SRZD


07/05/2015 13h33

Consumo x consumismo - parte 1
Cezar Pires*

Biologicamente falando, nossa espécie - o homo sapiens - é um consumidor nato que depende dos chamados decompositores (fungos...) e produtores (vegetais) para sobreviver. Temos a necessidade biológica de consumir alimentos, água, energia e, conforme transcendemos a dimensão biológica e evoluímos socialmente, outras necessidades como vestimentas, habitação, saneamento, educação, entretenimento,....

Sim, consumir é bom e necessário para alcançarmos o bem-estar material e gozarmos de valores fundamentais, como saúde, educação, autoestima e dignidade em uma sociedade. Além disso, na economia moderna, a produção e o consumo de bens e serviços impulsionam empregos, salários, gerando riqueza.

O problema passa a ocorrer quando o consumo aumenta muito. A produção de qualquer bem ou serviço requer recursos naturais. Muitos destes recursos são ditos não renováveis (combustíveis fosseis - petróleo, carvão, gás natural, minérios, ...), isto é, a natureza não mais os produz e, portanto, um dia irão acabar.

Outros, ditos renováveis (água, recursos florísticos, faunísticos...), também podem se escassear, basta consumirmos mais do que a capacidade de renovação natural. Não é a toa que muitas espécies foram extintas e outras estão em extinção.

Com a Revolução Industrial, a qualidade de vida geral melhora e a população mundial cresce como nunca antes na humanidade. A expectativa de vida no mundo pré-industrial era cerca de 30 e poucos anos; hoje, em países desenvolvidos, já ultrapassa os 80 anos.

Por outro lado, a riqueza econômica e o lucro, antes vistos de forma negativa pela sociedade, passam à força motriz do crescimento, valorizado e sinônimo de bem-estar social. Assim, o acúmulo de riqueza material é perseguido e entendido como felicidade na sociedade urbana industrial, sobretudo após a 2º Guerra Mundial.

Socialmente determinado, esse modelo de crescimento, chamado de ilimitado, não enxerga os limites físicos e biológicos do planeta. Pelo contrário, incentiva e estimula a produção e o consumo per capito.

Para se ter uma ideia, estima-se que o consumo de energia de um habitante do mundo atual é cerca de 350 vezes maior que um habitante da era medieval. Acrescente que temos 10 vezes mais pessoas hoje, do que na Idade Média. Temos, então, um aumento de 3.500 vezes no consumo de energia. Em outras palavras, o que consumimos em um ano no planeta equivale a 3.500 anos de consumo pré-industrial.

E não podemos esquecer toda uma população excluída que mal consegue consumir bens necessários para sua sobrevivência biológica e que, sem sombra de dúvidas, gostaria de estar consumindo muito mais.

Se almejarmos uma sociedade igualitária, em que possamos incluir todos os habitantes do planeta na taxa de consumo atual dos países desenvolvidos, com certeza não teríamos recursos naturais suficientes. E se cada um dos 1,370 bilhão de chineses quisesse ter um carro? Eis a crítica/crise ambiental! O que fazer?

Leia também:

- Consumo x consumismo - parte 2

*Cezar Pires é coordenador de Engenharia Ambiental da Graduação da Universidade Veiga de Almeida em colaboração voluntária ao SRZD. Email: [email protected]


Comentários
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    25/06/2015 01:34:37Elizabeth PessoaAnônimo

    Excelente artigo ! Nos leva à reflexão, mostrando o quanto é importante pensarmos sobre este tema!!

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