SRZD


28/06/2015 13h24

Carnaval de Cabo Frio: Um resgate dos valores culturais e solidários

Visando dar voz a personalidades envolvidas com o Carnaval do interior de nosso estado, nossa equipe realizou um pequeno bate-papo com o presidente da Liga dos Blocos de Cabo Frio, Jorge Luiz Moreira Bongo, com a rainha do Carnaval, Nilma de Oliveira, e com o presidente da União das Escolas de Samba de Cabo Frio, Marcos Chaves. Os entrevistados contaram quais os planos para o Carnaval 2016 na cidade, seus objetivos e pretensões, além de colocar sempre em destaque o resgate dos valores culturais do Carnaval e a atuação solidária de seus participantes.

Marcos Chaves, Nilma de Oliveira e Jorge Bongo. Foto: Rachel Waknin

Confira abaixo:

Entrevista com Jorge Luiz Moreira Bongo

Presidente, atualmente, quantos blocos fazem parte do Carnaval cabofriense?
Jorge: Contamos hoje com 52 blocos.

E para o Carnaval 2016, o enredo dos blocos será de tema único ou livre?
Jorge: O enredo é livre em 2016. Estamos buscando a captação de recursos, inclusive, com outras prefeituras, como, por exemplo, algumas de Minas Gerais.

Em conversa com nossa equipe, o senhor nos contou que promove o Carnaval Solidário na cidade. Pode nos contar como funciona?
Jorge: Tenho quatro anos de gestão à frente do Carnaval Solidário, onde os abadás são trocados por alimentos com o intuito de transformar a maneira de como determinada camada da nossa sociedade vê o Carnaval. Ou seja, para muitos, o Carnaval ainda é uma festa profana, ligada à prostituição, drogas etc. Com o projeto Carnaval Solidário, mostramos ao mundo que o Carnaval, além de gerar divisas, empregos e mão de obra qualificada, tem o seu lado solidário, no caso, com foco na distribuição de alimentos, ajudando aos mais necessitados.


Entrevista com Nilma de Oliveira

Primeiramente, como se sente tendo sido a escolhida para ser a representante da cidade de Cabo Frio?
Nilma: Me sinto lisonjeada. É um sonho, ainda mais por eu ser uma rainha "forasteira", já que não nasci em Cabo Frio, e sim em Minas Gerais. Parece que o hino da cidade de Cabo Frio foi feito para mim - "Forasteiro, não há forasteiro, / Pois nesta terra todos são iguais..." É uma honra maior ainda, porque fui escolhida por unanimidade pela Liga, Associação e Secretaria de Turismo para ser a representante dos 400 anos da cidade. Faço tudo isso por amor!

O que o Carnaval é para você?
Nilma: Carnaval é cultura, manifestação popular, não é uma festa profana. É uma festa sem discriminações, todos são iguais. Onde até a pessoa mais humilde pode se tornar um mestre-sala e encantar a todos com seu bailado. Carnaval é coisa séria!

Com base no Carnaval Solidário mencionado pelo presidente da Liga dos Blocos de Cabo Frio, e você, sendo a representante máxima de blocos e escolas de samba, como Nilma de Oliveira atua no campo da Solidariedade?
Nilma: Sou mamãe Noel há 28 anos, ajudo comunidades carentes, tenho um programa de TV na emissora local, onde reúno crianças necessitadas. Vou inaugurar um Espaço Cultural para ensinar às crianças tudo sobre a arte do Carnaval.


Entrevista com Marcos Chaves:

Presidente, quantas agremiações, hoje, fazem parte do Carnaval de Cabo Frio?
Marcos: Hoje temos o total de 11 agremiações, sendo divididas em dois grupos - o grupo de Acesso e o grupo Especial, que desfilam em dois dias da semana após o Carnaval do Rio (sexta e sábado).

E para o Carnaval 2016, o enredo das escolas de samba será de tema único como em 2015 ou livre?
Marcos: Para 2016, os temas serão livres. Em 2015, foram de tema único para que todos pudessem prestar uma homenagem aos 400 anos da cidade de Cabo Frio.

Qual o intuito de se realizar um Carnaval na Cidade de Cabo Frio já que há uma proximidade grande da Cidade com o Rio de Janeiro?
Marcos: O intuito é ratificar Cabo Frio como centro cultural e econômico, a "capital" da Região dos Lagos.

Em conversa com nossa equipe, o senhor menciona que esteve em reunião com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), Jorge Castanheira. Sobre o que trataram?
Marcos: Tratamos sobre a possibilidade de fazermos um circuito municipal do Carnaval que ocorreria mensalmente em todas as regiões. Isso proporcionaria um engrandecimento do Carnaval, sem tirar o brilho do Carnaval do Rio de Janeiro, possibilitando um intercâmbio cultural entre os profissionais locais e os do Rio, além de levar um pouco dessa festa popular para todos. Cabo Frio, Macaé e Campos já realizam este circuito promovendo os seus Carnavais em datas distintas das do Rio.

Tenho observado um apelo cultural muito forte quando abordamos o tema Carnaval na Cidade de Cabo Frio. O que tem a nos dizer sobre isso?
Marcos: O capitalismo não é o fator decisivo no nosso Carnaval, e sim a Cultura. Inclusive, temos a rubrica da Secretaria de Cultura para realizá-lo. Fazemos esse evento por amor a ele, e para resgatar sua pureza e simplicidade. Interagimos o ano todo na comunidade, porque a comunidade somos nós. É um evento que atrai turismo para a cidade, de forma cultural e não apenas econômica.

 

*entrevistas realizadas por Rachel Waknin, em colaboração voluntária ao SRZD


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