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29/08/2015 12h35

Império da Tijuca vai levar samba da parceria de Adriana Vieira para a Sapucaí em 2016
Redação SRZD*

Uma noite felomenal. Assim, podemos descrever a final do Império da Tijuca. Com a quadra da coirmã Unidos da Tijuca apresentando uma boa quantidade de torcedores, a escola do morro da Formiga definiu nessa sexta-feira o samba-enredo que homenageará o ator e cineasta José Wilker.

Com o enredo "O tempo ruge, a Sapucaí é grande e o Império aplaude o Felomenal", do carnavalesco Júnior Pernambucano, a agremiação escolheu o samba da parceria de Jussara, Dalton, Luiza Fontella, Adriana Vieira e Lid para ir em busca do campeonato e, consequentemente, do acesso à elite do carnaval carioca em 2017.

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Foto: SRZD

Tê. Foto: SRZDEm entrevista ao site SRZD-Carnaval, o presidente Antônio Marcos Telles (Tê) explicou a mudança da temática de enredo da escola. "Foi uma mudança drástica. Saímos de um enredo afro que já estávamos acostumados e estamos apostando num enredo autoral. Houve uma diferença, mas, nada mudou em relação ao desenvolvimento do enredo, da escolha do samba. O tema foi bem aceito e rendeu bons sambas. Certamente vamos levar uma bela obra para a Avenida".

O presidente também cobrou o cumprimento da promessa feita pelo ex-governador Sergio Cabral Filho perante comunidade do morro da Formiga, onde prometia a liberação do terreno para a construção da nova quadra da escola. "Essa nova gestão não funcionou e não comentou mais nada sobre o espaço para a construção da nossa quadra. Nós ainda acreditamos que esse espaço possa ser liberado para a construção da nossa quadra", disse.

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A festa começou às 23h45 com a Sinfonia Imperial comandada pelo mestre Capoeira ditando o ritmo da noite. Os segmentos realizaram um belo espetáculo. Destaque para a apresentação da comissão de frente comandada pela coreógrafa Raphaela Machado e pela beleza da ala de passistas.

Foto: SRZDAntes da disputa do samba-enredo, a agremiação resolveu homenagear alguns personagens que estarão no desfile oficial. A atriz Erika Januza, que interpretará Xica da Silva, e o ator André Segatti, que encarnará o personagem Vadinho de "Dona Flor", foram os homenageados. Quem também recebeu uma homenagem foi a filha de José Wilker, Mariana Vielmond.

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Em entrevista ao SRZD-Carnaval, Mariana Vielmond conta como a família recebeu essa homenagem prestada pelo Império da Tijuca. "Recebemos com muita emoção e com muita alegria, realmente é uma honra. Nós achamos que é a "cara" dele pois ele amava o carnaval, ele era uma mistura de tudo: erudito, popular, clássico. Estamos acompanhando todos os preparativos desse carnaval e cada novidade que chega é muito emocionante para nós. Percebemos que tudo é feito com muito carinho, cuidado, sinceridade e emoção".

A Disputa

Ainda durante a semana, a direção da agremiação realizou sorteio na quadra do Império da Tijuca, com a presença de todas as parcerias classificadas. Ficou estabelecida a ordem de apresentação dos sambas para a grande final (samba 1,2,4 e 3). Foram 30 minutos de apresentação para cada parceria. Ao atingir o décimo minuto, o canto da torcida foi ainda mais exigido, pois, durante duas passadas do samba, a bateria e os intérpretes deixaram o canto apenas com os torcedores.

Apresentação do samba 1, parceria: Marcão Meu Rei, Márcio André, André Levy, Paulinho Poeta e Vaguinho: O samba foi defendido pelos intérpretes Igor Viana e Igor Sorriso. A torcida compareceu em bom número, a animação estava garantida com muitas bandeiras e mostrou uma boa evolução. Um boneco gigante foi utilizado para dar vida ao homenageado e uma rede de bolas caindo do teto da quadra aumentou o colorido da festa. Se por um lado a animação era grande, por outro o canto deixou muito a desejar. A maioria da torcida não cantava o samba durante toda a passada. O samba "funcionou" apenas no refrão. Nesse momento era possível perceber um canto da torcida. Muito tranquilo, o veterano compositor Márcio André justificou a pouca quantidade de obras na disputa pela crise financeira do país.

