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Ednei Mariano

Ednei Mariano

CARNAVAL/SP. Natural de São Paulo, nasceu no bairro de Vila Mariana, Zona Sul. É pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor. Foi o primeiro passista da escola de samba Vai-Vai. Como mestre-sala, defendeu durante 34 anos de carreira os pavilhões da Barroca Zona Sul, Tucuruvi, Vai-Vai (de Honra), Rosas de Ouro e Unidos de São Lucas.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



03/06/2015 00h23

'Tributo aos Deuses da Passarela'
Ednei Mariano

1967 é o ano que se instalou a grande mesa da ceia do samba paulistano. Ali estavam reunidos homens e mulheres, cansados de serem jogados de lá para cá, de terem que esmolar para fazer suas entidades se apresentarem com decência no triduo de momo, uma mesa farta de gente ávida pela valorização da nossa maior cultura popular.

Chegava o momento de dar um basta aos concursos não oficiais. Assim, esta noite foi um marco para o crescimento dos desfiles das nossas entidades carnavalescas.

Ex-prefeito de São Paulo Faria Lima. Foto: Acervo

Entre os muitos presentes nesta ceia, estavam Xangô da Vila Maria, Mala do Tatuapé, Sinval da Império do Cambuci, madrinha Eunice da Lavapés, Ivonete dos Acadêmicos do Peruche, Inocêncio Tobias do Camisa Verde, Pé Rachado da Vai-Vai, Carlão da Unidos do Peruche, Alberto Alves da Nenê de Vila Matilde e Evaristo de Carvalho, que seria o presidente da Federação, para orientar a moçada do samba.

Estava também o radialista Moraes Sarmento, que faria a ponte com o prefeito da época, o carioca Faria Lima, que abraçou a ideia de organização pelo poder público dos desfiles das escolas, blocos e cordões, a partir de 1968.

Assim foi feita uma comissão dos "Cardeias da Ceia", que ficou incumbida de buscar no Rio de Janeiro o modelo de julgamento, já que no Rio já era realidade a grandiosidade dos desfiles.

Dentre os quesitos trazidos, chegou o de mestre-sala e porta-bandeira, que era julgado somente pela beleza visual da dupla, ou pela fantasia, no caso das porta-estandartes.

Agora havia com um balizamento mais técnico, começando então, a valorização deste segmento, que muito contribuiu para o engrandecimento dos nossos desfiles. Vários foram os que fizeram história, e muitos nomes se perderam no tempo. Para estes, nosso tributo especial pelo desempenho e heroísmo que marcaram o início desta caminhada.

Muitos ainda estão em minha mente. Na época, eu bem garotinho, registro o reconhecimento por toda a classe e pela dignidade com que defenderam nossos pavilhões.

Com uma roupagem sempre diferenciada dos demais componentes das escolas, com uma ligação gestual herdada do tempo do Brasil Imperial, mas sem esquecer a malandragem herdada da senzala, lá vinham eles, como reis e rainhas.

Muito se aprendeu com o mestre Manezinho, que emprestou sua arte ao Peruche, na oficialização, e na Rosas de Ouro, no início de seu caminhar ao lado de Angelina Basílio, que hoje é a presidenta da entidade. Tributo ao majestoso bailar com sua peruca impecávael, ao Ivo Branco, e à bela China, pelo Tatuapé A querida China também desfila de Marquesa no Cordão Vai-Vai.

Vai-Vai que teve a talentosa Ivonete, como dama principal em seu primeiro desfile como escola, em 1972. Tributo a Emílio Carlos e Iara, do Morro da Casa Verde, que teve também neste início, mãe e filho, na defesa do pavilhão verde e rosa, Marcelo e Laurinete, a Dona Guga, atual presidenta da agremiação.

Tributo a este negro esguio, de 1,90m de altura, Solano Trindade, que com seu talento ajudou a Mocidade Alegre a magnetizar em seus primeiros desfiles como escola, sagrando-se o primeiro mestre tricampeão.

Tributo aos Deuses da Passarela. Foto: Arte

Nosso tributo também vai para o casal excelência, Jacó e Tiana, da Imperdaor do Ipiranga, ao versátil Landão e à bela negra Maria Inês, ambos da Nenê de Vila Matilde.

A verde e branca da Barra Funda, teve seu pavilhão desfraldado na sua caminhada vitoriosa como escola de samba pelas mãos do talentoso Wilson Moraes, tendo como dama a bailarina internacional Marina Luiza. Tributo ao alfaiate mestre-sala Nivaldo, com sua maravilhosa esposa Glória, sempre impecáveis na condução do pavilhão da Império do Cambuci.

Os anos 70 fervilhavam e muitas escolas nasciam, outras se estruturaram, mas todas contribuindo para o fortalecimento de nossas entidades, e com elas, novos casais aparecendo encantando nossas passarelas, sempre em defesa do pavilhão. Mas esse capítulo é para a segunda parte do nosso "Tributo aos Deuses da Passarela".

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Comentários
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    15/06/2015 21:55:40Ednei MarianoAnônimo

    Muito contente com a repercussão de mais este texto, esta Cronica em homenagem aqueles que abriram o caminho, para que hoje, apezar de não estar-mos como eu desejo, nossa classe continua sendo destaque em nossa maior festa popular, é inegavel, o nosso culto ao Pavilhão, herança delas com seus Estandartes, deles na proteção dos mesmos antigamente, hoje é a Bandeira, honra e glorias para este povo que nos precederam, daqui algum tempo estaremos aqui com a segunda parte desta Cronica, Valeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.

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    09/06/2015 18:26:28Marques KblaoAnônimo

    MAIS UMA EM MESTRE,,,TEXTO PRIMORO,,E COM UM CUIDADO DE INFORMAÃ?Ã?ES,,ONDE ATRAVÃ?S DELE POSSAMOS VIAJAR LA PARA O INICIO DE TUDO,,PARABÃ?NS MAIS UMA VEZ E JÁ AGUARDANDO A SEGUNDA PARTE DO "TRIBUTO AOS DEUSES DA PASSARELA".

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    08/06/2015 16:33:03Clelia Aparecida MarianoAnônimo

    Belo texto, mais uma vez estamos tendo maravilhosa aula, pois como sambistas ou simpatizantes , através deste blog estamos adquirimos o conhecimento. Obrigada.

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    05/06/2015 16:42:12Marcelo MauaAnônimo

    Mais um texto de grande relevância para quem gosta da história do carnaval !!! parabéns ao Colunista Ednei Pedro Mariano pelas brilhantes colocações feitas neste texto !!!

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    04/06/2015 18:59:04AugustoAnônimo

    Show por mais uma obra de art

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    04/06/2015 18:57:24Alex santosAnônimo

    Parabéns por mais essa cronicas de informações

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    04/06/2015 18:33:00DULCE CARVALHOAnônimo

    AIS UMA CRONICA DIDÁTICA E INFORMATIVA

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    04/06/2015 18:33:00DULCE CARVALHOAnônimo

    AIS UMA CRONICA DIDÁTICA E INFORMATIVA

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    04/06/2015 18:33:00DULCE CARVALHOAnônimo

    AIS UMA CRONICA DIDÁTICA E INFORMATIVA

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    04/06/2015 18:32:59DULCE CARVALHOAnônimo

    AIS UMA CRONICA DIDÁTICA E INFORMATIVA

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