SRZD



Maria Apparecida

Maria Apparecida

CARNAVAL. Historiadora, escritora e decoradora, é considerada uma das mais respeitadas autoridades do Carnaval de São Paulo. Há 35 anos começou a se interessar pelo samba, em que desenvolveu vários projetos. Entrou para a história ao se tornar a primeira carnavalesca da folia paulistana.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



02/10/2014 00h04

A importância do estandarte
Maria Apparecida Urbano

O estandarte, há muitos séculos, era usado na frente das tropas militares que saíam para a guerra. Ia sempre à frente; era o destaque que abria caminhos.

Quando saíam vitoriosas, fincavam sua bandeira no território inimigo em sinal de vitória.

Ele é muito usado no Brasil nas comunidades religiosas em procissão, sendo desenhadas ou bordadas imagens de santos. Também é usado pelos militares, principalmente da cavalaria.

No início do século XX, o estandarte era a figura principal nos cordões carnavalescos, pela maneira como era apresentado, representando de uma forma simbólica a entidade a que ele pertencia.

Assistindo recentemente a um desfile de uma escola de samba de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, reparei que, logo após a comissão de frente, vinha a porta estandarte, o que me chamou a atenção, é que durante o desfile, estavam o mestre-sala e a porta-bandeira.

Porta estandarte no Carnaval de Porto Alegre. Foto: Divulgação

A explicação que me deram foi a seguinte: o Rio Grande do Sul foi palco de muitas guerras e era normal, quando as tropas saíam para lutar, levarem o estandarte na frente, mostrando que o gaúcho não fugia da luta. E quando a guerra era vencida, era hasteada a bandeira.

Essa tradição foi mantida pelas escolas de samba, que se apresentam com muito orgulho, levando o seu estandarte no início do desfile, de uma forma simbólica, partindo para a luta de uma boa colocação.

Essa tradição de luta das escolas de samba deveria se manter sempre, pois tudo começou com o estandarte, que hoje é representado pela velha guarda. Talvez poucos se dão conta de que a velha guarda não tem pavilhão, mas sim estandarte.

Porta-bandeira. Foto: Arte

Falta passar esta parte da história aos jovens: o que representa o estandarte, e lembrar sempre que ele é a memória da luta que os nossos antigos sambistas enfrentaram com a perseguição da sociedade e da polícia.

Infelizmente hoje já perdemos muito dos nossos rituais e dos nossos símbolos, pois esses fatos são as raízes da nossa história. Não adianta sair na avenida muito bem vestido, batendo no peito, dizendo que traz a escola no coração e não saber os fundamentos básicos da história que norteia toda essa apresentação na avenida.

Costumamos dizer que estamos sempre aprendendo. Essa ida à Porto Alegre para dar uma palestra sobre enredo, me despertou a importância da história dos Estandartes.

Acabei aprendendo o que o estandarte representa para a comunidade, não só para as escolas de samba, como também para todos os gaúchos. Ao mesmo tempo pude ter consciência de como está afastada dos sambistas paulistas a importância do estandarte, que na realidade, deveria ser até mais reverenciado do que o próprio pavilhão, pois ele foi o começo da apresentação do samba paulista.

Pois é, vivendo e aprendendo...

Já curtiu a página do SRZD-Carnaval no Facebook?


Comentários
  • Avatar
    02/10/2014 07:59:56danAnônimo

    Gostei muito da matéria, embora eu soubesse um pouco sobre esse assunto, mas explicações diversas nos fazem repensar realmente conhecer melhor as coisas. Eu particularmente acho lindo o estandarte, tanto quanto o pavilhão.Eu não sou contra o progresso, mas a tradição deveria caminhar junto também. Infelizmente muito desse passado eu só escuto nessas matérias e conversando com os mais velhos de minha família. Saudações Imperianas!

Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.