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01/10/2014 21h11

Seminário SRZD-Carnaval: enredos foram assunto do segundo debate da noite
Redação SRZD

Após o primeiro debate desta quarta-feira da 4ª edição do Seminário SRZD-Carnaval e a apresentação de passistas da Mocidade Independente de Padre Miguel, o evento seguiu para o assunto "Enredos do Meu Samba 1 - A Beija-Flor retorna à temática africana após o enredo sobre o empresário Boni. A Ilha, que encantou a Sapucaí e voltou às campeãs falando de infância, trará um enredo crítico e satírico sobre o apego à beleza no mundo contemporâneo", com a presença do carnavalesco da União da Ilha, Alex de Souza, e integrantes da Comissão de Carnaval da Beija-Flor Fran Sérgio e Claudio Russo.

Seminário SRZD-Carnaval. Foto: SRZD - Luana Freitas

Para o blogueiro do SRZD-Carnaval Hélio Rainho, em 2014, "União da Ilha foi muito União da Ilha" e ele perguntou para Alex sobre a surpresa com o tema brincadeira, aparentemente recorrente, mas que teve uma tradução sublime. O carnavalesco começou falando sobre profissionais que marcaram o espetáculo, como, por exemplo, Joãosinho Trinta, que foi imortalizado e deixou marca na Beija-Flor. "Quando você tem possibilidade de ficar um tempo maior na escola, vai conhecendo melhor a escola, presta atenção nas características que a escola tem. A carnavalesca Maria Augusta fez um Carnaval pop na União da Ilha. O trabalho que ela trouxe para a Ilha, com sambas antológicos, fez da agremiação a marca que ela tem hoje: a escola da simpatia, da alegria, descontração, de temas fáceis, acessíveis e próximos da sociedade. Foi uma grande alegria ingressar na União da Ilha, por cada Carnaval que pude desenvolver na escola e os que virão, se Deus e Ney (Filardis) quiser", brincou. E emendou: "Tenho que agradecer ao Ney pela liberdade que tenho. Tive a sorte de propor os meus enredos, que eu já visualizava, e até agora eles são aceitos. Tenho espaço, condições de trabalho e liberdade de fazer o tema. Penso no que o insulano gostaria de ver e o que o público espera. Em 2014, não venceu, mas convenceu".

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Seminário SRZD-Carnaval. Foto: SRZD - Luana Freitas

Para a blogueira do SRZD-Carnaval Rachel Valença, "uma escola que passou longo período no Acesso e volta para o Grupo Especial tem dificuldade redobrada. Difícil retomar a dimensão no Grupo Especial". Em seguida, Rachel fez uma pergunta a Alex: "Seus enredos foram todos autorais. Como a União da Ilha conseguiu se manter, com dignidade e colocações boas no Grupo Especial?". Segundo o carnavalesco, "fica parecendo que puxo o saco do presidente, mas acredito que a escola se organizou, desde o último ano no Acesso, foi saneando problemas financeiros e fez um trabalho muito bem organizado".

Fran Sérgio no Seminário SRZD-Carnaval. Foto: SRZD - Luana FreitasDepois do enredo sobre a União da Ilha, o assunto do seminário foi o tema de 2014 da Beija-Flor. Para Hélio, "estávamos acostumados a ver a Beija-Flor desfilar com imponência e não foi visto no último desfile". O blogueiro questionou sobre "em que momento, pareceu que um alvo que estava bem desenhado não foi atingido?". Fran Sérgio respondeu que o enredo não ficou a cara da escola. "Um enredo tecnológico que não atingiu o que pensamos que ia atingir, não funcionou". Segundo ele, isso foi percebido no dia do desfile. Hélio elogiou o controle técnico da Beija-Flor e se disse surpreso pelo enredo ter "desandado" apenas no dia. Fran Sergio reiterou que apenas na Sapucaí notaram problema na temática.

O enredo africano da Beija-Flor de 2015 também foi assunto no Seminário SRZD-Carnaval, por não levar orixás. Claudio Russo explicou que a Guiné Equatorial não faz culto aos orixás. "Importante dizer, porque em todo tema afro, pensamos em orixás e eles trazem grandes sambas. Mas a África tem mais de 50 países e apenas três cultuam os orixás. Por que precisa tê-los nos enredos? A maior revolta no Brasil foi dos malês, que eram muçulmanos. Seria incoerente falar de orixás no enredo da Beija-Flor". 

Sobre seu trabalho na Comissão de Carnaval, Russo contou como foi o convite de Laíla para a função. O recém integrante respondeu que era tudo o que queria e que pensava em parar de compor. Laíla não viu problema de Russo fazer composição em escolas que não sejam do Grupo Especial. "Vemos que o samba bom às vezes se apresenta mal", contou ao falar sobre estar agora na Comissão. "Meu lado compositor não está parado, mas menos rebelde". 

