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Carlos Molinari

Carlos Molinari

FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

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15/05/2015 19h35

Spray de pimenta x pó de mico
Carlos Molinari

O polêmico ataque da torcida do Boca Juniors com spray de pimenta aos jogadores do River Plate, pela Libertadores da América, trouxe-me à lembrança um fato ocorrido no ano de 1979, em Moça Bonita.

- La Bombonera é interditado pela Justiça após violência em partida da Libertadores

La Bombonera. Foto: Divulgação

Bangu x Vasco jogavam pela 3ª rodada do Campeonato Carioca, o estadinho do subúrbio estava cheio: 7.954 pessoas pagaram ingresso, fora os muitos penetras. Na época, spray de pimenta era novidade. Para irritar o adversário, nada melhor que jogar o hoje quase extinto, pó de mico.

A descrição da cena é feita pelo também extinto Jornal do Brasil:

"Estádio lotado. As torcidas festejavam a entrada dos times em campo. A do Bangu, expressiva, afinal a equipe estava invicta há seis jogos. Eis que, durante a saudação dos jogadores do Vasco à sua torcida, o goleiro Leão apressou-se a correr para o vestiário, tentando desesperadamente livrar-se das luvas, logo seguido por Abel e Marco Antônio, porque começaram a sentir uma coceira súbita.

Consultado, o massagista Santana garantiu tratar-se de pó de mico, pois ele também passara a sentir as coceiras. Convocada a segurança do clube, logo descobriu-se que partira do vestiário do Bangu, ao lado, mas a essa altura Santana tentava resolver o problema a seu modo. Partiu para cima do técnico Duque, do Bangu, tentando agredi-lo.

Constatado o fato, o médico Nicolau Simão ainda tentou cancelar a partida, mas persuadido pelo juiz fez com que os jogadores tomassem banho com sabão de coco e álcool. Serenados os ânimos, o discotecário do Bangu, Édson Isidoro, foi detido com uma caixa de papelão contendo o insólito produto, que tantos contratempos causou ao Vasco. Foi levado para a 34ª DP, mas o Delegado Tito não encontrou no código penal um artigo em que pudesse enquadrá-lo".

A história, prosaica, faz parte do folclore do futebol carioca. O Bangu não perdeu o mando de campo - afinal foi um fato isolado de um único homem. A partida foi realizada com um grande atraso e o Vasco acabou vencendo por 3 a 0.

Édson Isidoro, o discotecário que não foi preso em 1979, acabaria voltando às manchetes vinte anos depois, em 1999. Trabalhando como enfermeiro do Hospital Salgado Filho, no Méier, ele foi novamente detido (e desta vez preso) por cometer eutanásia em alguns pacientes internados.

Eram outros tempos. A violência generalizada de hoje nem se compara com a de 1979. Outro dia, na Ilha do Governador, torcedores da Portuguesa da Ilha e do Goytacaz entraram em guerra durante o intervalo. Numa partida do Campeonato Carioca da 2ª Divisão que levou apenas 518 pessoas ao Luso-Brasileiro. Mesmo assim, houve conflito. Os sete policiais que estavam no estádio não deram conta de tamanho público. Um dirigente do time de Campos foi além e disse que havia apenas dois homens da PM acompanhando o jogo.

Na súmula, o árbitro Paulo Renato Moreira da Silva deu poucos detalhes sobre a confusão que tomou conta do jogo. Disse que o atraso para o início do 2º tempo foi de apenas 8 minutos e informou que o tumulto começou do lado da torcida do Goytacaz. Bastante sucinto.

Ocultar a verdade não é a forma mais correta para que a violência nos estádios diminua...

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