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18/06/2014 22h01

Imperatriz lança sinopse com a presença dos principais segmentos
Redação SRZD

Em clima de descontração e alegria, a Imperatriz Leopoldinense entregou a sinopse do enredo "AXÉ NKENDA - Um  ritual de liberdade - E que a voz da liberdade seja sempre a nossa voz", cujo desenvolvimento será feito por Cahê Rodrigues, carnavalesco da agremiação

Com a presença dos principais segmentos e da rainha Cris Vianna, a verde, branco e dourado de Ramos, a escola pretende, através do enredo, levar uma África vista sob uma ótica diferente para a avenida. Pautado na emoção, o foco será social e abordará, entre outros temas, o racismo. Já no título, Cahê explica a pavra NKENDA, que, segundo um dialeto africano, significa amor.

"Precisamos ter respeito com o próximo. Não temos o direito de julgar ou apontar as pessoas pela cor da pele. Precisamos aprender a respeitar o indivíduo como ser humano que é."

Foto: SRZD - Joice Hurtado

Usando uma citação de Nelson Mandela que diz que ninguém nasce odiando ninguém e que este tipo de comportamento é ensinado pelo ser humano, Cahê fez uma breve explanação do tema, pedindo aos compositores, emoção nas composições.

A primeira tirada de dúvidas está marcada para o dia 8 de julho, na quadra da agremiação. A data da final ainda não está marcada, mas, segundo o diretor de Carnaval, Wagner Araújo, o dia pretendido é 19 de outubro.

Leia na íntegra a sinopse da Imperatriz Leopodinense para 2015:

AXÉ, NKENDA!
Um ritual de liberdade
"E que a voz da Igualdade seja sempre a nossa voz"

"Ninguém nasce odiando uma pessoa por sua cor de pele ou religião.
Pessoas são ensinadas a odiar. E se elas aprendem a odiar, elas podem ser ensinadas a amar."

Nelson Mandela

Axé!

Ouçam a voz do vento. Prestem atenção no que ela tem a nos contar.

Lembra do tempo em que as estrelas coroavam o nosso pensamento e, com ele, começavam a brilhar.

Nossos ancestrais conviviam em harmonia com a natureza e a sabedoria dos animais. Construíram uma gigantesca família, se espalharam pelo mundo e, por onde passavam, abriam novos caminhos para semear o amor e a paz.

Naquele tempo, não havia longe, nem perto; nem errado, nem certo; e reinava uma exuberante floresta onde, hoje, padece o maior de todos os desertos.

Caminhando pela savana, reunidos em torno da fogueira, celebrávamos a chegada e a partida, como se o direito de ir e vir fosse uma certeza prometida.

Baobá, árvore querida... Aprendemos a cantar, o segredo da rima, rimando a pureza das palavras com a beleza da melodia: alegria com nobreza, mistérios com fantasia.

Baobá, árvore querida... Conduz nosso canto até onde moram os deuses do infinito. E que eles cubram com o manto da noite o ventre de Mãe África, onde dormem as matrizes da vida.

África, Triângulo Sagrado, banhado por um oceano de cada lado.

Ao Norte, o próspero Mediterrâneo; a Leste, o reluzente Índico; a oeste, o tenebroso Atlântico.

Ao Norte, entre o mar e o Saara, brotaram as suas primeiras civilizações, verdadeiras joias-raras: o esplendor do Egito, o empreendedor Cartago e o Marrocos de Alah.

A Leste, velas tremulavam, salpicando o mar. Traziam sedas da China, tapetes da Pérsia e temperos da Índia. Do Reino do Sudão levavam o ouro e outros metais preciosos.

Entre os paralelos do Equador, existe uma majestosa floresta, onde o homem não se cansa de tirar, nem os deuses se cansam de repor.

Além de árvores, plantas e espécies fantásticas, existem rios e cachoeiras que os nossos olhos são poucos para admirar. Não existe na Terra, tamanha diversidade, incrível quantidade de vegetais e animais - embora, não faça muito tempo, houvesse muito mais.

São Zulus, Massais, Bantos, Mossis, Bokongos e Hauçás clamando por liberdade e paz!

Os mistérios da Natureza vão além da compreensão. Explode o raio, grita o trovão, a cheia inunda o vale, a terra vomita fogo pela boca do vulcão. A cachoeira chora, a lua cheia anuncia que algo acontecerá antes do raiar do dia. Ao som de tambores, lendas, mistérios, curas e magia constroem mitos e aventuras, cultos e culturas. Essa é a nossa liturgia. 

Vivemos numa terra de contrastes permanentes. O mais velho dos continentes possui a população mais jovem do planeta - com sonhos ainda latentes.

Também pudera... Nenhum outro continente sofreu tantas transformações, tantas violações, em tão pouco tempo!

Nossos guerreiros não conseguiram impedir a marcha do invasor. Suas preces foram sufocadas pelos canhões. Perdemos nossos bens, muitas vidas, dialetos e nações. O pranto foi pouco para tanta dor...

Fomos submetidos aos mais diferentes tipos de colonialismo. Aprendemos as mais contundentes formas de respeitar o "senhor". A pior delas foi o racismo - linha reta entre quem manda e é mandado.

