SRZD


16/02/2015 06h18

Análise dos desfiles das escolas do Grupo Especial deste domingo
Redação SRZD

Viradouro, Mangueira, Mocidade, Vila Isabel, Salgueiro e Grande Rio foram as seis primeiras escolas do Grupo Especial a desfilar este ano na Sapucaí. 

Blogueiros do SRZD-Carnaval acompanharam e fizeram análise das agremiações. 

Confira:

Samba-enredo

Aloisio Villar. Foto: SRZDAloisio Villar: "Viradouro, apesar da aclamação popular, era uma grande incógnita pra mim e o medo se confirmou na avenida. Não foi arrebatador como era a expectativa da escola para uma manutenção no especial. Acabou fazendo uma passagem comum cansando na parte final. Virou uma grande música a junção das duas obras de Luiz Carlos da Vila, mas samba-enredo é diferente. Tem que funcionar para um desfile.

Mangueira veio com um dos melhores sambas do grupo e a obra correspondeu as expectativas. Passou melhor no dia do ensaio, mas acredito que falhas sucessivas no som tenham prejudicado, além de chuva que atrapalhou a comunicação com o público, mas não tirou a animação dos componentes. 

Mocidade veio com um samba do estilo funcional, mas que não funcionou, diria até que foi um dos pontos negativos da escola. Tem dois bons refrões que chamam a atenção, mas o começo da segunda, por exemplo,prejudica a obra.

Quarta escola a desfilar a Vila veio cheia de frases de efeito como é de seu costume quando passa por dificuldades. O verso "dignidade de volta pro ninho" foi muito feliz porque casou com o desfile da agremiação, bem melhor que do ano passado. A escola desfilou com um bom samba tanto em letra quanto em melodia. Rico, sóbrio e cheio de variações como o enredo pedia.

A quinta foi o Salgueiro que fez um excelente desfile como é de seu costume, mas destoou no samba como também aconteceu algumas vezes nesse século. Talvez o samba tenha sido o ponto mais limitado da Academia apesar de ter sido muito bem cantado pela comunidade. Mas é como eu digo. Um samba limitado que passa bem não vira um samba bom, vira apenas um samba limitado que passa bem. Carro de som muito bem com os talentosos Serginho do Porto e Leonardo Bessa capitaneando. 

Fechando a Grande Rio que foi um grande exemplo de samba funcional. É o samba que pode não ser uma maravilha, mas casa perfeitamente com a proposta de desfile e com o momento da escola. Muito animado, muito feliz o samba contagiou os componentes e foi muito bem defendido pelo carro de som. A obra apresentou variações interessantes de melodia que lembravam outros ritmos como xote e forró. O samba casou muito bom com o desfile."

Casal de mestre-sala e porta-bandeira

Ricardo Nicolay: "A noite de hoje foi aberta por Marlon e Alessandra, da Unidos do Viradouro, que trajavam roupas belíssimas e apresentaram um bailado suave e clássico, apesar de alguns passos marcados ligados ao samba.

O primeiro casal de mestre-sala de porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira, Raphael e Squel, fez uma apresentação muito boa no primeiro e segundo módulo de jurados, com uma sintonia incrível entre os dois. O romantismo que existe entre este casal é muito bonito de ser visto, e influencia diretamente em sua dança, muito bem executada, apesar de toda chuva que desaguava na passarela do samba. Destaco também a presença de Giovanna Justo bailando no quinto carro da escola, representando as porta-bandeiras mais importantes da verde e rosa, Neide e Mocinha, e Marquinhos, personificando o maior mestre-sala de todos os tempos, Mestre Delegado.

O Acadêmicos do Salgueiro trouxe um casal de mestre-sala e porta-bandeira muito emocionante e experiente. Marcela estava usando um vestido mais curto do que o de costume, porém belíssimo, inspirado nas cores extraídas da semente de Urucum, assim como o traje de Sidclei. A apresentação deles no primeiro e segundo módulo foi muito bem executada. A bandeira flutuando, passos marcados e coreografia na medida certa e um lindíssimo bailado.

O primeiro casal da Grande Rio veio representando os reis da corte de Duque de Caxias. Verônica Lima e Daniel Werneck fizeram uma apresentação tranquila esta noite. A roupa do casal estava muito bonita, e um pouco menor do que em anos anteriores. Como falamos muito durante os ensaios técnicos, muitas porta-bandeira estão incorporando em sua dança movimentos um pouco bruscos com a bandeira, balançando-a como se fosse uma asa. Tanto eu quanto Mestre Dionísio não apreciamos muito esta nova técnica e valorizamos o bailado tradicional, que anda sendo engolido ultimamente."

Comissão de frente

Ricardo Nicolay. Foto: SRZDRicardo Nicolay: "A Unidos do Viradouro abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro e trouxe uma comissão de frente que representou o redescobrimento do Brasil, transformando a negritude no principal personagem da história. Com coreografia Idealizada por Marcella Gill e André Lúcio, a comissão da Viradouro fez uma boa apresentação, apesar de toda a chuva, e contou com a participação da atriz Juliana Paes. O tripé que fazia parte da comissão parece ter tido problemas com a iluminação, que não funcionou, e também acabou cobrindo um pouco o carro abre-alas da escola por ser um pouco grande.

