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Joan Amato

Joan Amato

SAÚDE ESPORTIVA. Formada em 2002 pela UERJ, iniciou a carreira como médica intensivista. Para tratar as pessoas fora do hospital, fez pós-graduação em medicina do esporte e tornou-se especialista em Nutrologia. É membro da International Society Of Sports Nutrition. Por adorar escrever, fundou o site Nutroesporte.com.

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23/07/2015 10h06

As diferenças entre suplemento, bomba e doping
Joan Amato

Estamos em plena época do Pan-Americano e a palavra doping já aparece. Ao mesmo tempo, você, que toma sua creatina, escuta da sua mãe que isso é bomba, enquanto você jura ser só um suplemento para crescer e ficar igual ao fortão da academia, que jura comer só frango, batata doce e beber muita água. Então, vamos esclarecer o que é o que e quais as consequências do uso de cada "classe" dessas substâncias.

Foto: DivulgaçãoVamos começar com o doping - ou dopagem, pelo órgão oficial brasileiro, a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), ou dope, pela Academia Brasileira de Letras. Eu gosto de doping: universal, internacional, todo mundo entende. Doping é o ato de usar qualquer substância que aumente a performance do atleta e existe uma lista destas substâncias. A WADA (World Anti-Doping Agency) caracteriza doping como a violação de uma ou mais regras que fazem parte do Código Anti-doping. Essa lista compreende desde o uso de substâncias proibidas (como anabolizantes, diuréticos, drogas e eritropoetina) até tráfico ou posse dessas substâncias. Se alguém da equipe é cúmplice no uso de doping, isso também configura violação do Código. Até o fato do atleta não conseguir ser localizado entre competições, para realizar testes "fora-de-competição", também é uma violação do código. Qualquer substância que o atleta faça uso é de inteira responsabilidade dele.

Porém, muitos atletas não usam substâncias proibidas, mas ainda assim testam positivo para doping, porque usaram algum suplemento contaminado com, principalmente, anabolizantes ou estimulantes. Suplemento não é considerado doping. Mas todo cuidado é pouco porque, dependendo da origem do suplemento, existe uma grande chance de contaminação. No Brasil, a Anvisa se encarrega de regulamentar e fiscalizar os suplementos, que ela chama de "alimentos para atletas". Em outros países, como nos Estados Unidos, o órgão que regulamenta os suplementos não é o mesmo que regulamenta remédios e drogas, então o nível de fiscalização diminui e é comum a contaminação nos suplementos. Portanto, a WADA não recomenda o uso de suplementos para evitar que o atleta seja pego num teste sem culpa no cartório.

Ao mesmo tempo, vários artigos meus já mostraram como, muitas vezes, um atleta vai precisar de suplemento, seja para atingir o total de proteínas e calorias do dia, seja para ganhar massa muscular ou para aumentar a tolerância aos treinos. Nesse ponto, eu sou a favor da prescrição de suplementos nacionais, por conta da regulação que a Anvisa faz. Ainda assim, volto a repetir que uma dieta balanceada é o melhor recurso ergogênico e que, antes de usar qualquer suplemento, é necessário o ajuste do que o atleta come.

Até aqui, falamos de atletas de alto rendimento, mas a realidade é que muitas pessoas que praticam exercício de forma recreativa (sem intenção de competir) usam suplementos, na maior parte das vezes por conta própria e sem orientação, e muitos começam a usar bomba para emagrecer ou ganhar massa muscular mais rápido. O termo bomba geralmente é usado quando nos referimos aos anabolizantes. E, como já escrevi, anabolizantes são doping. Usar anabolizantes para "crescer" é usar uma droga com vários efeitos colaterais de modo fútil, pois essas substâncias são carregadas de efeitos colaterais graves. Não compensa pagar o preço de aumentar as chances de infarto e câncer.

Ainda assim, muitas, várias pessoas usam sem nem saber a procedência do que estão usando.

O Pan-Americano 2015 acontece nesse momento em Toronto, no Canadá, e até o dia 20 de julho o número de atletas pegos no controle antidoping já havia chegado a 10! Mais de 2 mil testes vão ser realizados no total, com o intuito de proteger o esporte limpo.

Joan Amato. Foto: Acervo pessoalEstou escrevendo isso tudo com propriedade, pois já trabalhei em eventos esportivos nas comissões antidoping e tive a honra de ser uma das primeiras profissionais brasileiras a receber a certificação de agente de controle de dopagem da ABCD, no início deste mês. Em junho, foi publicado um capítulo que escrevi justamente sobre o tema, a diferença entre suplemento e doping. Na fanpage do site Nutroesporte no Facebook, você encontra uma promoção, pois eu vou sortear o livro onde tem esse capítulo que escrevi. Quem quiser participar é só acessar e conferir.


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Comentários
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    05/01/2016 12:43:02elias gmesAnônimo

    Eu sou professor e personal treine,e acho o uso de anabolizante, desnecessário a pratica esportiva pois os resultados são rápidos mas os efeitos sao desastroso, já vi casos de ter que amputa o membro por uso direto do anabolizante.

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