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Joan Amato

Joan Amato

SAÚDE ESPORTIVA. Formada em 2002 pela UERJ, iniciou a carreira como médica intensivista. Para tratar as pessoas fora do hospital, fez pós-graduação em medicina do esporte e tornou-se especialista em Nutrologia. É membro da International Society Of Sports Nutrition. Por adorar escrever, fundou o site Nutroesporte.com.

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28/08/2015 08h32

Exercícios na gravidez
Joan Emmanuelle Amato

A filha de Bella Falconi nasceu. E você a acompanhou durante toda a gravidez, fazendo exercícios de força com pesos. Além dela, muitas outras mulheres que faziam exercícios antes continuaram, mesmo com um barrigão de grávida. Coisa que antes nem se imaginava e ainda causa estranheza. Claro que já ouvi "mas para que isso?". A resposta foi "por que não?".

A gravidez não é doença. E, até se fosse, hoje a indicação é de tirar o paciente do leito e colocá-lo sentado na cadeirinha ou andando pela unidade de internação. Eu vejo isso nas UTIs todos os dias e os trabalhos mostram que quanto antes uma pessoa sai da cama depois de cirurgia ou durante internação na UTI, melhor para ela, porque diminui o tempo de internação hospitalar, diminui a chance de complicação e melhora a qualidade de vida após a alta.

O mesmo vale para as grávidas. A imagem da grávida repousando não é mais tão aceita, justamente porque a falta de movimento pode complicar a saúde. Com exceção, obviamente, das mulheres que precisam ficar em repouso por recomendação do obstetra por alguma ameaça à gestação. Mas ao falar de gravidez normal, felizmente, a maioria delas, estamos falando de mulheres que podem e devem fazer algum tipo de exercício.

Fotos: Acervo Pessoal

Quando a mulher engravida, uma das primeiras preocupações é não ganhar muito peso. Uma boa forma de predizer quanto cada uma pode ganhar, é relacionar o índice de massa corporal (IMC) de antes da gravidez ao quanto de peso pode-se ganhar, de acordo com o Institute Of Medicine. O IMC normal fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2. Essa mulher pode ganhar entre 11,5 e 16kg. Mulheres abaixo do peso, com IMC menor que 18,5, podem ganhar de 12,5 a 18kg. Quem tem sobrepeso (IMC de 25 a 29,9kg/m2), deve ganhar menos, entre 7 e 11,5 kg. Porém, quando a mulher está na faixa da obesidade (grau I, IMC de 30 a 34,9; grau II, de 35 a 39,9; grau III, acima de 40kg/m2), não existe uma faixa definida de quantos quilos essa mulher deve ganhar, mas, de qualquer forma, o peso na balança deve subir, pois as alterações no corpo e o peso do bebê, placenta e líquido amniótico podem somar entre 12,7 e 13,1kg já no final da gestação a termo.

Como falamos na semana passada, o ideal é que a mulher esteja no IMC normal antes de engravidar, pois a obesidade pode trazer algumas complicações no desenvolvimento do bebê e risco para a mãe. Porém, não é errado iniciar exercícios durante a gravidez. Se uma mulher é sedentária e decide começar a caminhar ou fazer hidroginástica na gravidez, ela pode fazer se não houver nenhuma contraindicação obstétrica ou clínica. Porém, ela vai fazer exercícios mais leves do que quem já fazia exercícios antes. Se ela já fazia musculação ou corria, ela vai continuar fazendo, mas com alguns cuidados em certos movimentos.

Independente do grau de exercício antes da gravidez, todas as mulheres grávidas devem se hidratar e evitar as horas de maior calor, porque a temperatura central (lá dentro do corpo) pode subir a ponto de prejudicar o bebê. É mais aconselhável exercícios em horários mais frescos. Ao longo da gravidez, o corpo da mulher muda por conta do crescimento do feto, alterando o centro de gravidade, a marcha e os batimentos cardíacos (a mãe fica mais taquicárdica) e essas alterações devem ser respeitadas, pois há maior risco de dores devido às alterações de postura. A progesterona, elevadíssima na gravidez, tende a deixar os tendões e ligamentos mais frouxos, com maiores chances de torções, rupturas e luxações.

Marcella Blume, 31 anos, é praticante de Crossfit. "Quando descobri a gravidez, eu já estava com 8 pra 9 semanas, e aí continuei treinando. Meu marido, que é meu coach, me deu a maior força", disse a fisioterapeuta, que sempre fez exercícios. Porém, a decisão de manter os treinos pesados gerou polêmica. "Minha família e amigos próximos, no início, me achavam maluca e morriam de medo que algo acontecesse. E as pessoas de fora que viam meus vídeos e fotos, nem se fala".

Durante quase toda a gravidez, Marcella fez exercícios, ganhando 12kg até o final, quando teve sua filha por parto normal. Quando perguntada se os exercícios fizeram diferença na recuperação após o parto, ela disse que "ajudou muito e fez toda a diferença até na hora do parto. Voltei a treinar após 15 dias". Marcella também diz que só praticou crossfit grávida porque já fazia. "Eu jamais iniciaria o crossfit grávida". Sua obstetra foi a favor dos exercícios, pois era uma gravidez sem complicações e "na hora que ela falou pra diminuir e parar, eu respeitei".

A dica que ela deixa para as mulheres que pretendem engravidar é não deixar de fazer exercícios, "seja qual ele for, pois os benefícios pra gestante e bebê são muitos. A gestante fica mais disposta, menos inchada, consegue manter o peso, ajuda a fortalecer os músculos que sustentam a barriga, além de ajudar a manter o condicionamento daquelas mamães que querem ter um parto normal, pois não é nada fácil". E ela enfatiza que tudo deve ter acompanhamento profissional de um médico e professor de educação física e/ou fisioterapeuta.

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