A comissão da Estação Primeira de Mangueira, idealizada pelo lendário Carlinhos de Jesus, fez uma belíssima apresentação no segundo módulo de jurados. Com uma coreografia muito bem executada e uma indumentária bastante simples, a comissão conseguiu apresentar de forma clara o enredo da escola, apresentando Vó Lucíola como a representante das mulheres de Mangueira.

O Acadêmicos do Salgueiro apresentou uma comissão de frente contemporânea e tecnológica. O destaque foi a grande lona de LED que variava imagens em referência ao enredo e à escola. Os bailarinos representaram os índios Botocudos, que viviam na região de Serro do Frio antes da chegada dos colonizadores em Minas Gerais, considerados os primeiros a contribuírem para os sabores da culinária mineira. Particularmente, não aprecio comissões que destacam demasiadamente a tecnologia, mas o Salgueiro conseguiu, apesar de todo o aparato high tech, apresentar bem o enredo da escola.

Uma das melhores comissões de frente da noite de hoje foi a da Grande Rio. Coreografada por Priscilla Mota e Rodrigo Negri, a escola de Caxias trouxe para a Marquês de Sapucaí "Uma maravilhosa disputa no país do carnaval", inspirada na obra de Lewis Caroll, Alice no País da Maravilhas, de forma lúdica e psicodélica, com efeitos que não eram exagerados e com muitos elementos surpresas."

Evolução e harmonia

Hélio Rainho: "Viradouro - A chuva forte causou alguns prejuízos à Viradouro, que teve a harmonia e a evolução comprometidas. Ainda assim, o belo samba e a excelente bateria impulsionaram o canto em algumas alas. A escola foi brava, embora não tenha sido brilhante nesses quesitos.

Mangueira - Canto forte, característico do chão dessa escola, mas harmonia confusa. Numa das muitas falhas do som, a cabeça da escola repetiu 3x o refrao principal sem que os diretores de harmonia agissem. Chegaram a cantar junto com os desfilantes aumentando o erro. A evolução da escola foi muito boa, impulsionada pela força do samba.

 

Mocidade - Evolução irregular, alternando momentos de eficiencia e correria pelo gigantismo da escola. Embora tivesse um samba pouco expressivo, foi bem cantado pelos componentes. Destaque para a brilhante evolução da ala de passistas: uma aula de ocupação de espaço e evolução na pista!

 

Vila Isabel - O samba arrastou a escola, apesar de um esforço louvável da bela bateria, uma das melhoresxda noite. A escola sentiu também o peso das fantasias. A evolução foi problemática, tendo uma correria desenfreada no final.

 

Salgueiro - A bateria da escola teve atuação extraordinária, elevado, inclusive, o desempenho do samba, considerado mediano. A escola cantou bem, mas teve problemas de evolução por dificuldades na entrada e saída dos carros alegoricos na avenida. Foi preciso acelerar para terminar o desfile no tempo.

 

Grande Rio - Outro exemplo de escola cujo samba foi bem defendido pela força da bateria. Alguns momentos mais expressivos de canto e empolgação em algumas alas, algumas outras menos inflamadas. A escola parece ter entendido o espírito lúdico do enredo: brincou e se divertiu durante o desfile."

Enredo, fantasias e alegorias

Hélio Rainho. Foto: SRZDHélio Rainho: "Unidos do Viradouro - A escola de Niterói apresentou um "enredo reverso": em vez de um tema para inspirar um samba, fez uso de um samba para inspirar um tema. Não se sabe como o jurado oficial pode considerar essa questão. Em termos de execução, o enredo foi bem apresentado e teve clara exposição de cada parte. A Viradouro teve um conjunto bem cuidado de fantasias, com bom acabamento, boa leitura e criatividade. Os carros também tinham grandeza e eram bem cuidados, com uma pequena queda de produção nos três últimos. Foi um trabalho plástico de ótimo nível, que qualifica a escola a obter boas notas nos quesitos artísticos.

Mangueira - O enredo da Estação Primeira, embora de tema nobre - a mulher -, pareceu, desde a sinopse, um amálgama de ideias e personagens sobrepostos. Na execução, faltou, em alguns momentos, um elo de ligação na sequencia das mulheres representadas. Plasticamente, a escola teve um mau desempenho em todo o conjunto alegórico, que teve tamanho mas não apresentou requinte ou bom uso das nuances de cores. Alegorias estáticas, sem nenhuma interação com as arquibancadas. 

As esculturas também estiveram muito simplistas em suas soluções, com material pouco vistoso e sem efeito visual. O carnavalesco teve bons momentos em algumas fantasias: as baianas impressionaram, os figurinos de temática africana sobressaíram mais, porém o resultado não foi regular. As musas e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira também estavam bem vestidos. No geral, não foi um bom desempenho nos quesitos plásticos.

