito. A avenida não precisa de descarrego com litros de cachaça, nem de lavagem da passarela com terreiros antes dos desfiles.

A verdadeira lavagem de que se precisa é o descarrego da subserviência, das estruturas de burrice, do monopolismo, do desrespeito e da ignorância desses falsos senhores de engenho que chibatam a nossa cultura e a reduzem a números fracionados e notas burras escondidas num papel, cuspidas na nossa cara ano após ano numa quarta-feira de cinzas...

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Twitter @hrainho


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Comentários
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    05/04/2014 08:40:47Rony TrajanoMembro SRZD desde 30/05/2009

    TENHO TANTA COISA PARA FALAR, QUE VOU TENTAR RESUMIR. TENHO 42 ANOS E COMECEI A DESFILAR AOS 17 ANOS PELA MINHA ESCOLA DE CORAÃ?Ã?O UNIÃ?O DA ILHA. CARNAVAL PARA MIM ERA ALGO MUITO SAGRADO E FUNDAMENTAL NA MINHA VIDA. QUANDO CRIANÃ?A VIVIA CONTANDO OS MESES E QUANDO CHEGAVA O DIA EU ACORDAVA NAQUELA EUFORIA, SINTIA UM GRANDE PRAZER E FELICIDADE, EM FIM CHEGOU O TAL ESPERADO SÁBADO DE CARNAVAL. ERA TÃ?O ESPECIAL PARA ESSES DIAS, QUE EU SENTIA UMA MAGIA, UM CHEIRO, ALGO QUE ATÃ? HOJE NÃ?O CONSIGO EXPLICAR, ERA MUITA FELICIDADE. EM 1984, COMECEI A DESFILAR FOI UMA MARAVILHOSO. DESFILEI ATÃ? 2006. HOJE NÃ?O DESFILO MAIS, MOTIVO: NÃ?O ACREDITO MAIS NESSE CARNAVAL, ACABARAM COM A MINHA EMOÃ?Ã?O, ACABARAM COM MAGIA DOS GRANDES DESFILES, VIROU UMA INDÃ?STRIA O CARNAVAL E AS ESCOLAS DE SAMBAS. HOJE AS ESCOLAS NÃ?O TEM MAIS SUAS CARACTERISTICAS PRÃ?PRIAS, TODAS SÃ? PESSAM EM SEREM TOTALMENTE TÃ?CNICAS E COM ISSO NÃ?O SE TEM MAIS EMOÃ?Ã?O... CHEGUEI A COLECIONAR FITAS DOS DESFILES, DEIMAIS DE 100 FITAS, POIS NÃ?O AGUENTAVA MAIS REVER AS PÃ?SSIMAS TRANSMISÃ?ES DA PODEROSA TV GLOBO, QUE POR SINAL Ã? QUEM DECIDE A HORA E QUANTAS ESCOLAS TEM QUE DESFILAR EM CADA DIA. A QUE PONTO CHEGOU... EU NÃ?O CONSIGO ENTENDER O POR QUE DE TANTO FALATÃ?RIO NO DECORRER DOS DESFILES E FICA AINDA PIOR QUANDO KLEBER MACHADO TENTA PASSAR EMOÃ?Ã?O NA SUA NARRATIVA, TOMEI TANTO PAVOR DELE, QUE SE TIVER PASSANDO UM JOGO DE FUTEBOL NARRADO POR ELE, EU MUDO NA HORA DE CANAL. ASSISTIR NA AVENIDA Ã? TAMBEM ALGO A QUESTIONAR, O POBRE PODE COMPRAR FRISA? ENTÃ?O VAMOS PARA OS SETORES 1, 6, 13. QUE DISTÃ?NCIA NOS COLORARAM DAS ESCOLAS. A MASSA QUE GRITA TORCE, FICA LONGE E COM ISSO AS ESCOLAS PASSAM TOTALMENTE FRIAS, SEM EMOÃ?Ã?O. E O SOM DA AVENIDA QUE Ã? TÃ?O ALTO QUE NÃ?O DÁ PARA OUVIR O CORO DOS COMPONEBTES DAS ESCOLAS, FICA AQUELE SOM ELETRÃ?NICO ALTÍSSIMO EM NOSSOS OUVIDOS E O GOSTOSO QUE Ã? OUVIR O COMPONENTE NINGUÃ?M OUVI. ESTÃ?O ACABANDO A O CARNAVAL CHAMADO EMOÃ?Ã?O. OBRIGADO PELO O ESPAÃ?O.

