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Aurora Seles

Aurora Seles

CARNAVAL. Jornalista, com especializações no Instituto de Psicologia da USP e em Marketing e Comunicação Publicitária pela Faculdade Cásper Líbero. Bacharelanda em Direito. Professora e profissional de comunicação. Foi assessora de imprensa da Tom Maior, Rosas de Ouro e Vai-Vai. Coautora do livro SOFIA Belas Artes - Encontro de Saberes: Artes, Arquitetura, Saúde, Ciências Sociais e Humanas, lançado em dezembro/2015.

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15/01/2015 13h45

Comunicação: crise para o contexto da escola de samba
Aurora Seles

Trabalhar no segmento da comunicação é, sem dúvida, uma das áreas mais atraentes. Não há rotina e em várias ocasiões é preciso mudar as estratégias em cima do "deadline".

Nos últimos meses participei de nove projetos institucionais e seis foram implantados. Quanto aos trabalhos pendentes, o motivo é exatamente o tema desse conteúdo: gestão de crises. Uma tensão corporativa pode durar três dias, três semanas ou três meses.

Comunicação: crise para o contexto da escola de samba. Foto: Reprodução

Felizmente já estamos na fase de reorganização. Antes de atuar no Carnaval, frequentava, ao lado de vários amigos, ensaios das escolas de samba. No dia de retirarmos as fantasias notamos o presidente com três aparelhos celulares em suas mãos.

Desligava uma chamada e atendia outra, sem cessar. Posteriormente ele comentou com o nosso grupo o motivo de tantos telefonemas. Um funcionário havia caído de uma alegoria e estava muito machucado. A imprensa queria saber detalhes, mas o dirigente aguardava informações do hospital.

Um de meus amigos comentou: você precisa de uma assessora de imprensa. Trocamos cartões. No ano seguinte estava na quadra, mas desta vez não era foliã.

Desde então são inúmeras situações presenciadas e administradas nesse setor. Um dos cases marcantes foi receber uma nota do departamento que controla o uso de imóveis e atua na prevenção e fiscalização de instalações e sistemas de segurança de edificações, em São Paulo.

Na mesma semana uma boate, em Santa Maria-RS, vitimou quase duzentas e cinquenta pessoas e vários estabelecimentos foram monitorados. A escola em que assessorava recebeu uma equipe de fiscais que solicitou a apresentação, em 24 horas, de toda a documentação que atestava a segurança da quadra. Isso tudo ocorreu uma semana antes de a escola desfilar no sambódromo.

A situação era delicada e os dirigentes ficaram com os humores alterados. Felizmente pela confiança adquirida tive, a incumbência de gerenciar o momento com a imprensa e os órgãos responsáveis.

Comunicação: crise para o contexto da escola de samba. Foto: Reprodução

Advogados, engenheiros, técnicos, comunidade e todos os afins. Fazer o media training para que a principal dirigente falasse com os jornalistas foi um momento especial. Choro, revolta, punhos cerrados e insegurança. Tudo fazia parte do cenário. Cerca de meia hora depois convocamos a imprensa e a fala - emocionada - transmitiu credibilidade e confiança ao principal parceiro da agremiação: seu público!

Nota emitida aos órgãos de comunicação, aos canais da escola e aos patrocinadores. A escola teve ainda dois ensaios na quadra e recebeu uma excelente classificação no desfile oficial. A garra dos componentes fidelizou ainda mais a história daquela entidade. Após a crise, vários pontos foram reavaliados e claro, o ensinamento do mestre dos magos contribuiu para minimizar o problema: "a verdade os libertará".

Muitas vezes os grandes desastres e escândalos nascem de pequenos deslizes, portanto, a melhor maneira de lidar com uma crise é por meio da prevenção. Estudar e apurar os possíveis pontos críticos de uma empresa; observar a postura dos porta-vozes - excepcionalmente aqueles que têm medo -, até porque, esse é um sentimento que normalmente paralisa os envolvidos e não se eximir da culpa são providências essenciais ao gerenciamento do fato.

O desempenho manterá a credibilidade da empresa, afinal, comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende.

O clichê "fazer do limão uma limonada" reitera: uma crise pode ser sinônimo de uma grande oportunidade.

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Comentários
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    22/01/2015 09:54:03Willy OliveiraAnônimo

    A autora traz a discussão de todo o tema: Crise. Como case principal um momento de crise no carnaval ao qual vivenciou. Aprofundo-me ao assunto, pois é de grande interesse ao público, assim espero! Hoje o país - a empresa chamada Brasil - passa por uma grande crise, que a meu ver é crônica, mas que pode ser revertido. Alguns exemplos: petrolão, mensalões, escândalos de corrupção, crise hídrica, chuvas que chegam desenfreadas fazendo estragos por onde passam, deixando as cidades num grande caos, além de não cair aonde deveriam, a crise elétrica, o aumento nas taxas de impostos pago pela população, poderia enumerar muito mais do que há de crise/errado, pelos menos na minha ótica. Mas diante disso, como será que podemos resolver estas crises? Ou melhor! Será que temos consciência que estamos num momento de crise? Seria esta uma crise política? Ou natural? Com quem deveríamos fazer um trabalho de gestão de crise, de media training, ou até mesmo de comunicação interna, uma vez que os discursos se contradizem e ninguém sabe, ninguém viu nada! Será que os administradores públicos antes e depois de assumirem seus cargos não precisariam desta assessoria? Ou vamos gerenciar as contas de Deus e de São Pedro, que são â??culpadosâ? pela incompetência humana; que não mandam a chuva e quando ela vem molha lugares incertos! Ã? inquietante, como profissional de comunicação, ter de ser o portador de más notícias. Isso quando se pode falar/escrever/desenhar. Humm... Fugi do assunto propositalmente para chegar ao macro. A ideia é gerar uma discussão de como nós - profissionais de comunicação - por meio de uma comunicação integrada a outras áreas administrativa/financeira poderíamos gerenciar esta crise a qual o país vive. Estou sendo pretencioso? Otimista? Louco? Sei lá, talvez! Ou então partimos para uma esfera espiritual, aceitamos que a palavra de Deus está sendo cumprida e é a chegada do apocalipse? Antes de encerrar

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