SRZD


14/01/2015 22h05

Contagem Regressiva: gigantismo, efeitos de Parintins e emoção são promessas da Viradouro
Redação*

Dando continuidade à série de visitas aos barracões das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, o SRZD-Carnaval foi à Cidade do Samba buscar informações da Viradouro, agremiação de Niterói que terá, esse ano, a missão de continuar na elite do Carnaval Carioca.

A vermelha e branca, que em 2014 foi campeã da Série A com uma homenagem a sua cidade de origem, prepara, para o próximo desfile, mais uma homenagem, dessa vez, aos negros, sob o tema "Nas Veias do Brasil, é a Viradouro em um Dia de Graça", desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo.

A sinopse do enredo foi escrita por Milton Cunha e, apesar de afro, tem uma proposta diferente: baseada em duas músicas do compositor Luiz Carlos da Vila, mostrará a trajetória dos negros no Brasil e exaltará a cultura desse povo. A agremiação promete uma grande festa na Avenida. Choro? Só se for de emoção.

Detalhe do navio negreiro da Viradouro. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

A Viradouro desfilará no domingo (15) de Carnaval com 3.500 componentes, 30 alas, seis alegorias e dois tripés. O abre-alas, como de costume, terá acoplamento e medirá pelo menos 50 metros de comprimento: representará uma grande savana africana, mas bem diferente das que foram vistas até hoje na Passarela do Samba. As duas cores dessa alegoria são o diferencial, além dos efeitos de iluminação e das fontes de água que jorrarão no topo.

Em conversa com o SRZD-Carnaval, o carnavalesco João Vitor fez questão de deixar bem claro à torcida da escola de Niterói que as atividades no barracão estão a todo vapor e que tudo está dentro do cronograma planejado.

"A Viradouro não está adiantada nem atrasada. A Viradouro está fazendo o trabalho dentro do cronograma esperado. Eu, o tempo todo, invento coisas novas e vou inserindo em nossas atividades. Tenho uma equipe maravilhosa que já trabalha comigo há muitos anos. Eles já estão acostumados e estão cientes de tudo que devem fazer. Dois dias antes do desfile, a Viradouro estará com o Carnaval dela pronto!", exclamou.

João Vitor, carnavalesco. Carro da favela vai homenagear escolas que vieram do morro. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

Pelo menos 100 pessoas trabalham no barracão, que possui apenas uma alegoria inacabada: a última, que trará uma grande homenagem a Luiz Carlos da Vila e que promete causar impacto devido aos efeitos especiais e a uma projeção do próprio homenageado. As demais alegorias estão em fase final. Todas as seis terão iluminação especial e movimentos articulados. Os efeitos das esculturas estão sendo criados por artistas de Parintins, já conhecidos pelo público da Marquês de Sapucaí.

Funcionários trabalham a todo vapor para concluir Carnaval da Viradouro. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

Vale ressaltar que a Viradouro ao subir para o Grupo Especial, em 1991, permaneceu na elite do samba por 20 anos, sem cair. Tem em seu leque de carnavalescos nomes como Max Lopes, Joãosinho Trinta e Paulo Barros. Inovou com a "paradinha funk" em 1997, quando foi campeã, e arrepiou o público quando levou à Avenida uma bateria em cima de uma alegoria. Para João, a história da Viradouro demanda grande responsabilidade, mas o carnavalesco prometeu, mais uma vez, "tirar de letra".

"Um Carnaval grande como esse da Viradouro requer paciência. Teremos muitas riquezas de detalhes. As alegorias serão bastante imponentes. Vamos levar carros grandes e altos para a Avenida. É questão de tempo para acabarmos com os boatos que surgiram sobre a Viradouro", destacou o artista ao SRZD-Carnaval, se referindo à onda de especulações que circulou em redes sociais acerca da situação financeira da escola.

Navio negreiro não lembrará momentos tristes. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

Confira uma breve explicação de cada alegoria, segundo palavras de João Vitor Araújo:

1ª alegoria/Abre-alas acoplado: "Vai representar o paraíso africano."

2ª alegoria: "É um navio negreiro bastante diferente. Não haverá dor nem sofrimento. Vai surpreender."

3ª alegoria: "Carro do Baobá, a árvore sagrada dos africanos, um dos que chamará mais atenção do público."

4ª alegoria: "Carro da mãe-preta amamentando uma criança branca."

5ª alegoria: "Representará as origens do samba e homenageará todas as escolas que tiveram um morro como origem."

6ª alegoria: "É preciso atitude para assumir a negritude. Será uma grande homenagem à negritude e a Luiz Carlos da Vila."

*Por Rodrigo Trindade, colaborador do SRZD.