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    04/04/2014 12:15:33Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Nádia Pires, parceira, eu espero esclarecê-la agora. Em 2011 a imprensa noticiou: a Justiça condenou por práticas de contravenção penal do jogo do bicho & outras atividades criminosas como pertencer às máfias das máquinas de caça níqueis ----- o que levou as Polícias Federal e Civil a prender os ex-presidentes da LIESA & membros vitalícios do Conselho â??Superiorâ?: o presidente de â??honraâ? da Beija Flor o Anísio, o presidente da Imperatriz Leopoldinense o Luizinho Drumond, o ex-presidente da Vila Isabel o capitão Guimarães. Também foram condenados e presos o vice-presidente do Conselho Deliberativo da LIESA & presidente da Grande Rio o Helinho Ribeiro de Oliveira e o membro do Conselho Fiscal e presidente da Vila Isabel o Moisés Alves. Em 2012, por ocasião da eleição para o 4º mandato consecutivo em chapa única do presidente Jorge Castanheira, a LIESA tomou estas decisões. Os três membros vitalícios do Conselho â??Superiorâ? passaram para clandestinidade. Ou seja, seus nomes saíram dos expedientes dos informativos oficiais do órgão. O presidente da União da Ilha Sidney Filardi o Ney tornou-se vice-presidente. E o ex-presidente mangueirense o Alvinho Luiz Caetano virou titular do Conselho Fiscal da LIESA no qual se tornaram suplentes os presidentes Renato de Almeida Gomes (São Clemente) e o Wilsinho Alves (Vila Isabel). Já a citada presidente salgueirense permaneceu oprimida, discriminada pelo sexismo machista da LIESA relegada novamente à mera suplente do Conselho Fiscal. Quanto ao patrono da Mocidade o â??doutorâ? Rogério Andrade consta que ele seria um bem sucedido empresário do ramo de engenharia, arquitetura & jardinagem absolvido judicialmente da acusação de homicídio. Consta que ele seria â??ficha limpa entre a máfia dos Andradesâ?. Assim sendo, não haveria â??incoerênciaâ? no apoio dele a uma hipotética chapa concorrente na LIESA. Almir de Macaé.

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    04/04/2014 07:28:05Nádia PiresMembro SRZD desde 02/04/2014

    Caríssimo Almir, se você tem conhecimento dos meandros políticos da LIESA e vislumbra a possibilidade de Regina e Procópio baterem chapa no próximo pleito, QUE MARAVILHA! Adoro Regina (não a conheço pessoalmente, diga-se) e sua competentíssima gestão no Sal. Entretanto...causa-me embrulhos no estômago a perspectiva de isso só poder ocorrer com o apoio de â??papaisâ? â?? Guimarães e Andrade, afff... que gastura. Não se trata de sectarismo, mas de coerência: não posso ir às ruas dizer não a corrupção da política, e invocar, aplaudir ou fingir que não é nada de mais o â??governoâ? da criminalidade em nossas Escolas. Esse tipo de poder, entendo, teve seu tempo de glórias. Mas essas glórias propiciaram também desventuras profundas, pois a presença mecênica e autoritária desses â??papaisâ? não possibilitou aos â??filhosâ? aprenderem a sobreviver sozinhos, e nem podiam não é mesmo. Espero muitíssimo o dia em que esses â??papaisâ? encontrarão o seus devidos lugares na realidade das Escolas: fixados nas galerias de fotos, e nada mais que isso, Já passou da hora de as Escolas cortarem seus cordões umbilicais! SAUDAÃ?Ã?ES SALGUEIRENSES.

