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Haroldo Monteiro

Haroldo Monteiro

VAREJO. Formado em Administração de Empresas e Engenharia Econômica pela UERJ. Possui vasta experiência no mercado de varejo tendo atuado como executivo em várias empresas deste setor. MBA em Business Administration pela Ohio University, e sócio da Planning & Management, consultoria especializada em gestão e estudos de tendências econômicas para o varejo. É professor convidado do Coppead, onde ministra Administração Financeira de Curto Prazo.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



03/08/2015 13h25

Afinal é possível não colocar uma meta, deixá-la aberta, e quando atingir a meta, dobrar esta meta?
Haroldo Monteiro

O discurso da presidente Dilma Rousseff sobre o Pronatec gerou uma enorme repercussão na mídia, tendo recebido várias críticas, quando ela disse: "E nós não vamos colocar uma meta, nós vamos deixar uma meta aberta, quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta".

Foto: ReproduçãoNão é tema deste artigo avaliar performance da presidente Dilma, mas aproveito este polêmico discurso em que ela fala de metas, para fazer uma analogia ao mundo da criatividade e inovação, que hoje são considerados fatores essenciais ao desenvolvimento de novas empresas e também como fonte de geração de valor nas existentes. Seria então realmente um "nonsense", a colocação da presidente?

A princípio faço algumas definições:

Criatividade - é o processo no qual se desenvolvem novas ideias ou, ainda, segundo Steve Jobs, a criatividade em arte e tecnologia é sobre a forma de se expressar de um indíviduo. Ou seja, uma invenção tende a ser uma ruptura, algo essencialmente novo, mas sem a preocupação imediata com resultados financeiros.

Inovação - é tradução deste ideia em novo negócio/solução rentável e que venha criar valor agregado.

Os temas criatividade e inovação vêm recebendo uma atenção especial tanto de consultorias especializadas como de grandes gestores.

Segundo um relatório da consultoria Mckinsey, para se obter um inovador modelo de negócio, o criador deve formular uma hipótese radical que ninguém queira acreditar, ou que pelo menos ninguém dentro do seu setor acredite. Após esta criação, transforme-o em um novo mecanismo de interação com o seu consumidor e desenvolva um novo modelo de negócio que gere valor.

Já Steve Jobs em sua forma de gestão da Apple pregava que: "Não ouça seus consumidores, eles não sabem o que eles querem".

Steve não acreditava na estratégia de perguntar o que o consumidor queria e sim na ideia de criar algum produto que ele (consumidor) passasse a julgá-lo como necessário. Ele perguntava: "Pois como é possível perguntar a alguém como um computador gráfico deve ser se ele não tem ideia do que é um computador gráfico?"

Desta forma, posso concluir que no mundo da criatividade e da inovação a frase da presidente faria sentido, além disto poderia dizer que ela traduz de uma maneira inusitada uma forma estratégica de pensar sobre o tema, conforme descrevo abaixo:

Podemos acreditar que para desenvolver um novo produto ou serviço que venha a mudar toda a forma de pensar ou agir do consumidor, ou proponha soluções para problemas existentes ou ainda crie um novo desejo no consumidor, no início o mais importante é ter a ideia, e desenvolver toda a criatividade através da arte ou tecnologia, sem pensar em metas. Portanto, a princípio, NÉO VAMOS COLOCAR META, VAMOS DEIXÁ-LA EM ABERTO, o foco é a criatividade.

Num segundo momento, entra em campo o fator inovação. É nesta hora que o criador trasforma este novo negócio em uma nova solução, fazendo com que o consumidor tenha a experiência do produto e passe a ter a necessidade dele, deseje-o. Nesta etapa, podemos considerar que ATINGIMOS A META, ou seja, o consumidor passou a demandar o produto que foi criado.

Num terceiro momento, a empresa passa a adicionar valor, pois seu produto hoje tem um público leal, que reconhece o valor de seu produto.

Logo esta empresa tem uma noção do que é realmente seu mercado podendo traçar metas tangíveis e, assim, até DOBRAR A SUA META, que foi traçada inicialmente nesta fase do processo.

Podemos concluir que, antes das empresas pensarem em metas sobre produtos ou serviços existentes, elas devem fomentar a cultura organizacional que permita e valorize a criatividade, pois somente o sucesso desta estratégia é que torna capaz a construção de valor a partir de ativos intangíveis. A princípio não vamos colocar metas, foque na criatividade, pois se atingirmos a meta do desejo de compra do consumidor de um produto que ele ainda não tinha experimentado, poderemos dobrar esta meta e nos tornarmos muito mais competitivos e gerando mais valor.

"Criatividade é conectar as coisas. Quando você pergunta a uma pessoa criativa como ela fez aquilo, ela se sente um pouco culpada pois ela realmente não fez, ela apenas viu alguma coisa." - Steve Jobs


Comentários
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    09/08/2015 12:26:00Luiz Claudio LopesAnônimo

    Muito malabarismo pra trazer profundidade a uma frase nada mais que mal formulada. Gentil da sua parte estabelecer estes paralelos, ma,s como profissional de criação que passou a vida toda buscando caminhos novos pressionado pelas metas e pelos prazos,achei que o artigo forçou um pouco a barra e espremeu o pé pra conseguir cabê-lo no sapato apertado. Mas tudo bem, adorei as citações do Jobs, da Mckinsey... Mas que foi apenas mais um trololó da Dilma no melhor estilo Rolando Lero, ah, isso foi :)

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    03/08/2015 20:17:29carlos camposAnônimo

    CRIATIVIDADE= Lula criar um "poste" e ajudar a colocá-lo no Poder.

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    03/08/2015 16:02:21Ermindo Cecchetto Jr.Anônimo

    Segundo o Aurelião meta é "alvo, mira, objetivo". Se não é isso que se quer expressar que se use outra palavra. Atualmente, aqui no Brasil, se chama urubu de meu loiro. Ã?bvio que essa imprecisão linguística só causa confusão.

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    03/08/2015 13:33:14Carlos Henrique Gouveia de Mello=JD=BobAnônimo

    A duplicação do nada.Coisas da mulher sapiens,háháháháháháhá.

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