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05/02/2015 21h48

Contagem Regressiva: Índio canibal comerá componente no desfile da Paraíso do Tuiuti
Redação*

A Paraíso do Tuiuti foi mais uma agremiação da Série A que recebeu, esta semana, a visita do SRZD-Carnaval em seu barracão de alegorias. Para este ano, a azul e ouro do bairro de São Cristóvão apostou em um carnavalesco bastante experiente para tentar ganhar a tão sonhada vaga no Grupo Especial: Jack Vasconcelos, autor do enredo "Curumim chama Cunhatã que eu vou contar", é quem está com a responsabilidade de desenvolver o desfile de 2015.

O enredo da Tuiuti abordará as duas viagens do escritor alemão Hans Staden e seu "encantamento" com o nosso Brasil: está baseado na obra "Duas Viagens ao Brasil" (ou "As aventuras de Hans Staden"), talvez pouco conhecida pelo público, mas considerada de grande importância por historiadores e literários. Em entrevista ao SRZD-Carnaval, Jack resumiu a proposta de seu enredo:

Jack Vasconcelos, carnavalesco da Tuiuti. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

"Hans Staden fez duas viagens ao Brasil, ambas a trabalho, uma a mando da Coroa Portuguesa, outra pela Espanhola. Mas ele sempre ouvia falar do Brasil e tinha esse desejo de conhecer a terra, que supostamente era cheia de ouro e riquezas. Mas quando ele veio a primeira vez, percebeu que as únicas riquezas que tinham aqui eram os índios, a natureza e os animais. Na segunda viagem, ele passou por algumas aventuras. Foi até capturado por índios antropófagos, mas após nove meses, conseguiu fugir e retornar para a Europa. Tempo depois, ele escreveu um livro com os relatos do que viu aqui. A obra é cheia de gravuras também. Por isso faz tanto sucesso e é vendida até hoje. Vamos satirizar essas viagens de Hans", explicou.

Abre-alas gigante virá nas cores cobre e dourada. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

A Tuiuti desfilará na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, e levará para a Marquês de Sapucaí 2.200 componentes, em 22 alas e quatro alegorias. O abre-alas, que é acoplado, virá em tons dourado e cobre e representará "O Sonho do Eldorado de Hans Staden". Trará as supostas riquezas relatadas pelos navegadores e que chamaram a atenção de Hans. No centro do carro, virá um globo espelhado e a coroa símbolo da Tuiuti.

O segundo carro chama a atenção pelas cores fortes: verde, azul e rosa, que representarão o folclore pernambucano. A terceira alegoria trará uma enorme escultura indígena e um efeito que promete impactar: um índio mastigará um componente, encenando o que Hans presenciou quando ficou refém de canibais.

Segundo carro representará a natureza pernambucana. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

A última alegoria trará trechos originais do livro e várias gravuras. Jack comentou outro ponto alto do carro: "Virá uma escultura, o busto do Hans Staden, que é inspirado na obra de um pintor chamado Giuseppe Arcimboldo, que tem um quadro de nome Bibliotecário, que é uma figura humana feita com livros empilhados. Hans escreveu esse livro e, a partir daí, outros foram gerados. Como reconhecimento disso, fizemos essa homenagem".

Éltima alegoria levará gravuras e trechos originais do livro de Hans. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

O artista também falou sobre os pontos altos da Paraíso do Tuiuti. "Vai ser um desfile de muito fácil assimilação. O samba ajuda demais a contar o nosso enredo. Temos, também, o privilégio de quesitos muito fortes: o samba, os casais, a bateria, o cantor (Daniel Silva) que é muito bom. Temos tudo para brigar pelo título", apostou Jack em conversa com o SRZD-Carnaval.

Confira a explicação das quatro alegorias da Tuiuti, na visão de Jack Vasconcelos:

1ª alegoria/abre-alas (acoplado): "Vamos abrir o desfile com o Sonho do Eldorado de Hans Staden. Ainda na Europa, ele ouvia histórias sobre as riquezas da América do Sul. Os navegadores sempre voltavam das viagens falando que era um lugar maravilhoso. Daí Hans ficou animado com esses relatos de riqueza e isso despertou o interesse dele de visitar a América. Vamos entrar na Avenida falando dessas riquezas. O carro vai vir com tons de dourado e cobre. Na realidade, quando ele veio ao Brasil, acabou percebendo que não tinha ouro nem riqueza, a não ser índios, a natureza, os animais".

2ª alegoria: "Retrata a primeira viagem dele ao Brasil, quando foi parar em Pernambuco, a mando da Coroa Portuguesa. Ali, ele teve o primeiro contato com o Brasil. É um setor colorido, ensolarado. Isso que chama a atenção dele logo de cara. A natureza, os bichos, tudo é muito colorido. Sendo assim, este segundo carro falará da natureza pernambucana em verde, azul e rosa. Em cima, virão várias esculturas indígenas. Os índios não gostavam dos portugueses e os atacavam. Isso também chamou a atenção de Hans. Vamos usar a estética do folclore pernambucano para traduzir aquela natureza".

3ª alegoria: "Aqui vamos retratar a segunda viagem dele ao Brasil. Dessa vez, ele veio a mando da Coroa Espanhola e a intenção era chegar até Santa Catarina, mas o navio que ele tripulava naufragou na altura de São Vicente. Daí, ele acabou sendo capturado por índios tupinambás, ficando por 9 meses em poder dos índios e virando uma espécie de mascote, bicho de estimação. Com o tempo, ele começou a conviver com os índios e a presenciar vários rituais, inclusive, de antropofagia. Esse setor já é noturno. Com isso, esse será o carro da aldeia canibal. Vamos satirizar esse momento. Vai vir um boneco gigante, articulado e que mastigará um componente na Avenida".

4ª alegoria: "Certo momento, ele consegue fugir e voltar para a Europa. Tempos depois, edita as memórias e escreve esse livro. Na época, essa obra mexeu muito com a cabeça dos europeus. É um dos grandes responsáveis pelo rótulo que a América do Sul tem, de ser um lugar estranho, exótico nos dias de hoje. O carro é todo feito com gravuras coladas, desenhos originais do livro e ainda trechos, também originais. O livro ganha vida nesse carro. Ele, inclusive, é editado e vendido até hoje".

Perguntado sobre a comissão de frente, coreografada por Junior Scapin, Jack resumiu: "Vamos satirizar a imagem do herói navegador, aquelas pessoas que iam rumo ao desconhecido. Ao voltar de suas viagens, eles contavam várias histórias, inclusive muito mitológicas", revelou ao SRZD-Carnaval.

Detalhe das gravuras do último carro da Tuiuti. Foto: SRZD-Rodrigo Trindade

*Por Rodrigo Trindade, colaborador do SRZD.

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