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    03/04/2014 20:12:48MarciaMembro SRZD desde 23/07/2009

    Helinho (acho que posso te chamar assim) você expôs nesse texto tudo o que penso há tempos sobre o "modelo pra inglês ver" a que as agremiações estão sendo obrigadas a se transformar para o grande público, público esse que não tem a oportunidade de vivenciar a Escola de Samba durante o decorrer do ano porque não é rentável e nem interessante para a grande mídia divulgá-la mas sim vende-la como um produto descartável que só acontece apenas no dia do desfile; me incomoda o "rótulo" dado aos sambistas-comentaristas do espetáculo "participante do programa esquenta", que na minha opinião, é o programa mais pré-conceituoso que existe na televisão, pois o mesmo não dá espaço ao negro, ao povo: exibe-os como produtos exóticos, isso me entristece demais; dizem que a história sempre se repete, e vamos vendo isso acontecer claramente, mas sob uma nova ótica: os antes escravos exibidos nas praças e valorizados pela arcada dentária, são vistos na avenida e avaliados como meros coadjuvantes, e relegados a segundo plano em função de modismos que desagregam, empobrecem e desvalorizam toda a luta de nossos ancestrais pelo samba e por seus quilombos (hoje as escolas)e o pior, por pessoas que não tem conhecimento algum para poder emitir qualquer juízo de valor, que dirá pontuá-los! Fica o meu respeito e a minha admiração e dizer que a sua voz está sendo ouvida e pelo menos no que me diz respeito, está fazendo ecos.

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    03/04/2014 11:15:24Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Nádia Pires, parceira, eu sou adepto da trilogia Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Mais. O mundo samba é um meio comunitário de excelência em Artes, Cultura e Dignidade. Assim, filosoficamente falando eu reafirmo o princípio de que o interesse público/comunitário ser inerentes ao salutar monopólio estatal. Independentemente de ser ou não necessário, eu repetirei. Ã? óbvio que eu me refiro a um estado democrático, transparente e ético. Sobre a representatividade da LIESA e das agremiações se definirem a respeito, eu estou convencido de que isto será inevitável. Explicando, agora mesmo fui informado do seguinte. O vilaisabelense dos três membros vitalícios do Conselho â??Superiorâ? da LIESA cujo conselho, na prática, é quem manda no órgão â?? por isto urge ser extinto â?? conveniente, oportunista e estrategicamente criticou durissimamente seus traídos aliados do oligárquico clã que domina a agremiação de Noel declarando apoio à Chapa independente â??Por Amor à Vilaâ?. Caso isto seja verdade, não podemos ser sectários e nos dispersamos. A questão de princípio é reafirmar tanto que a independência desta Chapa concorrente pressupõe mudanças estruturais na agremiação de Noel quanto na LIESA. Em outras palavras, eu não creio que na oportunidade da eleição em meados de 2015 na LIESA, a guerreira comandante da Academia do Samba e o comandante da Majestade do Samba irão ser incoerentes não encabeçando uma chapa concorrente independente & pró-mudanças no órgão reivindicando apoio irrestrito das lideranças das seguintes agremiações também oprimidas na caixa-preta LIESA: A mencionada agremiação de Noel cuja liderança até lá eu espero ter sido eleita a já citada chapa concorrente â??Por Amor à Vilaâ? junto, dentre outras, com a estratégica participação das lideranças da agremiação da estrela-guia de Padre Miguel, na medida em se trata de uma frente única pró-mudanças na LIESA. Almir de Macaé.

