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Alemão do Cavaco

Alemão do Cavaco

CARNAVAL/RJ. Formado pela Faculdade de Música Carlos Gomes em São Paulo, é compositor, arranjador, produtor musical e multi-instrumentista (cavaquinho, bandolim e violão). Como compositor, é autor de diversas obras em escolas de samba, sendo 8 na Gaviões da Fiel, uma na X-9 Paulistana, duas na Estação Primeira de Mangueira, agremiação em que foi diretor de harmonia e musical no Carnaval de 2013.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



21/08/2014 01h20

Paulo Barros teria espaço no Carnaval de São Paulo?
Alemão do Cavaco

Olá minha gente!

Mais uma vez estamos aqui neste espaço maravilhoso onde podemos falar de Carnaval, mais especificamente, das nossas escolas de samba de São Paulo.

Sambódromo do Anhembi. Foto: Divulgação

Hoje a abordagem deste artigo, pode parecer, para algumas pessoas, uma mensagem de desabafo.

Sempre procuro falar, de forma geral, sobre os bastidores dos processos que ocorrem dentro das agremiações.

Por diversas vezes, somos surpreendidos por fatos, que, nos dão a sensação de que muitas decisões tomadas por interesses pessoais se sobrepõem ao desejo coletivo.

Fico triste quando ocorre divergência entre as diretorias e a comunidade das escolas de samba.

Por se tratar de uma disputa muito acirrada que envolve investimento, competição, dificuldades e sobretudo, muitas pessoas, é absolutamente aceitável a resposta de que não é simples manter a harmonia e a acertividade nesta árdua tarefa de liderar os diversos processos de um projeto de Carnaval. É impossível agradar a maioria, seja a pauta que for, no entanto, é preciso ressaltar que as decisões tomadas em uma entidade envolvem diretamente uma comunidade inteira, além de torcedores e simpatizantes.

Quando se dirige uma agremiação, por mais que não se tenha um total conhecimento técnico, o que é muito comum nos dias de hoje, é necessário acima de tudo, ter bom senso, sabedoria e amor ao pavilhão de forma incondicional, caso contrário, continuaremos a assistir grandes potências do nosso Carnaval deixando de brilhar, e mais do que isso, descartando em poucos anos, histórias, suor e trabalho que muitos levaram décadas para construir.

O Carnaval não pode perder sua essência. Sei que algumas pessoas poderão criticar esta reflexão, uma vez que existem muitas questões culturais envolvidas, mas vou citar o Carnaval carioca.

A grande parte dos componentes da folia carioca respira o desfile, se entrega por seus pavilhões, e mesmo com inúmeras dificuldades e questões de tradições, existe sempre uma abertura para o "novo" e "mágico".

Paulo Barros e suas criações no Carnaval carioca. Foto: Divulgação

Vide o gênio Paulo Barros, que foi tão criticado em seu início e hoje é considerado com um dos ícones do Carnaval, dando sequência à Pamplona, João, Fernando Pinto e Renato Lage.

A tradicional bateria da verde e rosa comandada então por mestre Ailton e com direção artística de Ivo Meirelles, inovou, sendo destaque nos últimos desfiles. O samba-enredo que tive a felicidade de vencer na querida Mangueira com meus parceiros, também trouxe uma inovação de posicionamento, sendo premiado como hino mais bem pontuado de 2011.

E temos mais um batalhão de exemplos que fazem do Carnaval carioca, o espetáculo mais completo e emocionante do mundo.

O Carnaval de São Paulo tem crescido muito em muitos aspectos e a paixão pelas escolas também. A profissionalização é mais do que uma realidade em diversos segmentos, mas uma coisa muito séria que vemos aqui, e que a meu ver, prejudica uma evolução que poderia ser maior, é a intransigência, o medo de inovar e a ignorância no sentido literário, dos dirigentes.

Quando digo dirigentes, não estou falando especificamente dos presidentes, e sim daqueles que tem como função comandar, dirigir e tomar decisões.

Muitos irão negar, mas eu acredito que a maioria que hoje comanda, tem medo do novo e do diferente.

Será que se Paulo Barros tivesse surgido em São Paulo, teria espaço para executar suas maravilhas em alguma escola?

Bateria da Estação Primeira de Mangueira. Foto: Divulgação

Será que alguma bateria seria bancada por um presidente ou diretor de Carnaval para fazer uma parada total de 20 segundos?

Será que um samba qualificado, com poesia e uma melodia valente, mas muito diferente, teria espaço pra vencer? Sem torcida, sem marketing e sem investimento?

Utopia pensar nisso em um Carnaval globalizado?

Talvez, mas esta reflexão me assusta.

Confesso ser tradicionalista sim, em muitas coisas, inclusive no Carnaval.

Respeito muito a opinião de todos, mas torço muito por um Carnaval de São Paulo mais ousado, inteligente, renovado, que insere a comunidade nas principais decisões e qualificado, principalmente nas mentes de quem tem como responsabilidade, representar as escolas e enaltecer a cultura popular brasileira.

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Comentários
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    14/02/2015 23:19:38JorgeAnônimo

    Senhor, acho seu comentário muito relativo. O carnaval de SP e RJ possuem identidades próprias. Lamentável um sambista ainda querer comparar carnavais

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    26/08/2014 19:54:03Ivan o TERRIVELAnônimo

    PRA SER SINCERO NÃ?O GOSTO DO TRABALHO DELE NEM NO RIO PRA MIM ALGUMAS COISAS QUE ELE INVENTA NÃ?O Ã? CARNAVAL.

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    25/08/2014 10:10:26Ricardo MartinsMembro SRZD desde 02/08/2013

    Texto perfeito...

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