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Aurora Seles

Aurora Seles

CARNAVAL. Jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação. Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes - Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, Saúde, Ciências Sociais e Humanas, lançado em dezembro/2015.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



06/08/2014 00h40

Comunicação: uma ferramenta universal
Aurora Seles

Desde os primórdios, até a atualidade, os meios de conversação contribuem aos diversos segmentos.

Recentemente li um artigo de Sidney Rezende, com excelente análise, sobre o ofício de ser jornalista. Refleti profundamente sobre a importância da comunicação.

A meu ver, trata-se de uma das maiores ferramentas para promover a simbiose do conhecimento. Ser jornalista, por exemplo, não é ter a ilusão de ficar atrás de uma bancada. A paixão pelo segmento é complexa, porque adquirimos técnicas de melhorar nosso diálogo e principalmente, levar informação.

Comunicação na pré-história. Foto: Divulgação

Tudo começou na era pré-histórica. O homem observou a necessidade de manifestar-se desde que passou a viver em sociedade, fosse para alertar sobre alguma coisa, expressar sua cultura ou sentimento.

No período Paleolítico e Mesolítico (500.000 A.C. a 18.000 A.C.) o homem dominava a natureza, fabricava utensílios, usava trajes para conter o frio, usava o fogo e também desenvolvia a linguagem com intuito de se exprimir.

Desta forma, começa-se o que hoje conhecemos como pinturas rupestres, ou seja, desenhos feitos em cavernas ou pedras com a ideia de expressar-se. Logo depois, as habitações passaram de cavernas a casas construídas pelo próprio homem, as roupas eram produzidas por teares e a comunicação passava a ser expressa em ossos, pedras e madeiras.

A transição da Pré-história ocorre no final da Idade dos Metais (por volta de 4.000 A.C.), daí o surgimento da escrita na Mesopotâmia e no Egito.

Desde então essa ferramenta cresceu cotidianamente. O primeiro exemplar de um jornal é de 59 A.C., em Roma. No rádio, consta a primeira transmissão em 1900; a televisão surge em 1924. O processo é realmente evolutivo: desenvolvimento da pré-escrita, da escrita, do papel, das impressões manuais e das mecânicas.

Estamos na era digital - da tecnologia e informação - e podemos dividir nossos pensamentos e sentimentos ao redor do mundo. A informação alcançou distâncias geográficas e culturais.

A comunicação é um processo que circunda a troca conhecimento. Muitas vezes são utilizados os sistemas simbólicos a este fim.

Há uma infinidade de maneiras para promover a informação: duas pessoas durante uma conversa face a face, ou através de gestos com as mãos, mensagens enviadas pela internet, a fala e a escrita possibilitam interagir com o mundo.

Com o uso da semiótica - teoria geral de todas as linguagens e de todos os sistemas de significação - o ato de comunicar-se é ainda maior.

Podemos materializar o pensamento através de símbolos. Este processo, que abrange as redes colaborativas e os sistemas híbridos, contribui para as comunicações de massa, pessoal e horizontal.

Chacrinha, o velho guerreiro, alardeava: "Quem não se comunica se trumbica". Absolutamente! A comunicação é uma atividade educativa. Ela circunda a troca de experiência entre pessoas de gerações diferentes, evitando-se assim que os grupos sociais retornem ao primitismo.

Chacrinha. Foto: Divulgação

Sem dúvida, o assunto oferece um gancho sobre a importância da comunicação num desfile de Carnaval.

Desde a ideia do enredo até a concepção da totalidade das alas, a interação é simultânea.

Carnavalesco, diretorias gerais de uma agremiação e também das alas, componentes.

Da concentração até o fechamento dos portões, tudo é sincronizado. O tempo cronometrado.

A demanda envolve muitas pessoas - e faixas etárias. Claro! Da velha-guarda à ala das crianças, não há exceção.

Todos têm sua importância na passarela do samba. Imaginem um setor perder a conexão com os outros setores.

Ufa! Vale lembrar que a criação do enredo é - na maioria das vezes - a interpretação de um fato histórico, de uma homenagem, de uma recordação.

