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Marcio Coelho

Marcio Coelho

LÍNGUA PORTUGUESA. Consultor lexicográfico da Academia Brasileira de Letras· Cursou Letras Português/Latim e Português/Literaturas. É corretor das redações do Vestibular da Cesgranrio e das provas discursivas da UFRJ. Palestrante sobre Novo Acordo Ortográfico, na Bienal do Livro do RJ. Escreveu dois capítulos na "Gramática Escolar da Língua Portuguesa, do Professor Evanildo Bechara: interpretação de textos e grafia das palavras" e também capítulos sobre questões de concursos públicos no livro "Língua Afiada" (no Jornal Extra), do Professor Sérgio Nogueira. Ministrou curso de capacitação, no Ministério Público Federal. Lecionou nos cursos e colégios Miguel Couto, Bahiense, Martins, Princesa Isabel, Escola Naval etc. Foi professor da rede estadual de ensino. Elaborou prova de Língua Portuguesa para o concurso do magistério da Rede Pública Municipal (1° e 2° graus).

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08/10/2015 12h26

Dúvidas de Português - A crase não foi feita para humilhar (Parte I)
Marcio Coelho

Você já deve ter ouvido falar que "a crase não foi feita para humilhar ninguém"; mas, às vezes, humilha... e como!

De modo geral, as pessoas não gostam de regrinhas, muito menos as de crase, mas, ao menor sinal de dúvida, pimba! colocam a pobrezinha onde não deveria haver, ou, pior, esquecem que ela existe. Aí é um tal de "obras à 100 metros", pra cá; "vira a esquerda", pra lá, "entregas à domicílio", pra acolá, "comida à quilo", pra depois de acolá, e assim vai, a confusão está instaurada - tudo muito, muito doido.

Vamos colocar um pouco de ordem no caos?
Afinal, o que é a tal da crase?

A crase consiste na contração de sons vocálicos idênticos. Em português, o que vai nos interessar é a fusão de "a+a", o que ocorre nos seguintes casos:
1- Preposição A + artigo definido A: "Vou A A cidade bela":

O verbo ir pede preposição A. A palavra cidade pede artigo definido A; então, juntam-se os dois as (a isso chamamos de crase), e coloca-se o acento grave para indicar que houve a crase: "Vou à cidade bela".

2- Preposição A + pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo:
a) "Vou A aquele bairro": o verbo ir pede preposição A, e o pronome aquele começa pela letra A, assim: "Vou àquele bairro".
b) "Vou A aquela cidade" o verbo ir pede preposição A, e o pronome aquela começa pela letra A, então: "Vou àquela cidade".
c) "Refiro-me A aquilo": o verbo referir-se pede preposição A, e o pronome aquilo começa pela letra A, portanto: "Refiro-me àquilo".


Logo, fica combinado assim: primeiro você observa se aparece, na frase, palavra que exija preposição a; depois veja se a palavra seguinte começa pela letra a; aí é só colocar o acento grave (`) indicativo da crase, e pronto!

Vamos treinar?

1) O aluno se refere aquele livro.
2) O aluno viu aquele livro.
3) Isto é prejudicial a saúde.
4) Entregue o bilhete a esta moça.
5) Entregue o bilhete a moça do escritório.
6) Dirigi-me a funcionária da empresa.
7) Dirigi-me a uma funcionária.
8) Apresentou o amigo a mãe.
9) Apresentou ao amigo a mãe.
10) Ainda não fui a farmácia.


Gabaritos:
1) Àquele
2) Aquele
3) À
4) A
5) À
6) À
7) A
8) À
9) A
10) À

 


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