SRZD


03/04/2014 14h29

Sai Cabral, entra Pezão
Gustavo Ribeiro

Em sete anos e três meses, dois mandatos avaliados antagonicamente. Por um lado, Sérgio Cabral (PMDB) foi o governador com a maior votação da história eleitoral do Rio. Por outro, ele atravessa seu pior momento perante a opinião pública, com aprovação de apenas 18%, segundo pesquisa Ibope. No meio do caminho, uma reeleição. Ao final, um uníssono nas ruas protestava "Fora, Cabral". É em meio a esse cenário que o peemedebista renuncia ao Governo do Estado nesta quinta-feira, 3 de abril, dando lugar a seu vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e vislumbrando uma possível candidatura ao Senado.

Foto: Divulgação

Uma gestão com dois perfis

Cientistas políticos consultados pelo SRZD avaliaram semelhantemente o governo Cabral. Para eles, a gestão pode ser analisada em duas fases, divididas pelo período anterior e posterior à reeleição. "Não acredito na tese de que ele cometeu todos os acertos que tinha direito no primeiro mandato e todos os erros no segundo. Diria que, se tivesse der dar uma nota de 0 a 10, ele mereceu média 5. Foi regular. É verdade que o primeiro mandato foi melhor que o segundo, porque coincidiu com o final do governo Lula, em 2010, quando a economia brasileira teve um crescimento de 7,5%, gerando um reflexo direto no estado", afirmou o cientista político Eurico Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O cientista político João Feres, do IESP-UERJ (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), arrisca dizer que Cabral apresentou a melhor gestão que o Rio de Janeiro já teve nos últimos tempos. "Ele chegou sanando as finanças públicas e logo depois vieram as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), um grande sucesso da política de segurança do estado. Obviamente foi maculado por causa das denúncias de corrupção, a ligação com o empresário Fernando Cavendish (dono da Delta) etc, mas isso de maneira alguma deve cancelar os pontos positivos", considerou o especialista.

Figueiredo concorda sobre a eficiência da política de segurança implantada na gestão de Sérgio Cabral, mas nega que tenha sido perfeita. "Demos uma virada na história com as UPPs, mas sabemos que essa virada está longe de se mostrar vitoriosa. A ocupação policial deveria ser apenas o início e supõe-se que deveria ser complementada com saúde, educação, transporte, infraestrutura etc".

Transição no poder

Segundo Eurico Figueiredo, a transição no governo poucos meses antes das eleições tem dois aspectos: administrativo e político. "No aspecto administrativo, esse processo é indolor, não é suscetível a maiores problemas porque existe uma sintonia muito grande entre o governador e o vice. Portanto, toda a máquina deverá ser mantida", anteviu o professor. "Quanto ao aspecto político, há problemas principalmente com os aliados políticos do PT, que teve diversos cargos solicitados e muitos ainda não foram entregues formalmente", concluiu.

Na visão de João Feres, a troca do bastão é uma estratégia para as eleições de outubro. "Eu acho que as especulações sobre a candidatura do Cabral ao Senado não irão se confirmar, mas a ideia é dar visibilidade ao Pezão como governador, porque ele não é tão conhecido assim", ponderou.

Imagem e marketing eleitoral

Para o cientista político da UFF, Cabral deixa o mandato com alta visibilidade no estado. "Ele sai com uma imagem de regular para boa. Já o Pezão tem a imagem de um desconhecido. O sucesso nas eleições vai depender muito da capacidade daqueles que vão cercá-lo na propaganda e no marketing político", acredita.

"O Pezão não vai ter tantos problemas acarretados da performance do Cabral. A imagem do Cabral está um pouco maculada, porque ele esboçou pouca reação quando recebeu uma enxurrada de críticas nas manifestações de junho do ano passado. Ele deveria ter sido mais proativo, como a Dilma, que enfrentou o combate. Pezão não precisa se preocupar com a imagem de seu antecessor. Ele só precisa aparecer como administrador", disse o especialista do IESP-Uerj.

Feres acredita que Pezão ganha uma vantagem à frente dos outros pré-candidatos ao assumir o governo nessa altura do campeonato. "Qualquer um que estiver no governo tem mais destaque do que quem é só candidato. O candidato quase não tem atividades públicas enquanto candidato. Como governador, ele pode fazer muito, mesmo em pouco tempo, e se sobressair".

Na opinião de Eurico Figueiredo, Pezão vai enfrentar dificuldades no aspecto da imagem, porque seus concorrentes são mais conhecidos que ele, como o ex-governador Anthony Garotinho (PR) e o senador Lindbergh Farias (PT).



Comentários
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    11/04/2014 01:10:51KarolineAnônimo

    SOU MAIS PEZÃ?O !!! NO PRIMEIRO TURNO !!!

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    11/04/2014 00:54:50Paulo BeckerAnônimo

    Cabral mudou a imagem do Rio, nos fez voltar a ter orgulho após 8 anos desastrosos do casal Garotinho. Sou da Região dos Lagos, e por aqui a maioria esmagadora dos PREFEITOS e ex Prefeitos estão apoiando o PEZÃ?O e eu vou votar nele e toda a minha familia iremos votar nele.

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    04/04/2014 14:15:47carlos camposAnônimo

    Garotinho vai dar um passeio, virá com a força do interior do RJ , causará um verdadeiro TSUNAMI nesta Turma do Guadanapo, dando um pezão nas [email protected] destes senhores do PT e PMDB.

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    04/04/2014 08:11:06AndreAnônimo

    Já vai tarde e muito tarde...VOLTA GAROTINHO E NO PRIMEIRO TURNO!!

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