Nos impuseram uma nova etnia, religiões, obrigações, devoções e economia. Fomos escravizados à tecnologia, em nome de um mundo "civilizado".

Pelas janelas do Atlântico, nossos olhos ainda choram amargas lembranças, vendo nossos irmãos partirem para terras desconhecidas. Não houve despedida, nenhuma notícia, nenhuma esperança.

Uma delas fica do outro lado do oceano e se chama Brasil. É uma terra muito parecida com a nossa: tem florestas, praias, muitos rios, clima quente, clima frio, gente que ginga, brinca e que também faz festa na roça.

Irmãos do Congo, Angola, Daomé, Gaô e Jané foram levados para lá. Carregaram na lembrança nossos deuses, nossas danças, nossa música, bebidas e comilanças, misturando nosso sangue ao brasileiro. É por isso que eles são tão festeiros.

Não fazem uma roda sem que haja um tambor, berimbau, reco-reco e agogô. Cantam em iorubá, rimam em nagô e começam a sambar. O que era uma roda vira festa, colorindo o país de Norte a Sul. Vem maracatu... boi-bumbá, congada, capoeira, reisado, umbigada, é jongo a noite inteira.

Como num rap, ou num partido-alto, criam vários sentidos com a magia das palavras...

Acarajé, quibebe, munguzá,
Caruru, abrazô, vatapá...

"Gererê, sarará, cururu
Olerê!
Balá-blá-blá, bafafá, sururu.
Olará!"

E vejam só que interessante... Depois das lágrimas de uma chegada angustiante, nasceram festas e folias que alegram o povo até os nossos dias.

Nossos irmãos rezavam para os deuses que não eram seus. Cantavam músicas que não eram suas. E fechavam as procissões que se arrastavam pelas ruas.

Foi assim que aprenderam a desfilar. Nasceram irmandades de bambas, organizadas como verdadeiras Escolas de Samba! Que, aliás, são Escolas de Cultura e Arte Africanas!

Nelas se aprende as coisas mais elementares da vida: Por exemplo... uma banana, subvertida como símbolo de racismo, na verdade é o africanismo mais popular do Brasil... E se não devemos dar asas para o mal, podemos transformá-lo numa brincadeira de carnaval. Que tal?

Cantemos a LIBERDADE! E para que ela abrisse as asas sobre nós, tivemos que ser fortes de verdade. Aprendemos com Zumbi, com os Malês, Manoel Congo, João Cândido e outros irmãos que já não estão aqui. Mas deixaram um caminho a seguir. 

Aprendi que a vida é um permanente ritual de liberdade. Lutando por justiça, movimentos se espalharam pelo mundo inteiro. Estão documentados nos livros, no cinema, no teatro, na música, nas artes plásticas, nos grafites, por toda parte. Foi por ela que dediquei toda a minha existência. E faria tudo novamente.

Para que esta mensagem fosse tão transparente como as nossas águas, buscamos um caminho sem mágoas, procurando sempre a simplicidade. É como a África, mãe de tantas diversidades, lutando sempre por justiça. Foi a forma que encontramos para mostrar a verdade.

Precisamos semear nos livros, nas escolas, nas mentes e nos corações.

Precisamos reconstruir o continente africano e a mentalidade de muitos. Precisamos escrever uma nova História de Vida, pontuada de ações humanas, fraternas e solidárias!

Precisamos despertar em nossos irmãos, o mais difícil de todos os desejos: o de aprender a amar. Para que, então, a voz da igualdade seja sempre a nossa voz

Este será o nosso maior desafio.

Axé, Nkenda!

Nelson Mandela
Céu - Departamento da África do Sul, Mvezo


GLOSSÁRIO

NKENDA - Amor, segundo o Kimbundu, língua africana falada no Noroeste de Angola.

BAOBÁ (Andansonia digitata) - Também chamado de embondeiro. Árvore que pode atingir 25 m de altura e 7 m de diâmetro. É a árvore nacional de Madagascar, emblema do Senegal e considerada sagrada em todo o continente africano.

ZULUS, MASSAIS, BANTOS, MOSSIS, BOKONGOS e HAUÉÁS - Algumas das mais tradicionais etnias africanas.

Acarajé, quibebe, munguzá, caruru, abrazô, vatapá - Comidas e iguarias da culinária africana.

"Gererê, sarará, cururu/ Olerê!/ Balá-blá-blá, bafafá, sururu/ Olará!" - trecho da letra de "Querelas do Brasil", música de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina.

Carnavalesco: Cahê Rodrigues

Pesquisa e Texto: Marta Queiroz e Cláudio Vieira


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Comentários
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    19/06/2014 18:59:09GilsonMembro SRZD desde 15/02/2014

    Ã? medida que vamos tendo uma ideia melhor dos enredos, vejo que no ano que vem a disputa será acirradissima. Aprecio muito o trabalho da Cahé, o acho de extremo bom gosto de criativo quanto à concepção final de seu trabalho. Em minha opinião é junto ao Louzada, Rosa, Max e Lage, são autênticos carnavalescos, um pouco atrás deles é claro, mas a cada ano melhor. Imperatriz vem para o titulo, porem acho a Portela, Salgueiro e Beija-Flor acima das outras. Vejamos como serão os sambas, para ver quem vem um pouco mais a frente.