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    03/04/2014 11:15:24Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Nádia Pires, parceira, eu sou adepto da trilogia Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Mais. O mundo samba é um meio comunitário de excelência em Artes, Cultura e Dignidade. Assim, filosoficamente falando eu reafirmo o princípio de que o interesse público/comunitário ser inerentes ao salutar monopólio estatal. Independentemente de ser ou não necessário, eu repetirei. Ã? óbvio que eu me refiro a um estado democrático, transparente e ético. Sobre a representatividade da LIESA e das agremiações se definirem a respeito, eu estou convencido de que isto será inevitável. Explicando, agora mesmo fui informado do seguinte. O vilaisabelense dos três membros vitalícios do Conselho â??Superiorâ? da LIESA cujo conselho, na prática, é quem manda no órgão â?? por isto urge ser extinto â?? conveniente, oportunista e estrategicamente criticou durissimamente seus traídos aliados do oligárquico clã que domina a agremiação de Noel declarando apoio à Chapa independente â??Por Amor à Vilaâ?. Caso isto seja verdade, não podemos ser sectários e nos dispersamos. A questão de princípio é reafirmar tanto que a independência desta Chapa concorrente pressupõe mudanças estruturais na agremiação de Noel quanto na LIESA. Em outras palavras, eu não creio que na oportunidade da eleição em meados de 2015 na LIESA, a guerreira comandante da Academia do Samba e o comandante da Majestade do Samba irão ser incoerentes não encabeçando uma chapa concorrente independente & pró-mudanças no órgão reivindicando apoio irrestrito das lideranças das seguintes agremiações também oprimidas na caixa-preta LIESA: A mencionada agremiação de Noel cuja liderança até lá eu espero ter sido eleita a já citada chapa concorrente â??Por Amor à Vilaâ? junto, dentre outras, com a estratégica participação das lideranças da agremiação da estrela-guia de Padre Miguel, na medida em se trata de uma frente única pró-mudanças na LIESA. Almir de Macaé.

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    03/04/2014 07:36:03Nádia PiresMembro SRZD desde 02/04/2014

    PERDÃ?O, ERREI NO TAMANHO DO TEXTO rsrsrsrs (Continuação) ...(nem tenho muito certeza que de isso deva ser a condição sine qua non de nossa existência e sucesso) nossas manifestações. Entendo que as Escola precisam repensar seus próprios rumos. Só assim a LIESA poderá reformular suas estruturas. E é aí que reside o nó da questão: isso é realmente desejável pelas Escolas? Será que as Escolas aceitariam debater essas questões? Ou tudo isso é só desejo nosso? SAUDAÃ?Ã?ES SALGUEIRENSES

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    03/04/2014 07:32:07Nádia PiresMembro SRZD desde 02/04/2014

    Não tenho certeza, prezado Almir, que o problema esteja na gestão privada e que a solução esteja na gestão pública. A LIESA, para o bem ou para o mal, e para além dos mecenas pouco recomendáveis (e que rogo saiam, um dia, definitivamente do cenário) que a idealizou e implementou nos idos da década de 80, é uma entidade representativa de um conjunto de instituições denominas Escolas de Samba. Nossas repetidas críticas acerca das atrocidades cometidas nos julgamentos de certo modo obscurecem esse relevantíssimo fato. São nossas Escolas que constituem e atualizam, ano a ano, a LIESA tal como ela hoje se apresenta, com seus erros crassos em vários âmbitos, como por exemplo, aceitar o monopólio de transmissão do desfile principal; de só â??permitirâ? o povão nas â??senzalasâ? da Sapucaí já que os ingressos estão proibitivos para muitos; escolher e instruir inadequadamente os julgadores (uma semana de â??cursoâ? é mesmo suficiente?); estabelecer critérios de julgamento â?? tal como o de â??criatividadeâ? â?? muito pouco operativos em observações que se pretendem objetivas, e por aí vai. E aí me pergunto: tudo isso não tem responsabilidade de nossas Escolas? Sim, porque são elas, enquanto LIESA, que produzem e reproduem isso. Será que elas estão tão submetidas assim aos poderes estranhos a elas? Será que não são capaz de vislumbrar seu próprio poder, poder que vem do povo que adora, de fato as Escolas e o samba (vide o mais que vitorioso ensaio técnico)? Será que somos tão dependentes assim do modelo televisivo de transmissão de nossa festa, quando a internet está aí â??bombandoâ? e transmitindo aos quatro ventos os nossos espetáculos de cultura? Entendo que a LIESA, um ganho inegável das Escolas, precisa aperfeiçoar-se, livrar-se dos seus ranços e, â??esconder o pó de ouro nos cabelosâ? e libertar-se, buscar novas formas de difundir, de globalizar (nem tenho muito certeza que de isso deva ser a condição sine qua n

