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06/12/2008 11h10

CD: "La Plata" (Jota Quest) - De volta ao planeta do Jota Quest
Luiz Felipe Carneiro

CD:

Quando Mario Caldato Jr. e Kassin foram anunciados para produzir o novo álbum do Jota Quest, muita gente coçou a cabeça. Será que o trabalho dos "modernosos" produtores casaria com a estética extremamente popularesca da música do Jota Quest? A resposta vai ficar para uma próxima oportunidade. Alegando problemas de agenda, os dois produtores pularam fora do barco. E o bom e velho Liminha veio socorrer os garotos mineiros.

Mesmo sem ouvir o que seria um álbum do Jota Quest produzido por Caldato e Kassin, o fã deve dar graças a Deus que aconteceram os tais "problemas de agenda". Isso porque, Liminha, de fato, mandou muito bem, e conseguiu resgatar a sonoridade que o Jota Quest tão bem apresentou em seus dois primeiros trabalhos, "J Quest" (1996) e "De Volta Ao Planeta dos Macacos" (1998).

Após os dois primeiros álbuns, apesar da popularidade crescente, os discos do Jota Quest caíram de nível assustadoramente. "Oxigênio" (2000), "Discotecagem Pop Variada" (2002) e "Até Onde Vai" (2005) estavam bem aquém do que a banda mineira podia apresentar. Em "La Plata", o Jota Quest volta a atacar com uma sonoridade rock-soul-funk-disco irresistível.

E isso fica claro em faixas como "Tudo Me Faz Lembrar", uma das melhores do álbum, "Ladeira" (que conta com um tecladinho esperto), "Paralelepípedo" e a faixa-título, que com a sua ingênua letra, o refrão pegajoso ("Quanto vale o show? / Quanto vale o amor? / Quanto vale então / Fazer das tripas coração?") e a ótima levada de baixo, pode ser transformada em um dos grandes hits do Jota Quest.

Canções de cunho mais pop também fazem parte de "La Plata". A eletrônica "Seis e Trinta" (que tem um quê de "Balada do Amor Inabalável", dos seus conterrâneos do Skank) já pode ser considerada uma das grandes faixas pop compostas nesse ano no Brasil. Tudo bem que deve ser dado um desconto à fraca letra ("A gente só quer ser feliz / Um mundo mais equilibrado / A gente esquece que o amor / É tudo e não nos cobra nada"), mas a levada da canção não deixa de ser irresistível por causa disso. Já a pulsante "So Special", com a sua pequena letra em inglês, é daquele tipo de música perfeita para se iniciar um show.

Em "O Grito", com a sua sonoridade muito U2 demais, o Jota Quest perde um pouco o pique. Mas a faixa seguinte, "Hot To Go", com participação especial do cantor Ashley Slater, bom o trem bão de volta ao trilho, apesar do riff inicial de guitarra chupado de "Smoke On The Water", da banda Deep Purple.

"Vem Andar Comigo" e "Énico Olhar" fazem as vezes de "O Vento" ou "Fácil", em "La Plata". Hits certeiros, não chegam a ser canções ruins, mas são dispensáveis ao disco. O sucesso de pelo menos uma delas, entretanto, é líquido e certo.

Já "Laptop", faixa-bônus (?!?), chega a ser constrangedora. Além de, musicalmente, ser muito enjoada, a canção conta com uma das piores letras dos últimos tempos: "Eu e você e meu laptop numa casa de vidro / Domingo de manhã / Eu e você e meu laptop e uma taça de vinho / ... / Pra gente escrever e ser e se amar e não ter fim / E rabiscar / Com canetas hidrocor em suas costas / Segredos que você não me contou...". Se existisse uma edição do CD sem a tal faixa-bônus, seria bem melhor...

Apesar de alguns escorregões, fato é que em "La Plata", o Jota Quest reencontrou o seu caminho perdido. E isso é muita coisa. Obrigado, Liminha!

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Abaixo, o videoclipe da faixa-título do álbum.

Cotação: ****


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