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Ticiana Farinchon

Ticiana Farinchon

SERIADOS DE TV. Formada em Jornalismo pela Facha, cursa pós graduação em Mídias Digitais. Apaixonada por tecnologia e cultura, tem nos seriados de TV seu maior vício, acompanhando em tempo real tudo o que acontece neste fascinante universo.

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12/09/2014 12h57

Um grande final para uma 'Grande Família'
Redação SRZD

Ao saber que 2014 seria o último ano de exibição de A Grande Família uma pergunta me veio instantaneamente à cabeça: como se despedir de uma maneira justa de uma série tão representativa para a TV brasileira? A resposta veio ontem. E não podia ter vindo de uma maneira melhor.

Mesmo aqueles que, como eu, não tinham o costume de assistir às histórias de Lineu e cia temos que concordar com a importância do programa na dramaturgia do país. A excelência do elenco, o esmero da produção (os detalhes da cenografia sempre foram impecáveis) mostravam, durante os 13 anos que esta fase da produção ficou no ar mostraram que, quando queremos, podemos produzir TV de primeira grandeza. Sem aparatos tecnológicos, sem as apelações tão costumeiras de hoje em dia, A Grande Família conseguia fazer aquilo que a televisão atual tanto se propõe fazer - e nem sempre consegue: trazer pra dentro da telinha os espectadores, que, por sua vez, não largavam o programa por conseguirem, sem muito esforço, verem-se refletidos nos personagens, nas situações criadas.

Assistindo ao episódio e refletindo sobre a enorme empatia dos personagens com seu público, me peguei num revelador exercício de "Quem Nunca?". E ai, de uma maneira simples e direta, desvendei o grande segredo do sucesso do programa. Afinal, quem nunca se questionou sobre a validade de ser certinho quando todos ao redor tiram vantagem, quem nunca teve que se virar pra consertar a besteira de um parente que se deu mal ao tentar dar um jeitinho pra se dar bem, qual mulher nunca se sentiu sufocada com os problemas do dia-a-dia e teve vontade de jogar tudo pro alto? É isso. Simplesmente isso. A Grande Família ficou tanto tempo no ar porque era uma série de verdade, com personagens de verdade.

E a solução encontrada pelos autores para homenagear esta história - e os atores envolvidos - foi perfeita. Ao trazerem para a tela outros excelentes atores para representá-losautores e direção fizeram com que, inconscientemente, o público fosse chegando à conclusão que viria a finalizar o episódio: ninguém mais no universo seria capaz de substituir Marco Nanini, Marieta Severo e cia. E olha que estávamos diante de nomes como Tony Ramos, Glória Pires e Alexandre Borges (meu único senão da lista foi Deborah Secco, por acreditar que a Fabíula Nascimento seria perfeita como Bebel).

A homenagem implícita ao elenco só foi ofuscada pela emoção dos atores, que transcendia a tela. As cenas de Marieta Severo com Glória Pires e Andréia Beltrão foram de uma honestidade, de uma sutileza impressionantes, que só ressaltam a magnitude dessa exuberante atriz. Coube a Tony Ramos e Nanini, só com trocas de olhar, nos inserir no clima de respeito e admiração mútua que permeou a relação entre atores/personagens. Em todos os sentidos possíveis.
 

Quem não assistiu ao episódio (que registrou 21 pontos de audiência, ganhando de longe de seus concorrentes) perdeu uma aula de televisão. Todos os detalhes foram milimetricamente pensados para reverenciar os envolvidos com a série durante os anos que ela ficou no ar. E, é claro, milimetricamente pensados para nos deixar com saudades dessa turma. Bravo, Grande Família!


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Comentários
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    26/09/2014 14:32:58Bruno FavierAnônimo

    Gostei muito do último episódio desta fantástica série e mesmo não tendo acompanhado nos últimos tempos, devido a queda na qualidade dos textos, pude perceber que realmente os atores mereceram a homenagem. Levarei sempre em minhas embaçadas retinas Rogério Cardoso, Marco Nanini e Pedro Cardoso dando show, muito bem coadjuvados pela Marieta Severo. Eu que já era intenso fã do trabalho do Nanini desde os seus primórdios na TV Pirata, passando pela Comédia da Vida Privada, pude me deliciar com suas belas atuações e sei que toda homenagem foi pouca. Mesmo reconhecendo que o programa já não tinha mais o fôlego inicial, sei que tv ficou mais pobre...

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