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Ednei Mariano

Ednei Mariano

CARNAVAL/SP. Natural de São Paulo, nasceu no bairro de Vila Mariana, Zona Sul. É pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor. Foi o primeiro passista da escola de samba Vai-Vai. Como mestre-sala, defendeu durante 34 anos de carreira os pavilhões da Barroca Zona Sul, Tucuruvi, Vai-Vai (de Honra), Rosas de Ouro e Unidos de São Lucas.

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14/09/2015 11h30

Parte 2: 'Tributo aos Deuses da Passarela'
Ednei Mariano

Os anos 70 fluiam e com ele novas escolas de samba foram surgindo, enquanto outras, iam desaparecendo...Mas a realidade era a solidificação dos nossos desfiles, o engrandecimento das nossas escolas e blocos.

Esta década estava marcada pela organização e a somatização de forças para a conquista em definitivo do nosso espaço na cultura sem perder o foco de que nosso samba é rural e esta influência se fazia presente ainda em nossas agremiações.

Neste contexto se estabeleceu a segunda grande ceia, e dela a participação dos cardeais do samba, e gente que chegava forte para somar nesta luta de várias décadas como; Juarez da Cruz, da Mocidade Alegre, Eduardo Basílio, da Rosas de Ouro, Renato Correia e Castro, o ator e diretor Plinio Marcos, o jornalista Cloves Messias, que tinha uma coluna especializada em samba, Paulinho Valentim, e o compositor Marco Aurélio, mais conhecido como Jangada.

Em 1975, a Uesp, União da Escolas de Samba Paulistanas, já era uma realidade, os dirigentes da época reconheciam através destes encontros que o Carnaval de São Paulo não teria retrocesso, por outro lado, o poder público destinava empresas mistas para organizar a festa e outros eventos da cidade, ali já se imaginava um maior profissionalismo para alcançar o reconhecimento nacional.

Na passarela, nossos casais, já adaptados as formas e normas do julgamento, tratavam de se esmerar na dança e na roupagem, que iam ganhando volume e glamour, era o investimento na dupla que comaçava a aparecer, enquanto o par ia se tornado o destaque nas quadras e nos desfiles, para isso, a busca de situação de dança melhor era a meta, e vários deles foram buscar referência em grandes mestres e damas da arte no Rio de Janeiro, inspirando-se em Delegado, Neide e Mocinha, da Mangueira, Vilma Nascimento e Benicio, da Portela, Peninha do Salgueiro e Ilha.

Assim nossos casais cresciam e nossa dança ganhava mais firmamento, cada um dando o seu melhor, por amor a seu pavilhão, e nos anos 70 e 80, houve uma enchurrada de poesia através dos giros delas e da elegância deles, nas pistas da São João e Tiradentes, os palcos das nossas entidades carnavalesca nestas décadas.

Era magia pura apreciar o bailado de Wagner Caetano e Sueli pela Unidos do Peruche. Solano Trindade continuava no comando altivo desta dança pela Mocidade Alegre, agora ao lado de Eneidir Gomes, que também bailou com Lima, Neco e Marco Antonio, em defesa do escola do bairro do Limão.

Na Zona Sul, eu deixava minha ala de passistas na Vai-Vai para me tornar mestre-sala pelas mãos do meu tio, Pé Rachado, na recém fundada, por ele, Barroca, ao lado de Bethe Roque, e em meados dos anos 80, eu iria para a Tucuruvi, e conheceria aquela que seria minha companheira de dança por mais de duas décadas, Gilsa Gomes, uma Deusa pelas atitudes e postura em favor da nossa dança.

Para meu lugar o mago Pé Rachado preparou e lançou Gabriel de Souza Martins, nosso Gabi, primeiro com a carioca Alice, que veio do Império Serrano, e depois fez carreira com Bethe Roque, a dupla se destacaria entre as melhores da época. Maria Inês continuava plena na condução do pavilhão da Nenê de Vila Matilde, agora ao lado do jovem Euclides, que se fez dançarino em contato com grandes mestres do Salgueiro, a dupla daria muitos anos de glória em favor do manto azul e branco.

Tiana firme ostentando por mais de uma década o pavilhão do Imperador do Ipiranga, com seu filho Rubinho e alternando com seu companheiro Jacó, ainda na escola da Vila Carioca, o talento do casal Forrozinho e Vania. Na Bela Vista, China continuava como primeira dama da escola, agora com Serginho, um exímio dançarino, em um bailar eletrizante aos olhos do povo para a glória da Vai-Vai, que continua bem no quesito com Cleusa Rossi, de uma família tradicional na escola, bailando com versáteis mestres, Serginho, Batucada e Urco, com suas notas ajudando nos títulos da preta e branca.

Já grandiosa, a Camisa Verde e Branco apresenta um casal à sua altura nestes anos de firmamento, Solange e Carlinhos Perna Longa, e Serginho Modelo, que enaltece o pavilhão do "Trevo" com o magnetismo de sua dança no longo percurso de nossas pistas. Ainda no final da década de 80, Serginho vai para Unidos do Peruche fazer par com Lidia Oliveira, porta-bandeira reconhecida como grande na cidade de Santos, que sobe a serra para encantar nossa Sampa.

