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Tadeu Kaçula

Tadeu Kaçula

CARNAVAL/SP. Sambista, sociólogo e pesquisador das origens do samba e da cultura tradicional de São Paulo. Fundador do Instituto Cultural Samba Autêntico e do Projeto Rua do Samba Paulista. Idealizador e produtor do projeto Memória do Samba Paulista, que reúne uma coleção com 12 CDs dos principais sambistas e Velha-Guardas das Escolas de Samba de São Paulo. Diretor cultural da Uesp - União das Escolas de Samba Paulistana - e membro do departamento cultural da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Ex-presidente da Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco. Autor do livro "Casa Verde - Uma pequena África na Zona Norte de São Paulo".

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11/06/2015 00h04

100 anos de samba urbano em São Paulo - parte 3
Tadeu Kaçula

O samba urbanizado. Esse marco tem início em 1914. Foi nesse ano que Dionísio Barbosa, filho de escravo e um dos primeiros negros nascidos livres no Brasil, apaixonado pelos ranchos carnavalescos e inconformado com os corsos da alta sociedade paulista, uma folia exclusiva dos ricos e brancos, reuniu seus familiares e amigos para formar o Grupo Carnavalesco da Barra Funda. Posteriormente batizado de Grupo carnavalesco Camisa Verde, desfilava pelas ruas do bairro da Barra Funda e adjacências com camisas verdes e calças brancas.

100 anos de samba urbano em São Paulo. Foto: Acervo

De certa forma, para a época, esse grupo era considerado um Quilombo urbano devido às características e costumes de seus integrantes. O bairro da Barra Funda, com o plano diretor daquele tempo, era considerado um bairro periférico e a maioria dos moradores era de negros que moravam nos porões dos casarões nas imediações da estrada de ferro da Sorocabana.

O extinto Largo da Banana, hoje Memorial da América Latina, é considerado o marco zero do samba paulistano por se tratar do ponto de encontro mais importante dos sambistas que ali viviam entre um descarregar de cargas de bananas vindas do interior, e uma pernada nas rodas de Tiririca, a capoeira paulista, jogada com a nata da malandragem paulistana.

Essa movimentação rítmica e cultural na região do Largo da Banana fora fundamental para que outras importantes manifestações carnavalescas desabrochassem em toda a cidade.

Fio de Ouro, Coração de Bronze, Vae-Vae, Rosas Negras, Paulistano da Glória, Campos Elíseos e a mãe de todas as escolas de samba de São Paulo, a Lavapés, fundada por madrinha Eunice em 1937.

Com a expansão do samba por toda a cidade, importantes núcleos de resistência foram se formando. A Praça da Sé era um importante ponto de encontro dos engraxates que, entre uma engraxada e outra, armavam uma roda de Tiririca. Outro ponto ficava na Baixada do Glicério, na "cinco esquinas", próximo à Lavapés e na antiga Prainha, onde hoje fica o Vale do Anhangabaú, que posteriormente seria o circuito dos cordões carnavalescos de São Paulo.

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