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15/04/2015 14h15

Mocidade: chapa 'da situação' quer transformar antiga quadra em centro cultural
Rodrigo Trindade

Neste domingo (19), a Mocidade Independente de Padre Miguel escolherá quem vai gerenciar a escola pelos próximos anos. Duas chapas concorrem no pleito: a da situação, liderada por Wandyr Trindade, o Vô Macumba, atual presidente, junto com seu vice, Rodrigo Pacheco; e a opositora, com Antônio Santiago e Selma Macedo, presidente e vice.

- SRZD-Carnaval também conversou com a chapa de oposição. Confira

O SRZD-Carnaval ouviu, agora, o que os gestores atuais têm a dizer sobre a Mocidade e quais seus planos para os próximos anos na agremiação. Quem conversou com nossa equipe foi Rodrigo Pacheco, candidato a vice-presidente pela chapa "Família Verde e Branco". Ele exaltou as iniciativas dos atuais gestores e falou dos problemas que a escola enfrentava antes deles assumirem a direção:

"Assumimos a Mocidade há cerca de um ano e encontramos vários problemas: a escola não tinha crédito na praça para fazer compras, nosso barracão estava abandonado. Tínhamos uma dívida grande, mas hoje conseguimos resolver quase tudo. Acredito que estamos fazendo um grande trabalho e queremos prosseguir com o resgate da identidade da nossa verde e branca", disse.

Rodrigo também alegou que a Mocidade tinha uma imagem "arranhada" e que durante dez anos, a escola teria sofrido com problemas. "Tínhamos uma imagem totalmente negativa, mas hoje vemos que há uma aproximação maior entre os componentes e a escola. Passamos 10 anos com uma administração que não trouxe bons resultados para a Mocidade. Dessa vez, estamos buscando uma renovação, com novas parcerias".

No último desfile, a Mocidade apostou em um carnavalesco caro e, consequentemente, em um Carnaval caro com o uso de muita tecnologia, mas dando à verde e branca apenas o sétimo lugar. Para Rodrigo, a chuva atrapalhou o andamento da escola. "Fizemos de tudo para que a Mocidade tivesse uma boa colocação, mas pegamos, ainda na concentração, muita chuva, e isso refletiu no desempenho da escola na Avenida", justificou.

A chapa de oposição defende que a Mocidade deve retornar à antiga quadra, na Vila-Vintém. Segundo os membros, a escola necessita retornar às suas origens e a valorizar sua comunidade nativa. Perguntado sobre essa questão, o vice-presidente e candidato à reeleição discordou da ideia:

"Não esquecemos da nossa origem, não há fundamento para isso. Vô Macumba, por exemplo, é um dos fundadores da Mocidade. A primeira reunião (quando a Mocidade foi fundada) aconteceu na casa dele, na Vila-Vintém. Ele continua de mãos dadas conosco. Além dele, temos vários outros baluartes, como Tia Nilda (coordenadora das baianas), Tiãozinho da Mocidade (compositor), entre outros, que são de nossas raízes. Muitas pessoas da comunidade nos apoiam", ressaltou.

Quanto à quadra antiga, Rodrigo revelou o que sua chapa pretende fazer: "Queremos revitalizar a antiga quadra e transformá-la em um centro cultural. Temos algumas empresas privadas que querem investir nesse projeto social. Entraremos em parceria com a Prefeitura do Rio e a Secretaria de Desenvolvimento Social para oferecer cursos profissionalizantes à comunidade. Vamos fazer ali, também, um acervo, uma espécie de museu da Mocidade. Haverá várias salas, que levarão os nomes das pessoas que fizeram a história da Mocidade".

Sobre a nova quadra, ele foi em defesa da construção e disse que não há planos de se desfazer dela, pois geraria receita para a Mocidade. "Temos hoje a quadra nova como um dos principais ativos da escola, em termos de receita e a maior quadra de escola de samba, com localização privilegiada. Várias atividades acontecem lá, entre elas, shows e eventos, que geram benefícios para a Mocidade. Não podemos desfazer dessa quadra, não temos esse plano", afirmou, contrariando a ideia da chapa opositora, que, em entrevista ao SRZD-Carnaval, informou que pretenderia devolver o terreno ao poder público.

Especulou-se muito sobre a situação financeira da Mocidade. Para muitos, a escola estaria esbanjando dinheiro. Para outros, ela estaria cheia de dívidas. Rodrigo Pacheco fez questão de esclarecer que a agremiação teve suas dívidas sanadas. "Sabemos que os custos de um desfile são altos. Contamos com o apoio da subvenção, que nem sempre chega antes do Carnaval, e de algumas parcerias, além, é claro, da receita dos eventos em nossa quadra. Mas a escola não está endividada. O que existe de pendência atualmente são dívidas do último Carnaval, mas que até maio serão sanadas, de acordo com o repasse da outra parte da subvenção. Isso é natural e acontece em várias escolas", frisou.

Para 2016, caso seja (re)eleita, a chapa "Família Verde e Branco" pretende dar continuidade ao projeto de um "Carnaval grandioso" através da busca por parcerias. "Em 2015, tivemos um projeto da Lei Rouanet aprovado no valor de cerca de R$ 5 milhões. Tivemos captação de outras empresas também, empresas parcerias. Para 2016, também teremos um projeto parecido. Vamos captar recursos através de parcerias para fazer nosso Carnaval. Contamos com o apoio da comunidade, dos torcedores e de todas as pessoas que querem ver a Mocidade crescer ainda mais. O que eu peço é o apoio, um voto de confiança para que a gente continue com esse resgate e a reestruturação de nossa escola", destacou Rodrigo Pacheco em entrevista ao SRZD-Carnaval.

O pleito na Mocidade, que acontece neste domingo, irá das 8h às 17h, em sua quadra, na Av. Brasil, 31.146, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Imagem: Divulgação

- Confira o que a oposição acha da atual gestão da Mocidade

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Comentários
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    15/04/2015 18:20:01Cláudia BauerMembro SRZD desde 19/01/2013

    Iniciativa maravilhosa da diretoria da minha escola de oferecer cursos profissionalizantes para a comunidade em parceria com o poder público. Mostra que estão se importando com a comunidade de Padre Miguel. Agora essa história da oposição tirar uma mina de ouro que é a quadra da Avenida Brasil é uma piada. Aliás, quais são as propostas da chapa? Ninguém sabe e nenhum deles fala alguma coisa. Como são oposição deveriam apresentar as propostas, mas não. Decerto só querem uma boquinha na diretoria, afinal de contas agora a escola começa a andar com as próprias pernas..... é cada uma que eu vejo que não dá pra aceitar.

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