Mocidade - Paulo Barros impôs a sua assinatura na escola de Padre Miguel: carros funcionais, cheios de efeitos especiais, riquíssimos. O enredo foi muito bem desenvolvido, teve fácil leitura, sobretudo pelo uso de adereços ilustrativos em forma de placas que descreviam os temas das alas: leitura fácil do enredo, recurso descritivo muito típico da escola nos anos 80 com Fernando Pinto. Um senão: os carros do "banho pelado na chuva" e do "motel" não precisavam ser tão "ao pé da letra". Sutileza também é forma de mostrar talento e criatividade. Fantasias com muitos recursos funcionais (como as alas dos cavalos e da praia), ricas e muito bem acabadas. Um belo trabalho plástico associado a uma excelente didática pelo carnavalesco.

Vila Isabel - A escola do bairro de Noel pareceu, mais uma vez, carecer de recursos para apresentar seu carnaval. O carnavalesco Max Lopes, como é de costume, apresentou uma boa exposição de seu enredo, mas o trabalho plastico ficou aquém de seu reconhecido talento. A Vila esteve modesta, com carros pequenos e um conjunto de fantasias previsíveis.

Salgueiro - Esteticamente não se discute Renato Lage. Sua qualidade plástica e seu requinte são insuperáveis, e o carnavalesco sabe trabalhar de forma grandiosa e imponente. O enredo do Salgueiro, no entanto, teve um desenvolvimento muito externo à sua proposta principal, que era a cozinha mineira, sugerindo alguns enxertos necessários para acrescer o tema limitado. Elementos plasticamente perfeitos como o carro do ouro (o mais belo da noite) e o 6º setor, com procissões, marujadas e almirantes, são exemplos de "puxadinhos" para desenvolver o enredo. Melhor, portanto, na exímia concepção plástica do que na trama do enredo propriamente dita.

Grande Rio - A Tricolor de Caxias foi, pelo segundo ano consecutivo, a vedete da noite. A Grande Rio repete o fenômeno do ano passado: enredo leve, pesquisa riquíssima de Leandro Vieira e Roberto Villaronga, uma história simples contada com extremo requinte e perfeição. A escola se encontra com o carnavalesco Fabio Ricardo. Fantasias e alegorias irrepreensíveis, trabalho de fácil compreensão e fuga de todos os lugares comuns no desenho das fantasias. Alas combinando roupas com adereços, dando dinâmica e interação com o público. As cartas de tarô com o corpo da fantasia representando o rosto dos ícones desse jogo foram uma brilhante solução. A narrativa mais assertiva da noite, com melhor encadeamento temático do enredo foi, sem dúvida, da Grande Rio!"

 

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GRANDE RIO:

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SALGUEIRO:

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Comentários
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    16/02/2015 19:58:36uanderson de aquinoMembro SRZD desde 04/12/2009

    A Globo passou o fantástico no horário do desfile da Viradouro assim como fará hoje não exibindo a São Clemente. O motivo disso comentei no blog UAN noticias.

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    16/02/2015 14:47:48ExperMembro SRZD desde 16/02/2015

    Caraca aí, concordo completamente com o Hélio Rainho sobre a plástica do Salgueiro. Gente, na boa, o Salgueiro pode até ter vindo lindo, mas por exemplo, no 1° setor a alegoria e as fantasias não ficaram nada haver com o que o enredo propôs. Márcia Lage fez tantos mistérios sobre os carros e as fantasias, dizendo que iria ser surpresa e eu não me surpreendi em nada. Viradouro não tem como eu avaliar pq a MALDITA da Globo ficou passando FANTÃ?STICO (:@). A Vila Isabel veio muito linda, bem acabada, rica em alguns setores, mas a Vila Isabel não estava com pique de campeã, nem pra desfilar no desfile das campeãs. Eu acho que o que fez a Vila ficar assim foi a evolução e a harmonia da escola. A cadência da bateria tava ótima, mas eu acho que o Gilsinho também não ajuda muito na harmonia; Pq quem levanta a escola é a voz do intérprete e ele não conseguiu fazer isso. Mocidade, estava bem criativa, linda, luxuosa, mas o ponto que foi ruim pra escola, também foi a evolução e a harmonia. Muitos componentes da escola estavam desanimados, sem cantar o samba e isso atrapalha a escola. Eu acho assim que, quem não for pro desfile ficar animado, é melhor nem desfilar!!! E outra, o Bruno Ribas é outro intérprete que fez a harmonia da escola não ficar legal. Se vcs perceberem, a bateria da Mocidade estava num ritmo muito bom pro samba, mas o Bruno Ribas ele tava muito lento... Sei lá, a harmonia da escola não estava boa! A Mangueira fez um desfile muito bonito, mas a evolução também não estava boa... Foi um desfile monótono, não tem o que falar. E a Grande Rio estava linda, luxuosa, bem acabada, vindo no enredo. Só isso que tenho pra escrever. Resumo meu: Mesmo, contudo, achei esse 1° dia de desfiles muito lento, desanimado, não sei se era por causa da chuva, não sei. Mas não estava totalmente bom os desfiles. Nenhum desfile desse domingo foi 100% perfeito; O máx. por cento que chegou foi à 90%. - Comentem!

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