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26/01/2015 13h36

Crise hídrica: necessário planejamento e prioridade para resolver
Mauro Osorio*

O tema da água, a partir principalmente desse final de semana, entrou como tema central para o país e o estado do Rio de Janeiro.

Alguns analistas econômicos e instituições inclusive já revisaram, para pior, suas previsões sobre a evolução do PIB para 2015, em função do agravamento da crise hídrica, estimando uma recessão em torno de 1% no ano de 2015.

Neste domingo (25), em matéria do jornal O Globo, intitulada "46 milhões na seca", o meteorologista Luiz Carlos Baldicero Molion, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, afirma que deve levar mais seis anos para que o sudeste volte a ter o regime de chuvas acima das médias históricas. Ele chegou à conclusão, após analisar a série de chuvas em São Paulo desde 1888.

Falta d'água. Foto: Divulgação

Segundo ele: "Fazendo análise estatística, notamos que o sudeste teve períodos de seca severa no início da década de 1930, depois de 1959 e em 1976. Como percebemos que a chuva tem ficado abaixo da média desde 2012, concluímos que é mais um período com poucas chuvas de longo prazo, que deve durar até 2020 ou 2021".

Independente dessa previsão se confirmar, é necessário nos planejarmos com seriedade e darmos maior prioridade à política de saneamento básico.

No que se refere ao estado do Rio de Janeiro, o jornal O Dia de domingo trouxe a seguinte manchete principal: "Rio é o estado que mais consome água no Brasil".

A matéria aponta que o Atlas do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2013, divulgado essa semana, "trouxe dados preocupantes sobre o consumo de água no estado. São 253,1 litros por habitante, por dia - valor 24,1% acima da média do sudeste e 52,2% mais que a média nacional. Em contrapartida, o mesmo relatório mostra que na comparação com outros estados o Rio é apenas o sétimo em investimentos no setor".

Nesta segunda, o jornal O Dia voltou ao assunto, apontando novamente com base nos dados do Atlas, que o preço médio cobrado pela Cedae pelo metro cúbico de água é de R$ 3,16, o maior da região sudeste e maior também que a média nacional, R$ 2,62.

Além disso, apontou que no ERJ "somente 67% do contingente da Cedae têm a água devidamente medida pelos hidrômetros. Em São Paulo, por exemplo, a taxa é de 95%".

Por sua vez, o jornal Extra de domingo trouxe uma matéria com a seguinte manchete: "Racionamento de 4 gerações". A matéria tem o seguinte trecho: "A família Bernardo Serra se faz a mesma pergunta há quatro gerações: 'por que moramos ao lado do rio Guandu e nunca tivemos água?'. Dona Maria Lourenço, de 47 anos, se recorda de quando era pequena e ajudava os pais a carregar o precioso líquido".

Na mesma matéria, Marilene Ramos, vice-diretora do Centro de Regulação e Infraestrutura da FGV e ex-presidente do Inea, aponta que o "Rio desperdiça 50% de água por falta de investimento".

Por sua vez, o jornal Estado de S. Paulo, do último sábado, trouxe matéria apontando que "o governo do Rio estuda reduzir ou até mesmo cortar o fornecimento [de água] de cinco indústrias de Santa Cruz".

É claro que devemos dar prioridade ao abastecimento humano. Lembro, no entanto, que a indústria de transformação é responsável por ¼ da receita de ICMS existente no estado do Rio de Janeiro.

Acredito que já passa da hora de ampliarmos a discussão sobre o tema da água e do saneamento e nos prepararmos de forma minimamente organizada para todos os cenários possíveis.

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*economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 

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