"Manter um samba na disputa é muito caro. O pouco prazo para a confecção do samba também foi comentado. Foram apenas 20 dias para compor. Nesse prazo ainda precisamos tirar o tempo que gastamos no estúdio. O prazo foi muito curto", finalizou o compositor, que só este ano já ganhou cinco disputas de samba no eixo Rio-São Paulo.

Apresentação do samba 2, parceria: Alípio, Guilherme Sá, Jorge TQ, Ismael e Ferreti. Uma parceria que subiu ao palco tendo o gostinho de já ter sido campeã pela escola. A torcida era composta por mais ou menos 200 pessoas. Nos microfones, Bruno Ribas e Leonardo Bessa transmitiam muita alegria e garra aos torcedores. A torcida cantou bem o samba e com o uso de faixas e bolas mantiveram a animação durante todo o tempo. Esteve presente nas últimas três finais da escola. O compositor Guilherme explicou que para driblar a crise financeira eles juntaram três parcerias a fim de diminuir as despesas.

Foto:SRZD

Apresentação do samba 4, parceria: Gilmar Silva, Michel das Candongas, Serginho, Pedro e Rodolfo Caruso. Com bom número de torcedores, não faltou animação. Foram muitas bandeiras de cor branca com o símbolo da escola sendo agitadas pela quadra. A primeira fila da torcida cantou o samba com muita garra, o mesmo não se pode dizer dos demais torcedores que apenas agitavam as bandeiras. Uma chuva de bolas também animou os torcedores. O compositor Rodolfo Caruso culpou a crise econômica para justificar a quantidade pequena de sambas inscritos durante a disputa.

Apresentação do samba 3, parceria: Jussara, Dalton, Luiza Fontella, Adriana e Lid. A quadra já estava bem vazia quando a quarta parceria começou a disputa. Com um número bem menor de torcedores do que todos os concorrentes da noite, a parceria esbanjou criatividade para animar quem acompanhava a disputa. Caracterizados com os personagens do homenageado José Wilker, eles cantaram e encantaram. O centro da quadra parecia um baile de carnaval. A impressão que passava era que estar na final já era um prêmio. Dessa forma, os torcedores brincavam carnaval de forma muito descontraída e animada.

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Foto: Reprodução de Internet

Não demorou muito para o presidente Tê subir ao palco e através do canto do intérprete Rogerinho, anunciar a grande campeã da noite. A emoção de todos os envolvidos era percebida nas lágrimas. Exercendo a profissão de jornalista, a agora compositora campeã, Adriana Vieira, contou que se fosse começar o seu texto pensando em tudo o que estava acontecendo, começaria com a frase "Eu realmente realizei mais um sonho em minha vida".

"Jornalista escreve de tudo, todas as editorias, mas escrever samba é muito difícil. Mesmo com todas as dificuldades em meu primeiro ano como compositora, já sou campeã, é muita emoção".

Finalizando a festa, a bateria desceu do palco e caminhou até a área externa encerrando a grande final do Império da Tijuca.

Foto: SRZD

*Paulo Henrique Pereira - Colaborador do SRZD-Carnaval

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Comentários
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    31/08/2015 10:48:12da_mudaMembro SRZD desde 28/07/2010

    Ganhou a humildade, e se o samba não pode ser considerado um sambão o que vale é que as meninas arrebentaram e a Formiga veio atrás, valeu Império da Tijuca e posso garantir que esse samba vai ser cantado pela comunidade e TODOS os compositores...PARABÉNS (maiúsculo mesmo ). Háaa querido Presidente parabéns tb pra você bela escolha.

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