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    19/06/2014 14:38:03julio_sanMembro SRZD desde 13/04/2009

    Aproveitando o questionamento dirigido à Imperatriz, compartilho também a seguinte indagação: como pode a Mocidade, uma escola grande, comprar um embuste do maior engodo do carnaval carioca?

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    19/06/2014 13:48:19Beija Flor A Deusa Da PassarelaMembro SRZD desde 03/07/2013

    pronto , vlw agora vejo que vc nao ta pegando o dna da aghata , muitos diziam que vai ser a historia de guine , mais o titulo confundiu muita gente , ent espere a sinopse e dp daremos nossa opniao

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    19/06/2014 13:34:46GeanMembro SRZD desde 22/02/2016

    Ok, Deusa da Passarela, quando a sinopse da Beija-Flor sair, eu comparo com essa da Imperatriz.

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    19/06/2014 13:32:01Beija Flor A Deusa Da PassarelaMembro SRZD desde 03/07/2013

    vc disse no seu comentario ( E a África reinando com a Imperatriz e a Beija-Frô!!! Mas acho essa África mais rica, mais viva que a África da Beija-Frô ,essa e a sua conclusao precipitada , por isso que eu to dizendo que espere a sinopse da beija dp vc diz

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    19/06/2014 13:12:51MAJESTADE DO SAMBAMembro SRZD desde 27/06/2011

    Opa claro, Majestade do Samba só Portela, Gean, escola que respeito muito também. Mas Imperatriz também admiro muito.

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    19/06/2014 12:53:29GeanMembro SRZD desde 22/02/2016

    Ora Deusa da Passarela, quais são as minhas conclusões preciptadas, me diga??? E a sinopse não está aqui?(!)

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    19/06/2014 12:35:41GeanMembro SRZD desde 22/02/2016

    Que isso Gresilense??? Majestade do Samba só existe uma: Portela.

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    19/06/2014 11:01:20MAJESTADE DO SAMBAMembro SRZD desde 27/06/2011

    Ih olha a Aghata apareceu, esqueci que só a escola dela é a melhor, kkkk respeito a Mocidade, mas vc respeite a Imperatriz pois em 2013 e 2014 enquanto a Imperatriz disputou título e ficou nas primeiras colocações, a Mocidade ficava lá embaixo disputando pelos décimo lugar kkkkkk Cahê pra sua informação provou ser um grande Carnavalesco, enquanto a Independente muda todo ano de carnavalesco e nunca da certo com ninguém, talvez de certo com o Paulo Barros, e vc ainda vem criticar a Imperatriz, a façamos o favor.

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    19/06/2014 10:43:12AghataMembro SRZD desde 20/05/2013

    Este deve ser o milésimo terceiro enredo sobre a África. Como pode uma escola da grandeza da Imperatriz, fazer um enredo destes e o pior dar nas mãos de um péssimo carnavalesco q é este Cahe.

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    19/06/2014 08:58:21Beija Flor A Deusa Da PassarelaMembro SRZD desde 03/07/2013

    gean nao tire conclusões precipitada , agora vc me lembrou a aghata ( acha que sabe de tudo ) meu caro deixe a sinopse sair ai vc diz

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    19/06/2014 08:46:44ACBeijaflorMembro SRZD desde 08/09/2010

    Não sei o que é mais engraçado se o comentário voltando com a cara da vila isabel ou se a Moci voltando com a cara da Tijuca kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

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    19/06/2014 02:48:57GeanMembro SRZD desde 22/02/2016

    E a África reinando com a Imperatriz e a Beija-Frô!!! Mas acho essa África mais rica, mais viva que a África da Beija-Frô, que pode lembrar o desfile de 2012 que foi um fiasco pra escola de Nilópolis. Mas falando do assunto da página que é a Imperatriz: bela sinopse, muito boa a escolha de pôr o inesquecível Nelson Mandela na história. E espero que com esse Enredo a Imperatriz leve mais sua comunidade pra avenida. Sua comunidade é o Complexo do Alemão, mas parece que a comunidade não desfila, pois sô se vê gente branca nos desfiles da escola.

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    19/06/2014 02:23:59GeanMembro SRZD desde 22/02/2016

    Gosto da Imperatriz, mas odeio Luizinho Drummond. Ele é um bandido, assassino e já era pra ter sido preso há 1000 séculos. Sujou várias vezes a imagem da Imperatriz, pagando pra ganhar em: 1995, 1999 e 2001. Desculpe Imperatriz, mas enquanto você for representada por este criminoso, você só disputa o título.

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    19/06/2014 00:11:44João SilvaMembro SRZD desde 18/08/2010

    Ah, só pra finalizar, parabéns ao Rogério pela profundíssima análise. Nesses dias toma o lugar do floreador Cláudio Russo na comissão SEBRAE da Beija-flor.

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