SRZD



Dicá

Dicá

CARNAVAL. Ativista negro, embaixador e cidadão samba paulistano de 2004, é compositor, batuqueiro, passista e fundador da Velha Guarda da Rosas de Ouro de Vila Brasilândia, junto com a embaixatriz do samba Maria Helena. É pesquisador cultural e estudioso da cultura popular brasileira e afrodescendente.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



02/03/2015 00h00

Extra, extra! A folia acabou!
Dicá

O Brasil agora vai...

Teremos inflação menor, tudo irá melhorar! Haverá saúde, segurança, educação, transporte e trabalho para todos!

Doravante somente em 2016 é que iremos rever os desfiles de Carnaval ao vivo. Trago na memória apenas algumas lembranças da folia que se foi. Como diz aquele belo samba enredo campeão, "Se recordar é viver, vamos reviver agora".

A véspera dos grandes desfiles das escolas de samba acompanhei alguns blocos, bandas, grupos carnavalescos e afins. Confesso que o que mais me chocou foi ver alguns foliões beirando a barbárie. Exaltados queriam beijar a força as colombinas que passavam seus Carnavais na Vila Madalena, lá, as brigas pipocavam...

Ação policial na Vila Madalena durante o Carnaval deste ano. Foto: Reprodução

A quantidade de bebidas e gente era enorme e por entre bancários, "jatomóveis", ruas e avenidas, sobrava de tudo...

Garrafas, copos descartáveis, restos de fantasias, comida e toda sorte do lixo gerado em São Paulo participava juntinho a folia dos indóceis bárbaros!

Mas é bom lembrar, que os blocos mesmo assim se superavam e botavam a alegria nas ruas e os sorrisos brilhavam em meio as mascaras, as danças e as brincadeiras. E nesse vai e vem da folia, uma turma se deu bem, era a turma do dia, pois à noite tudo se transformava...Para pior!

Mais a frente a fase de ensaios técnicos no "sambódromo" e quadras havia passado, já não havia mais tempo para nada. O que havia era muita conversa fiada e raras verdades fervilhando nas boas coisas que persistem. Uma delas são as barraquinhas inesquecíveis em torno das escolas onde se faz a resenha e as apostas de quem vai ganhar ou perder, subir ou cair, pois ali se reúnem os "entendidos".

Aqueles ensaios chamados de "técnicos", traduzem a frase do lendário Didi, "jogo é jogo e treino é treino", pois quando se coloca os carros alegóricos, o povão em volta, as câmeras e o desfile a vera, tudo muda.

Não podemos esquecer-nos dos pobres foliões e alguns sambistas de plantão que recebem suas fantasias bordadas e adereçadas com chumbo e involução onde a leveza e a graça de um componente cai por terra. Alguns se arrastam pela passarela fazendo da evolução e da harmonia sua cruz, e da escola, o calcanhar de Aquiles!

Desfile campeão da Vai-Vai. Foto: SRZD - Claudio L. Costa

Cá em Sampa, Elis brilhou vestida de preto e branco e num samba arrebatador acabou conquistando o título e levando o troféu para o Bixiga numa disputa acirradissima com a grandiosa Mocidade Alegre, que nos últimos dez anos, brilhou intensamente e dessa vez fez uma bela homenagem a outra diva brasileira, Marília Pêra. Mas a pimentinha cantou mais alto!

Pelos lados de lá, havia uma comoção nacional pela vitória da Portela, a Águia de Madureira!

Grande parte do povo brasileiro torcia avidamente para que ela ganhasse o Carnaval carioca, mas o tal "quesito tira ponto" chamado de evolução entrou em ação mais uma vez e a surpresa guardada a sete chaves, sofreu uma dura queda, embora comovesse a todos! Os tais décimos de notas que decidem o carnaval no Rio, entraram em ação. Talvez se a manobra com a Águia/Cristo houvesse sido feita com uma distância maior passando normalmente pelo obstáculo ou mesmo se viesse abaixada e levantasse após passar o obstáculo, teria da mesma forma emocionado o público e o título ficaria mais perto, mas não foi assim.

Mas os erros sempre acontecem e num desfile de escolas de samba, sabemos que ninguém ganha pontos apenas, perde, e quem perde, menos ganha o titulo! Embora não foram somente erros que se sobressaíram. Dessa vez tivemos belos sambas, dentre eles o samba da Portela tendo Noca no timão e outro belíssimo samba que também nos brindou na Sapucaí entoado pela maravilhosa Imperatriz feito por outro grande compositor de sambas de enredo; "Axé Nkenda - Um ritual de liberdade".

Desfile 2015 da Portela. Foto: Reprodução

O desfile e o samba do lendário Zé Katimba e sua trupe encantou...

Mas a grande sombra que pairou sobre a Marques de Sapucaí sem dúvidas foi o enredo da Beija Flor. Se há 40 anos, exatamente em 1975, a escola exaltou o grande decênio da ditadura brasileira em meio a desconfianças, dessa vez a escola de Nilópolis trouxe aos pobres brazucas a situação da Guiné Equatorial e a sina de sua pobre gente!

"É de novo Carnaval, para o samba, esse é o maior prêmio".

Ano que vem tem mais!

Já curtiu a página do SRZD-Carnaval no Facebook?


Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.