Dora, filha do presidente Sinval Rosa e da bela passista Jaci Brito, defende por muitos anos com sincronismo e comprometimento o pavilhão da Império do Cambuci, seu primeiro e único amor. Nos anos 80, a Rosas de Ouro já era uma das grandes do nosso Carnaval e nos primeiros títulos do Especial de hoje, em 83 e 84, tem como primeira porta-bandeira a linda Diva Pavanese ao lado de Valtinho, encantando a passarela da Tirandentes, tendo como resultado belíssimas notas para a agremiação.

Os anos 90 despontam, nasce a nossa nova passarela, o Anhembi é nossa casa, e nele o primeiro casal da Gaviões da Fiel na categoria escola de samba, Antonio Carlos e Lucy, um belo casal, que teve muito aprendizado no Rio de Janeiro, ela uma pérola em postura e graciosidade, ele, um mestre arrojado e constante, passaram o pavilhão para o casal que ficaria por mais de quinze anos defendendo a escola Corinthiana, Michel e Ildely.

Ainda nos anos 90, anos de renovação em nossa dança, a realidade chegou, nossos desfiles ganhariam o Brasil, e nossos casais acompanhariam esta evolução através de Venesia Martins e Gabriel Martins, Vivi e Gabi, pela já campeonissima Camisa Verde e Branco, comandada por Magali dos Santos e sua filha Simone Tobias, a competência e o amor à nossa dança destas dirigentes dariam um novo norte para a arte.

Na Mocidade Alegre, com a exelência em termos de dança, Murilo e Sonia Moreira, a gala e postura estava nas apresentações destas duplas que abririam novos horizontes para a grande massa que chegava.

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Comentários
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    20/05/2016 12:08:29MARINA MARIA DE OLIVEIRA ANTONIOAnônimo

    Grande mestre Ednei, parabéns pela bela matéria, onde muitos de nós casais não sabemos um terço do seu aprendizado, você poderia escrever um livro com todos os seus conhecimento e assim a historia nunca iria se acabar.. Depois dizem que o Samba Paulista não tem nada pra contar... Obrigado por compartilhar conosco tudo isso...

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    30/09/2015 21:31:31Ednei MarianoAnônimo

    Com certeza, este texto me causou grande alegria ao saber que a gente conseguiu tocar pessoas da nossa area e despertar nelas a vontade de estar novamente nas quadras e curtindo nosso povo, trazer a arte destes que fizeram a alegria de muitos no final dos anos 70 e anos 80, foi sem duvida um desafio, ja que não temos registros destas pessoas, ai apelamos para a mente daqueles que como nós vivenciaram este momento de São João e de Av. Tiradentes. Infelismente algumas pessoas ficaram de fora, gente tão importante como a Porta Bandeira Olga que brilhou na Mocidade Alegre, como o elegate Mestre Sala Caca, da Camisa Verde e Branco, que fez par com a Solange, gente de valor real que muito contribuiram até para estarmos aqui. Agradecer pessoas como Simone Tobias, Roberto Silva. Fabinho Parra, que me ajudaram nestas consultas, ao meu povo daqui do SRZD-SP, que continuam acreditando neste projeto, vamos em frente logo mais, novos Contos e cronicas do nosso povo. é isso.

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    17/09/2015 10:58:41DoraAnônimo

    Ednei, boa tarde! Me sinto lisonjeada por ter sido lembrada em seu texto, muito obrigada! E parabéns pela iniciativa, pois é uma forma de resgatarmos a identidade do verdadeiro samba paulista. Atenciosamente, Dora/Impér io do Cambuci.

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    16/09/2015 17:06:47Valéria RaquelAnônimo

    Mestre, muito me honro em ter participado de grande parte do período citado e ter podido vislumbrar a maioria dos casais citados Dentre ele: Gabi e Vivi, Carlinhos Perna Longa, Mivaldo e Glória (citados em publicaçao anterior) Vc e Gilsa, Murilo e Sonia (minha musa inspiradora), A Dora que seja quem fosse seu par, brilhava como Rainha na passarela - também minha inspiradora, Michel e Ildely dentre tantos outros. Obrigada pela recordação, agora eternizada em suas palavras.

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    16/09/2015 16:41:29Harry de CastroMembro SRZD desde 26/09/2012

    Murilo e Sonia Moreira, ai que espetáculo. Quem viu, viu!

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    16/09/2015 11:01:42Pablo SouzaAnônimo

    Muito bom. Grande mestre.

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    15/09/2015 22:08:40sandra de jesusAnônimo

    Parabéns mestre Ednei, belíssima materia enaltecendo nossos eternos casais de MS e PB, realmente eles são um exemplo ha ser seguidos, e vc é maravilhoso como sempre, com os seus conhecimentos nos ensina as belissimas historia do mundo do samba Parabéns!!!!!

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    15/09/2015 22:08:09maria sandra de jesusAnônimo

    Parabéns mestre Ednei, belíssima materia enaltecendo nossos eternos casais de MS e PB, realmente eles são um exemplo ha ser seguidos, e vc é maravilhoso como sempre, com os seus conhecimentos nos ensina as belissimas historia do mundo do samba Parabéns!!!!!

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    15/09/2015 12:32:15alex santosAnônimo

    Parabéns pois sempre com texto lindos emotivos ao samba paulistano que show

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