Da série Contagem Regressiva:

Grupo Especial:

-Atual campeã: Tijuca quer conquistar o público de novo

-Ilha quer surpreender o público com luxo e alegorias imponentes

-São Clemente prepara 'enredo da vida' de Rosa Magalhães

-Abre-alas gigante da Mangueira ofertará flores às mulheres

-'A Vila Isabel é muito aguardada', diz diretor de Carnaval

-Portela promete 'fechar barracão' até 31 de janeiro

-Imperatriz segue com barracão a todo vapor, mas encontra dificuldade com fornecedores

-'Não estamos atrasados nem adiantados', diz Laíla da Beija-Flor

Série A:

-Unidos de Padre Miguel quer repetir sucesso das alegorias de 2014

-Em Cima da Hora dribla falta de dinheiro com simplicidade e capricho no acabamento

-Mesmo com problemas financeiros, Curicica aposta em um grande desfile

-'O público pode esperar uma Estácio de Sá forte', diz Tarcisio Zanon

-Na Inocentes, mesmo sem patrocínio, atividades estão adiantadas

-Mesmo sem patrocínio, Santa Cruz segue com barracão adiantado

-Caprichosos de Pilares corre contra o tempo para finalizar abre-alas

-Alegria da Zona Sul dribla falta de dinheiro com material alternativo

-'Cubango quer voltar a disputar título', disse Jaime Cezário

-Uma Império Serrano de fé e emoção

Veja mais:

-Saiba tudo sobre os ensaios na Marquês de Sapucaí

-Leia as últimas notícias do Carnaval 2015

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Comentários
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    15/01/2015 17:57:06Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    A Viradouro abrirá na noite do dia 15/02/2015 os desfiles oficiais carnavalescos do Grupo Especial (GE) objetivando nele permanecer. Não dá para a agremiação ter outra meta que não a de evitar novo rebaixamento fugindo da pecha de agremiação-ioiô ou sobe-e-desce, a despeito de ter conquistado o título de campeã em 1997, seis anos depois de sua estreia no GE. Fundada em 24/06/1946, a Viradouro tem como símbolo oficial uma coroa adornando aperto/cumprimento de mãos entre uma pessoa preta/negra/afrodescendente e outra branca. Possível ou provavelmente isso tenha servido como fonte de inspiração para o presidente da agremiação o sambista, cavaquinhista, cantor, compositor-bamba & médico Gusttavo Clarão que é branco fazer a adaptação de duas obras-primas musicais (Nas Veias do Brasil e Um Dia de Graça) do saudoso sambista e compositor-poeta Luiz Carlos da Vila que era negro ao intitular o enredo como â??Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graçaâ? a ser desenvolvido pelo jovem & promissor carnavalesco João Vitor Araújo. A sinopse desse enredo foi redigida pelo carnavalesco & multimídia Milton Cunha. Em relação às expectativas sobre o que a Viradouro apresentará acerca desse enredo em seu desfile na Sapucaí, embora o tema seja afro, não é filosoficamente correto referir-se ao viés artístico-cultural e ao fio condutor de homenagens como de exaltação à não comprovada cientificamente existência de â??raçasâ? humanas representadas pela expressão negritude. Ou seja, exaltação aos negros/pretos/afrodescendentes como â??raçaâ? humana o racialismo. Afinal, a sinopse, as letras das duas obras musicais que dão título ao enredo consequentemente o samba-enredo assim como o símbolo da Viradouro têm o mesmo significado: Congraçamento/união/igualdade entre negros, brancos e indígenas os quais antropologicamente constituem/formam o povo brasileiro. Saudações carnavalescas, Almir de Macaé.

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    15/01/2015 17:57:05Almir da Silva LimaMembro SRZD desde 11/10/2011

    A Viradouro abrirá na noite do dia 15/02/2015 os desfiles oficiais carnavalescos do Grupo Especial (GE) objetivando nele permanecer. Não dá para a agremiação ter outra meta que não a de evitar novo rebaixamento fugindo da pecha de agremiação-ioiô ou sobe-e-desce, a despeito de ter conquistado o título de campeã em 1997, seis anos depois de sua estreia no GE. Fundada em 24/06/1946, a Viradouro tem como símbolo oficial uma coroa adornando aperto/cumprimento de mãos entre uma pessoa preta/negra/afrodescendente e outra branca. Possível ou provavelmente isso tenha servido como fonte de inspiração para o presidente da agremiação o sambista, cavaquinhista, cantor, compositor-bamba & médico Gusttavo Clarão que é branco fazer a adaptação de duas obras-primas musicais (Nas Veias do Brasil e Um Dia de Graça) do saudoso sambista e compositor-poeta Luiz Carlos da Vila que era negro ao intitular o enredo como â??Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graçaâ? a ser desenvolvido pelo jovem & promissor carnavalesco João Vitor Araújo. A sinopse desse enredo foi redigida pelo carnavalesco & multimídia Milton Cunha. Em relação às expectativas sobre o que a Viradouro apresentará acerca desse enredo em seu desfile na Sapucaí, embora o tema seja afro, não é filosoficamente correto referir-se ao viés artístico-cultural e ao fio condutor de homenagens como de exaltação à não comprovada cientificamente existência de â??raçasâ? humanas representadas pela expressão negritude. Ou seja, exaltação aos negros/pretos/afrodescendentes como â??raçaâ? humana o racialismo. Afinal, a sinopse, as letras das duas obras musicais que dão título ao enredo consequentemente o samba-enredo assim como o símbolo da Viradouro têm o mesmo significado: Congraçamento/união/igualdade entre negros, brancos e indígenas os quais antropologicamente constituem/formam o povo brasileiro. Saudações carnavalescas, Almir de Macaé.

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