Há pouco mais de uma hora para retratar o tema. O resultado positivo, do trabalho que dura o ano inteiro, ocorre excepcionalmente pela boa comunicação.

As atividades incluem festas, ensaios, shows, coreografias e muito diálogo. Imprevistos são solucionados rapidamente quando existem os chamados "planos B", mas esse é um assunto de gerenciamento de crises.

Confira no próximo artigo!


Comentários
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    12/08/2014 20:01:33Aurora SelesAnônimo

    Amigo Marcio, agradeço a observação. Somos instrumentos dessa área. Obrigada pelo apoio e as informações. Pura simbiose! Abraço, Aurora Seles

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    12/08/2014 20:00:13Aurora SelesAnônimo

    Joel, sua análise é real. E digo mais: comunicação não é apenas postar eventos nas mídias sociais. Ela deve "rolar" integralmente - em todos os setores das escolas. Abraço, Aurora Seles

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    12/08/2014 19:59:04Aurora SelesAnônimo

    Monica, obrigada pelo reconhecimento. Logo mais, a segunda parte. Abraço, Aurora Seles

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    12/08/2014 19:57:28Aurora SelesAnônimo

    Boa noite! Muito bacana os comentários postados. Faço questão de respondê-los, afinal, a comunicação flui em cima disso - diálogos e muita troca de ideias. Vamos lá! Miguel, você tem razão e felizmente (quero acreditar que) as agremiações têm olhado para essa área com mais atenção. O que é positivo para todos, mas ainda há resistência. Seguimos a caminhada. Daqui a pouco muda. Abraço, Aurora Seles

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    12/08/2014 15:19:03MARCIO CARDOSO SANTOSAnônimo

    Aurora, excelente conteúdo! Ã? medida que lia, imaginava a composição do enredo explorando a comunicação com todos os seus símbolos complexos, expressando interesses nas entrelinhas; na exploração dos contextos, mudando-se os conceitos; a comunicação retratando a cultura do povo... Que assunto maravilhoso!

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    11/08/2014 14:04:53Joel GuimarãesAnônimo

    Concordo também...falta profissionalismo e visão dos presidentes das escolas de samba. De um modo geral, a comunicação não existe. O SRZD dá um banho de divulgação, quando tem escola que nem tem sua ficha técnica atualizada....não consigo entender porque...será que falta verba, vontade, conhecimento ou preguiça em contratar um profissional para fazer um trabalho decente? Tem escola que ficou entre as cinco primeiras de 2014 que se quer divulgou seu enredo e sinopse em seu próprio site. Me perdoem o desabafo mas acho uma vergonha na era digital ver o carnaval tão mal divulgado....com ressalvas para trabalhos incríveis como o SRZD e outros poucos sites do genero.

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    11/08/2014 14:00:19Monica GuedesAnônimo

    Gostei....quero ver a continuação.......realmente um tema interessante...parabéns Aurora.

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    11/08/2014 13:59:20MiguelAnônimo

    Fantástico...as escolas de samba deveriam ter mais cuidado com este aspecto de divulgação e mídia...raramente encontramos um site decente e que tenha a informação correta. Ã? lamentável.

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    11/08/2014 09:12:43Aurora SelesAnônimo

    Queridos Rosana Pinto e Donizete Braga, obrigada pelo incentivo. Abraço!

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    08/08/2014 13:45:54Donizete BegaAnônimo

    Simplesmente M A R A V I L H O S O o texto e sua explicação. Parabéns pelo excelente trabalho!!!

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    07/08/2014 13:31:53Rosana PintoAnônimo

    Falou tudo, amiga. Parabéns pelo texto. Beijos

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    07/08/2014 10:43:33Aurora SelesAnônimo

    Sergio Ricardo, agradeço pelo acompanhamento à coluna! Abraço, Aurora Seles

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    06/08/2014 17:16:15Sergio RicardoAnônimo

    Muito esclarecedor, matéria bem apresentada.

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Isso evita spams e mensagens automáticas.