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22/01/2015 17h20

Intérprete Lico Monteiro: 'recebi um convite, mas ainda não é oficial'
Redação*

Ele começou a mostrar sua voz aos 17 anos, quando passou a cantar em um bloco da Zona Norte do Rio. A experiência foi tão positiva que despertou nele a vontade de defender escolas de samba. Foi quando surgiu a primeira oportunidade, na agremiação mirim da Caprichosos de Pilares e, logo depois, na escola-mãe, quando teve experiência com o então intérprete oficial, o saudoso Jackson Martins, morto em 2004 numa tentativa de assalto na Baixada Fluminense.

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Passou por várias escolas, entre elas, Acadêmicos da Abolição, Vizinha Faladeira, Arranco, Unidos da Ponte, Unidos de Vila Isabel, como cantor de apoio e, recentemente, defendeu a Unidos de Bangu e ganhou em 2014, junto com a escola da Zona Oeste, o título de campeã da Série B.

A personalidade entrevistada pelo SRZD-Carnaval é o cantor Maurício Monteiro, mais conhecido como Lico Monteiro, que contou sobre sua vida profissional, momentos mais marcantes de suas passagens pelas escolas e desabafou: "Quase fiquei fora do Carnaval em 2014". Confira a entrevista:

Lico Monteiro. Foto: Diego Mendes

SRZD-Carnaval: Como despertou em você a vontade de ser cantor de escola de samba?

Lico: Comecei a cantar com 17 anos, num bloco em Pilares, chamado Pagodão do Beco, que é um bloco de embalo e existe até hoje. Em seguida, veio minha vontade de ser cantor de escolas de samba. Fui observado por algumas pessoas da Caprichosos de Pilares. Eles perceberam que eu tinha um bom perfil de cantor e me deram uma oportunidade na escola mirim, por onde cantei por três anos. Fui ganhando experiência, até que me chamaram para ser cantor de apoio da escola-mãe, onde fiquei por seis anos. Minha inspiração foi no Jackson Martins.

SRZD-Carnaval: Ao sair da Caprichosos, por quais escolas você passou?

Lico: Defendi, também, o Arranco por dois anos, em 2005 e 2006. Mas minha primeira oportunidade como cantor oficial surgiu na Acadêmicos da Abolição em 2007. Fiquei lá por dois anos: 2007 e 2008. Também em 2007 cantei como apoio na São Clemente. Em 2010, fui para a Vizinha Faladeira, também como cantor oficial. Em 2011 e 2012, defendi a Tradição. Em 2013, retornei para a Caprichosos de Pilares, dessa vez, como primeira voz naquele belo desfile sobre o fanatismo. Em 2014, tive pequena passagem pela Unidos da Ponte, mas não cheguei a participar do desfile oficial. Fui ser a primeira voz da Unidos de Bangu juntamente com o
Nino do Milênio, quando a escola foi campeã e subiu para a Série A.

SRZD-Carnaval: Você comentou que nesse mesmo período também cantou na Vila Isabel. Como cantor de apoio, certo?

Lico: Isso. Vim, a convite do Tinga, na época, no carro de som da Unidos de Vila Isabel como cantor de apoio de 2007 a 2012.

SRZD-Carnaval: E sua passagem pela Caprichosos de Pilares, que é sua escola de coração. Por que não permaneceu na agremiação?

Lico: Minha saída da Caprichosos foi opção da própria escola. A direção na época optou por colocar apenas um cantor, pois éramos três: Celino Dias, Sandro Mota e eu. Foi decisão dos dirigentes. Saí em paz, muito bem com a escola.

SRZD-Carnaval: Você contou que em 2014 não chegou a desfilar pela Unidos da Ponte. Por quê?

Lico: A Unidos da Ponte é uma escola especial. O Berger, o então presidente, que é uma pessoa super bacana, apostou em meu trabalho e me convidou para defender a escola como voz oficial, mas aconteceram alguns contratempos e eu resolvi sair. O tempo passou e isso é assunto encerrado. Não tenho nenhum ressentimento. Pelo contrário, gosto dele e eu compreendi o problema ocorrido naquela época. Quero passar a borracha nisso tudo e levantar uma bandeira de paz.

SRZD-Carnaval: A Unidos de Bangu venceu o Carnaval. Aconteceu algum imprevisto para você não permanecer na equipe?

Lico: Houveram algumas mudanças na escola. Eu saí por conta própria. Fui feliz, mais muito feliz ali, mas o destino resolveu que deveria trilhar um novo caminho. Ainda em meados de 2014, tentei algumas oportunidades. Cheguei até a ser convidado e participei de eventos de algumas escolas, mas nada foi do jeito que eu imaginava. Não saiu conforme o planejado. Daí, resolvi ficar quieto esperando uma oportunidade até aparecer algo que fosse de acordo com o meu perfil. Sabe quando você percebe que ainda não é aquele o seu momento? É mais ou menos isso que aconteceu comigo.

SRZD-Carnaval: Atualmente, você está sem escola. Recebeu algum convite?

Lico: Então, em 2014, fiquei bastante desmotivado. Talvez você me pergunte por quais motivos. Acontece é que há muita gente talentosa no mercado, mas com poucas oportunidades. O mesmo aconteceu comigo. Para este ano de 2015, oficialmente, ainda estou sem escola, porém, já recebi um convite para cantar numa escola da Série B, que desfila na Intendente Magalhães. Ainda não posso divulgar, pois estou aguardando a decisão final dos dirigentes.

SRZD-Carnaval: Como está sua vida profissional? Exerce alguma outra atividade fora do mundo do samba?

Lico: Eu sou um amante do Carnaval. Estou no Carnaval porque sou apaixonado pelo samba. Eu não vivo do Carnaval. Vivo pelo Carnaval. Dinheiro é apenas uma consequência do trabalho. Por isso, tenho minha vida profissional, também, fora do mundo do samba. Trabalho numa empresa de tecnologia da informação. Mas sempre consegui conciliar o samba com outras atividades.

SRZD-Carnaval: Para terminar nossa entrevista, você seria capaz de dizer, entre sua trajetória, em qual escola você foi mais feliz?

Lico: Claro! Por todas as escolas que eu passei, vivi momentos diferentes de felicidade. O que mais me marcou foi minha passagem pela Caprichosos de Pilares, no Carnaval que falou sobre o fanatismo. O sonho de todo cantor é ir para a escola de coração dele. Aquele foi meu momento. Cantei pela minha escola. Foi uma passagem rápida, mas onde aproveitei bastante. Fui feliz lá. Tudo que eu sou hoje agradeço, em partes, à Caprichosos de Pilares, mas principalmente aos meus pais e a minha esposa.

*Por Rodrigo Trindade, colaborador do SRZD.

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