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Rachel Valença

Rachel Valença

CARNAVAL. Carioca, historiadora, filóloga e jornalista. Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Coautora do livro "Serra, Serrinha, Serrano: o império do samba". Pesquisadora do projeto de elaboração do dossiê "Matrizes do samba no Rio de Janeiro", para registro do samba carioca como patrimônio cultural do Brasil. No Império Serrano há 40 anos, foi ritmista e vice-presidente da escola.

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01/12/2014 08h30

Dez, nota dez
Rachel Valença

Acabado o Carnaval de 2014, proclamada campeã a Unidos da Tijuca, que apresentou um desfile que a habilitava ao título, parecia não haver motivo para o clamor que se levantou com relação aos critérios de julgamento. Mas aqui neste espaço e em todos os outros meios dedicados ao debate sobre Carnaval, foram apontados equívocos e absurdos, principalmente por causa das notas atribuídas à Vila Isabel, muito acima do que mereceria, e à Império da Tijuca, bem abaixo daquela a que faria jus. Queríamos todos (e eu escrevi algumas colunas sobre isso) mudança.

Agora a LIESA anuncia mudança. Oba, fomos finalmente ouvidos? Para meu espanto, a maioria dos comentaristas e aficcionados do Carnaval está contra. Mais uma vez, aqui se aplica a citação: "Temo os gregos, mesmo quando trazem presentes". Parece que entre nós todos a LIESA está tão desacreditada que não achamos possível que ela tenha simplesmente se apressado em atender ao nosso clamor: preferimos acreditar que há alguma coisa por trás disso.

E que coisa seria essa? Segundo leio e ouço por aí, desconfia-se que a poderosa Beija-Flor, inconformada com sua colocação, tenha pressionado por mudanças. De fato, há anos a comunidade do samba reclama mudança e não é atendida. Já a Beija-Flor, se nunca antes teve razão para reclamar, este ano vociferou e logo se fez ouvir. Mas, apesar de ser isto um fato incontestável, estou animada com a mudança, porque afinal nós a pedimos. E se fomos atendidos, tudo bem. Não precisamos especular por que. Ou por quem...

Incomodava-me ver jurados que há mais de vinte anos participavam do júri, sempre dando dez às mesmas escolas. Não parece estranho que o desempenho de uma escola seja tão estável? Acho que toda mudança, por si só, já é saudável. O fundamental é saber a natureza desta mudança. O presente dos gregos aos troianos bem sabemos como acabou. Por isso, todo o cuidado é pouco na hora de analisar quem está chegando ao júri. Os presidentes de escolas têm poder de veto e é importante que pesquisem a analisem bem de onde vêm as pessoas indicadas. Afinal, se o desempenho delas é que nos mostrará quem tinha razão, quando isso ficar claro já será tarde demais para chorar o leite derramado.


Comentários
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    01/12/2014 20:38:22Leandro LacerdaMembro SRZD desde 03/09/2014

    Ã? preciso ter muito cuidado dona Raquel para não jogar a responsabilidade das mudanças para a beija flor, essa história de beija flor pra cá e beija flor pra lá já está ficando chato, a beija flor e uma escola que precisa ser sempre respeitada por tudo o que ela já fez para o engrandecimento do carnaval carioca, sobre a reclamação dos jurados, já faz algum tempo que o Laila reclama com a razão, pois a beija flor vem sendo julgada com critérios diferentes de outras escolas e esse ano eles passaram do limite com as notas atribuídas a vila Isabel e a imperio da tijuca e outro detalhe, a unidos da tijuca estava irreconhecível, foi um desfile horroroso e escolas como Salgueiro, portela, grande rio foram superiores a ela.

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    01/12/2014 12:08:46DANIELMembro SRZD desde 21/07/2009

    Que os jurados fizeram uma tremenda "cacada" em 2014, disso ninguém no Brasil e até os que não sabem de nada de desfile e de quesitos, viram e ficaram grilados. Agora, contestar resultado diante um contexto que satisfaça interesses, antes mesmo do desfile das escolas, é no mínimo, tendencioso e até exclusivo. Contestar notas antes delas existirem e induzir jurados através da opinião e prévias, é tão injusto quanto vencer um carnaval sem merecimento. Há aqui, uma tendência, uma convicção a ponto de pensarem que podem influenciar nos resultados do carnaval, que não cabe!_ Querem acertar qualquer custo, para posteriormente dizerem que ditam o padrão de desfile das escolas. Lamentável!

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