Alex de Souza no Seminário SRZD-Carnaval. Foto: SRZD - Luana FreitasApesar de não ter uma Comissão, Alex de Souza contou que tem uma equipe que o ajuda e sobre seu trabalho no dia a dia. O carnavalesco contou sobre o enredo de 2015 da União da Ilha, que inicialmente seria sobre o aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro, mas como é o tema da Portela, a escola decidiu falar sobre beleza.

"O enredo de 2014 foi uma reflexão sobre a infância e não sei se as pessoas perceberam. Para 2015, quero manter uma reflexão, que a escola seja um espelho e as pessoas se encarem de frente. Estou tendo oportunidade de fazer um enredo que brinque da cara de nós mesmos, de como nós somos ridículos, que vivemos num mundo de aparências. Em essência, a Ilha brinca".

Claudio Russo no Seminário SRZD-Carnaval. Foto: SRZD - Luana FreitasNa plateia, Ricardo Moraes, do Centro de Referência Carioca do Samba, perguntou qual recomendação para os compositores, na hora da distribuição da sinopse, para o samba de 2015? Russo respondeu: "Quando começamos a escrever a sinopse, tentei pensar em o que o compositor quer ler? Tem sinopse que não diz nada e o compositor tem que adivinhar. A maioria não lê muito e é compositor por dom. O que tentamos trazer é uma sinopse simplificada. Uma história que qualquer pessoa lesse e entendesse. Parece que os compositores, no primeiro dia de dúvidas, tinham poucos questionamentos. Por esse enredo ser tão Beija-Flor, os compositores sabiam para onde a gente queria ir. O compositor precisa se ver na sinopse. Tirar dúvida só no último caso. Esse foi o grande 'tchan' para a grande safra que nós temos". Já Alex explicou como é na Ilha: "Eu faço um texto querendo dar uma narrativa mais poética e outro, que chamo de argumento, que é mais técnico, seco. A maioria compreendeu, às vezes alterando a ordem do roteiro. O enredo é divertido, bem humorado, é ácido, crítico, sacana, mas a imagem que eu vou projetar é que vai dar o tom do humor. Porém, os compositores têm liberdade de fazer o que eles quiserem".

Alexandre Souza, diretor de Harmonia no Império Serrano, da plateia, perguntou: "Já se viu muita coisa sobre África. Como vão fazer para sair de tudo o que já vimos na Sapucaí?". Claudio Russo respondeu: "É um continente imenso. Nos enredos anteriores, focamos na África Central. A Guiné é mais colorida, verde, diferente de outro enredo que falava sobre savana. A Guiné é dançante, alegre, colorida, há muita força. A aposta da Beija-Flor é nessa alegria, junto com a comunidade da escola".

Moacyr Barreto no Seminário SRZD-Carnaval. Foto: SRZD - Luana FreitasA espectadora Janine questionou como conseguem perceber na hora do desfile o que está dando certo e o que não está. Para o carnavalesco da Ilha, "cada ano é uma coisa diferente, mas sempre prestando atenção no Setor 1, que é um termômetro muito forte". 

Moacyr Barreto, da AMI7, que acompanhou o debate, perguntou sobre a liberdade do compositor com as exigências que há hoje em dia. Russo respondeu dizendo que "as exigências aumentaram muito, mas não é culpa de ninguém. A festa cresceu demais, os julgamentos ficaram mais fortes. O compositor ficou como os sambistas, ele tem que rebolar.

Sidney Rezende. Foto: SRZD - Luana Freitas

O jornalista e diretor do SRZD, Sidney Rezende, finalizou o debate com reflexões sobre preconceito racial, importância dos negros e convicções de fé de cada um.

Ao final do evento da noite desta quarta-feira, houve sorteio de brindes para o público e um parabéns cantado por todos pelo aniversariante da véspera: Alex de Souza.

Seminário SRZD-Carnaval. Foto: SRZD - Luana Freitas

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Comentários
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    04/10/2014 15:38:04papiza do sambaMembro SRZD desde 28/01/2010

    Ah fala sério, Guiné é de um governo tirano ditatorial, só pelo dinheiro este desfile está ocorrendo, e é essa propria cegueira pelo dinheiro que fez a beija flor ser desbancada esse ano caindo em si só na hora do desfile a mer... de decisões erradas tomadas ao longo do ano. O proprio carnavalesco confessou agora que estava cego pelo erro do enredo. Ã? meu filho, olho grande cega e tenho fé que cegará de novo esse mestres negros da bruxaria que acompanham o senhor laíla que já METEU OS PÃ?S PELAS MÃ?O MÃ?O COM ESSE ENREDO DA GUINÃ? SEM FÃ?,e acredito nos seres de luz das outras escolas que são vitoriosas espiritualmente para extinguir esta raça niloplitana que vive no limo Lailense.Tenho fé no meu crucifixo de aljofre e espelhinhos do samba.

