SRZD


22/03/2015 13h30

Dia Mundial da Água: desafios, crise e preservação
Roberto Pereira e Daniel Outlander

O Dia Mundial da Água é comemorado neste domingo, 22, e, como o nome sugere, o mundo inteiro celebra esta importante data. No Brasil, a ocasião não poderia ser mais oportuna. Em meio à crise hídrica que atinge vários estados brasileiros, principalmente os das regiões Nordeste e Sudeste, o país enfrenta os desafios de superar a falta desse recurso natural e propor medidas eficazes solucionar o problema.

O planeta Terra tem cerca de 70% do território coberto por água, entretanto, de acordo com o instituto Mídia Mundial, a quantidade própria para a consumo equivale a apenas 2,4% desse total, pois o restante está concentrado nos oceanos. Segundo o "Portal do Geólogo", se excetuarmos a porcentagem de água das geleiras polares e a do subsolo, somente 0,02% estão disponíveis em rios, lagos e lagoas.

Terra vista de cima, a maior parte é água. Foto: reprodução internet.

A união entre a população, os governos e as empresas é crucial para auxiliar na luta pela preservação da água, pois a economia do mineral é essencial para a manutenção da vida no planeta. O SRZD conversou com o geólogo, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA) e professor da PUC-Rio, Luiz Felipe Guanaes, sobre a questão.

"Eu acho que essa é uma coisa de valor, a água é muito mais importante que uma coisa, faz parte do estar vivo. A água é um elemento absolutamente importante. O que a gente precisa resgatar é a valorização da vida, isso vale para a água, para a floresta, para a população", relatou Guanaes.

Água. Foto: reprodução de internet

Conforme o relato do especialista, a melhor maneira de manter o patrimônio natural protegido é a sociedade alocar eforços na economia do consumo no cotidiano. Algumas medidas como demorar menos no banho, lavar o carro com balde e desligar a torneira quando não houver utilização são ótimos passos, mas um dos mais eficazes é a melhor administração do lixo.

"A economia hídrica significa uma boa gestão da bacia hidrográfica, isso acomete em uma boa gestão. A sociedade precisa ver onde está e checar o potencial do recurso de determinada bacia, e também precisamos cuidar do que garante o suprimento de água, como o reflorestamento, além de não transformar rios em depósitos de lixo, que reduzem a qualidade e a quantidade de água disponível. A grande vantagem dessa crise é a população perceber que o cuidado é importante. É fundamental que haja transparência e que as pessoas saibam o que está acontecendo", falou Guanaes.

Cachoeira. Foto: reprodução de internet

Além do despedício, a poluição é o principal vilão da conservação hídrica. És autoridades, cabe implementar políticas públicas eficientes para a despoluição de rios, lagos e lagoas. No Rio de Janeiro, por exemplo, os projetos de limpeza de nossa bacia hidrográfica têm se mostrado inúteis e ineficazes.

"Existe uma desconsideração muito grande pelo valor da água. A cidade do Rio de Janeiro tem mais de 100 rios, mas não há uma gota de água que possa ser utilizada, porque os rios estão poluídos", disparou o geólogo.

Rio. Foto: reprodução de internet

O especilista destacou que a incapacidade das autoridades atrapalha na boa gestão dos recursos disponíveis á população, ele citou como a máquina pública deixa de tentar solucionar problemas, como a despoluição da Baía de Guanabara, por ser algo que demanda tempo.

"A Baía de Guanabara não é limpa por absoluta incompetência política. O dinheiro foi disponibilizado e sumiu. A Baía de Guanabara é um dos bens mais conhecidos e lindos, e a gente não tem nenhum investimento, o projeto literalmente morreu na praia. Não basta limpar os rios, você precisa ter os municípios da Região Metropolitana interligados. Trata-se de saneamento básico e essas são medidas a longo prazo. A melhor medida a curto prazo é fazer uma pressão forte nas empresas para diminuir o desperdício, então a gente precisa considerar a água como cuidado básico, mas resolução seria apenas um paleativo", ressaltou Guanaes.

Em relação às empresas, há um movimento forte pela prática comercial aliada a assuntos sustentáveis que levam em conta a conservação do meio ambiente. No entanto, políticas verdes e implementação de investimento para tornar as companhias ecoamigáveis (do inglês "eco-friendly") custam caro e demandam infraestrutura, algo que as pequenas e médias empresas não possuem.

"As tecnologias são muito caras, mas as grandes empresas têm conseguido fazer uma gestão mas científica dos recursos que elas precisam, o problema está nas pequenas e médias empresas, que não têm dinheiro para investirem tecnologias", disse o geólogo.

Torneira. Foto: reprodução de internet

Apesar da economia por parte de consumidores domésticos, o grande ofensor do disperdício são os setores industrial e agropecuária. Conforme revela o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 70% de toda a água no planeta são alocados para a irrigação de plantação e alimentação do gado, apesar de 780 milhões de pessoas não terem acesso a água potável.

"Há um documento que obriga a melhoria na utilização da água no Brasil, mas esse documento não é cumprido. Há como se avaliar o consumo e as técnicas de utilização. Pode-se haver a busca de tecnologias que sejam mais efetivas, mas o produtor agropecuário não é um mostro, ele alimenta milhares de pessoas, então são medidas que devem sim ser implantadas, mas não são fáceis" destacou Luis Felipe Guanaes.

Torneira. Foto: reprodução de internet

Apesar de haver pouco avanço da iniciativa privada na preservação da água, e de alguns projetos ainda serem bastante insípidos, há companhias com programas sustentáveis que apontam para um novo horizonte na seara dos setores preocupados com este tipo de questão.

A Oxiteno por exemplo, desenvolveu um sistema que trata quase 50% da água utilizada em seus processos. A empresa devolve 2,2 milhões de metros cúbicos de água para a natureza, após passar por de estações de tratamento próprias e de terceiros. como o reutilização de água industrial em processos de refrigeração, reuso das purgas das caldeiras nas torres de resfriamento, reutilização do condensado de vapor para lavagem de equipamentos e captação de chuvas.

Água. Foto: reprodução de internet

A empresa de tecnologia Alterdata Software, por sua vez, investe em reservatórios de água que garante o abastecimento em caso de períodos longos de estiagem. O sistema armazena 30 mil litros, dura cerca de três dias e supre 70% do consumo de água não potável da empresa em períodos chuvosos, e cerca de 50% em épocas mais secas. No edifício da sede, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, há o aproveitamento da água da chuva para o uso nos banheiros e irrigação do jardim, além da companhia possuir uma estação de tratamento de esgoto própria, que faz a filtragem e desinfecção da água, retornando à natureza até 95% mais limpa.

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