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    02/04/2014 17:59:31Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    São mais que desrespeitosas, são autoritárias e prepotentes as cobranças de engajamento de militância mudancista da estrutura do maior espetáculo da Terra, logo de quem só por ter deixado bem sucedida carreira profissional nas Organizações Globo para ser o que é aqui, deve receber todo nosso respeito. Mas, não. O autoritarismo é tanto que leva o blogueiro a explicar o que é óbvio: O propósito dos textos por ele aqui postados é exatamente o de provocar a reflexão, o debate de ideias e as alternativas. Assim, no debate de ideias sobre a expressão alforria para as escolas. Eu penso que o estado foi dadivoso quando entregou de bandeja uma coisa que eu considero inerente ao bom monopólio estatal, uma vez ser coisa do interesse púbico conforme é o maior espetáculo da Terra. Então, embora eu considere aceitável a expressão utilizada por HRR de alforriar as escolas de samba, este estado existente no Brasil é o estado burguês, que até digamos pode vir a interessar-se por tal alforria. No entanto, o que eu proponho como alternativa é buscar permanentemente mudanças estruturais no mundo samba a ponto de o estado voltar a conceber, organizar e gerir todo Carnaval. A partir disto a LIESA passaria a ser o que deveria ter sido desde a fundação em 1985, entidade privada de consulta, apoio e principalmente de fiscalização dos milionários gastos públicos. Agora, de imediato, urge que seja mudado o quadro de julgadores/julgadoras da LIESA. O que passa necessariamente pela eleição em meados de 2015 no órgão e pela extinção do Conselho â??Superiorâ?. Uma vez que já apontei até os nomes das lideranças que devem encabeçar, compor e impulsionar a chapa concorrente oposicionista na eleição da LIESA, não é preciso eu ser repetitivo. Almir de Macaé.

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    02/04/2014 07:39:57Nádia PiresMembro SRZD desde 02/04/2014

    Como disse em outro site, as sandices dos jurados não conseguiram minimizar a felicidade que estou sentido pela grandeza de nosso desfile. E nosso samba ... Nosso samba uma prece ... CAAANTA SALGUEIRO. E ao colega que postou cobrando ao Rainho menos poesia e mais firmeza (que traduzo como objetividade) nas propostas eu digo: o que está faltando é justamente â??poesiaâ?, sensibilidade, capacidade de se deixar tocar pela arte e pela cultura de nossas Escolas. O olhar de quem julga é cego por uma razão instrumentalista que se legitima em manuais. E, cada ano que passa, a cada julgamento, vai desqualificando nossa história popular cheia de significações, apequenando nossos fundamentos, nos â??obrigandoâ? a aceitar â??gostosâ? e fundamentos alheios. NÃ?O! Esse ano não podemos permitir isso! CAAANTA SALGUEIRO e eterniza esse momento de profunda felicidade. O campeonato não pode ser tudo! Não podemos existir em função apenas de julgadores e julgamentos! CAAANTA... e seja, acima de tudo, e a despeito de tudo, ...SALGUEIRO!