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    04/10/2014 12:42:55Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    Meio comunitário de excelência em Artes, Cultura e Dignidade, o mundo do samba não é apartado da sociedade e dela repete valores, bons e ou ruins. Destes, um é a alienação sobre o correto marketing do meio como o maior espetáculo da Terra. O qual permanece do interesse público, mas mercantilizado e globalizado, um show-business com milionários interesses & lucros. Seminários conforme este deve mesmo propor mudanças. Ocorre ao propô-las é preciso consciência se são do interesse da LIESA. Sou favorável à proposta de buscar-se o aperfeiçoamento do aquecimento das baterias junto aos componentes das agremiações na concentração antes de adentrar a Passarela da Sapucaí. Mas alerto o maior espetáculo da Terra sendo um show-business, o interesse central da LIESA é no desfile enquanto lucrativíssimo espetáculo. Não, no bem estar social & felicidade comunitária do público. Este propósito pertence ao estado por não ter como razão de ser o lucro. Haja vista, sua gestão inclusa toda comercialização é mercantil e monopolizada. Isto é, da venda de ingressos à transmissão televisiva. Transparência contábil na LIESA não existe. O balanço não é publicado na imprensa. Em meados de 2015 ocorrerá eleição no órgão onde há o anacrônico, estapafúrdio e vitalício Conselho `Superior´ (CS) integrado por três ex-presidentes. Para o Carnaval 2015 o presidente do órgão quer mudar o quadro de julgadores (QJ) por causa de discrepâncias das notas no Carnaval 2014. Como o presidente e a maioria da diretoria executiva da LIESA estão nos cargos a quatro mandatos consecutivos sempre através de chapa única. Não há dúvida, qualquer mudança passa pela extinção do CS e pela reestruturação do QJ assim como de um novo ou uma nova presidente e diretoria da LIESA. Saudações carnavalescas, Almir de Macaé.

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    03/10/2014 22:21:40Cremilde Augusto Buarque AraujoMembro SRZD desde 03/10/2014

    Realmente, uma vez no ano é muito pouco mas acredito que isso deve mudar pois nós que gostamos desse tema estamos sempre ávidos por informação de qualidade e Seminários com o nível do realizado por vocês são poucos. Parabéns a todos os organizadores e patrocinadores que apoiaram esse evento. Foi pena mas não consegui autografar o meu livro. Fica para o próximo encontro.Vocês poderiam fornecer o contato da Super Via? Atc. Cremilde

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    03/10/2014 16:52:55Jeanine GallMembro SRZD desde 05/12/2012

    O Seminário SRZD Carnaval não pode mais se restringir a uma única edição anual. Como apaixonada por Carnaval e tudo que lhe diz respeito, vejo neste evento a chance, talvez a única, onde os sambistas conseguem dar voz ao que sabem, ao que está indo bem e o que precisa ser modificado com urgência, para que a arte e a excelência do maior espetáculo da Terra sejam amplificados, sem que se perca de vista a sua raiz principal: o próprio sambista, o chão da Escola e os seus baluartes. O povo que gosta de Carnaval de verdade não quer ver apenas luxo, beleza e aparatos mirabolantes, ele quer ver a sua gente ali, a sua cara, a sua maneira de sambar que nenhuma academia de dança vai ser capaz de reproduzir, como foi dito na primeira noite de debates. Este evento é de uma importância tal para a cultura do RJ que precisa ser repetido mais vezes, o volume de pessoas só aumenta a cada ano. Os assuntos abordados são conduzidos com maestria por dois experts incontestáveis: Helio Ricardo Rainho e Rachel Valença, só por este fato, já vale como aula. Parabéns a todos os envolvidos, tudo estava lindo, bem humorado e leve, como o próprio Carnaval deve ser. Quando será o próximo?? Sou Jeanine Gall, fotógrafa e assessora da Velha Guarda Show do Império Serrano.

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    02/10/2014 13:30:50capoeira=Aluísio MachadoMembro SRZD desde 21/09/2011

    Oque devemos estudar e muito,, é a falta do aquecimento da escola para entrar na avenida == A concentração é muito fria sem um som se quer ,, e ainda afirmam que podemos perder pontos de concentração ,, pois o som pode interferir na escola que está desfilando === As pessoas ficam paradas ,, agrupadas ,, e caminham frios para a curva da avenida com a tristeza de um abate e só vão escutar a bateria no primeiro box === E ainda pior para alas posteriores,, que só vão ter contato e rápido com ela no segundo .... Hoje a bateria é a primeira a entrar na avenida sozinha == faz o seu show ,, entra no primeiro box e PARA == Todas Todas Todas fazem a mesmíssima coisa == Eu daria ponto para uma harmonia que pelo menos tentasse enovar qualquer coisa neste sentido ..

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