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    02/04/2014 06:12:44carlos alberto machadoMembro SRZD desde 16/04/2009

    O carnaval do Rio de Janeiro, na versão de muitos, só surgiu depois da criação da LIESA. Tal absurdo explica e justifica todos os outros fatos, decorrentes deste. A verdadeira e justa nota zero deve ser dada ao poder público ,que entrega o carnaval nas mãos de pouquíssimos. Ficha limpa na política e no carnaval ! Honestidade não é tudo ,mas já é um excelente começo.

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    01/04/2014 23:38:06Hélio Ricardo RainhoMembro SRZD desde 26/01/2010

    Vejam vocês, prezados leitores: eu venho aqui escrever um texto no intuito de provocar reflexões e fazer bom uso do espaço midiático com um brado em favor da nossa cultura...e alguém me cobra uma postura militante, do tipo " vai quebrar a Liga?", "vai romper com não-sei-quem" etc. Gente, reiterando: eu não sou candidato, não to aqui pra fazer rebuliço nem badalação autopromocional! Pra ser mais um a fazer sensacionalismo, eu ficava quieto comendo na mão de quem sustenta esse sistema todo! O fato é que toda a minha postura e ideologia estão nos textos. Não leio nada parecido por aí, logo meu engajamento traduz-se na alma que dou ao corpo do meu texto. O recado tá dado, não tenho que virar partido político pra ser sujeito que reflete. Obrigado pelo carinho de todos!

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    01/04/2014 17:35:18TedyMembro SRZD desde 12/04/2012

    Se o carnaval carioca não quiser continuar passando por ridículo, tem que fazer como o Festival de Parintins (AM), em que os Bois, o Garantido e o Caprichoso sempre trazem temas relacionados com a cultura.

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    01/04/2014 17:27:13TedyMembro SRZD desde 12/04/2012

    Pra mim eu digo e repito: desde que começaram a dar atenção a esse pseudo-carnavalesco chamado Paulo Barros, o carnaval tem tido "enredos" cada vez mais ridículos. O único personagem brasileiro do "desfile" da Tijuca foi o Ayrton Senna e isso porque o Horta foi quem impôs o enredo. Que vê o abre alas da Tijuca e as demais alegorias sabe que a Tijuca nunca merecia uma nota 10 sequer. As alegorias da Tijuca eram RIDÍCULAS, e teve notas melhores que as do Salgueiro. Peguem a sinopse da Tijuca e vejam o quanto ela foi deprimente. Ã? como eu estava lendo numa rede na internet que o Salgueiro é o verdadeiro campeão do carnaval 2014. ..../ Esse pseudo carnavalesco não suporta carnaval, não suporta o Brasil, não suporta nossa gente, nosso povo. Ã? um COPISTA, uma pessoa desprovida de talento para criar, seu trabalho é copiar. Até na abertura da Copa das Confederações, este pseduo-carnavalesco copiou a ideia dos chineses na abertura da Olimpíada de Pequim (China) 2008. Só os jurados não enxergam, ou melhor não querem enxergar que o pseudo-carnavalesco quer destruir a cultura brasileira no desfile, por não suportar o Brasil, e nem o carnaval. Aliás que criatura estranha né?! Uma homem, já um sr. pra falar a verdade, ficando aquela figura estranha cabeça pequena e corpo bombado, e que adora desenhos de criança, de bonequinho de bob esponja que ele tem, kkkkk. Gente, esse pseudo carnavalesco não tem senso do ridículo, né?!

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    01/04/2014 14:48:51AndersonMembro SRZD desde 07/03/2014

    Achei por muitos anos que era o único no hemisfério sul que achava que a bossa nova era uma tentativa furtiva de "embranquecimento" do samba, sem batuque, sem preto, sem terreiro, sem pobre, e que passou a ser propriedade exclusiva dos 'populares' "ipanemo-leblonianos". Depois de anos quase apanhando nas mesas de bar, em acaloradas discussões, muito satisfeito em saber que não estou só.

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