SRZD



Chico Junior

Chico Junior

DE TUDO UM POUCO: UM BLOG ECLÉTICO. Jornalista e escritor. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do estado do Rio e é autor de cinco livros: "Histórias de Sexo, Amor e Porrada" (contos, Ed. Codecri, 1979), "Drogas" (Coleção "Certos Costumes", Ed. Codecri, 1983), "Brincando nas estrelas" (infantil, Ed. Memórias Futuras, 1984), "Roteiros do Sabor Brasileiro" (gastronomia, CJD/Sebrae, 2005) e "Roteiros do Sabor do Estado do Rio de Janeiro" (gastronomia, Ed. Senac Rio, 2007).

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



11/10/2015 12h04

Considerações sobre o sexo, o amor e o encanto (2)
Chico Junior

O que leva uma pessoa a se encantar por outra?

Bem, se as duas pessoas são sexualmente ativas, não resta a menor dúvida: sexo é premissa.

Todos sabemos, como eu já disse em outro texto, que sexo é construção, é desenvolvimento. Mas se, na primeira vez, não bater algo diferente, lá no fundinho de cada um de nós, não adianta ficar tentando, pois aí será o sexo pelo sexo, e o encanto não vem. Sexo não é apenas penetração e orgasmo; sexo é um "ato" sexual, que pressupõe uma troca de sentimentos. Na primeira vez, algo tem que nos levar a "praticar" uma segunda vez, quem sabe a terceira, a quarta...

Como eu também já falei no tal outro texto mencionado ali em cima, sexo é bom sempre, ou seja, o sexo casual também pode ser bom, mas se for apenas uma vez, ou em espaços de tempo muito longos, não se construirá o encanto. Pode ser até que, na primeira vez, um dos parceiros fique encantado pelo outro. Mas do que adianta isso se o outro não se encantar também?

Como, ao se construir o encanto, o amor ainda não está consolidado, entram em cena outros fatores relacionados à aproximação de um pelo outro, como a admiração. Ambos têm que encontrar no outro sinais de admiração. Admiração pelo seu trabalho, pela seu modo de levar a vida, pelas suas palavras, pela sua pele. Se apenas um estiver sendo admirado, este um se sentirá um deus, onipresente na relação, discursando - em vez de dialogar - sempre diante do outro, um simples mortal.

A conversa é outro sentimento que faz parte do encanto. Conversar tem que ser bom para ambos; tem que ser bom um ouvir a conversa do outro. Temos que escutar com atenção as histórias que o outro conta. E temos que sentir que as nossas histórias estão sendo bem recebidas pelo parceiro. Falar sozinho em uma relação é o princípio do fim do encanto.

Alegria. O encanto pressupõe alegria, risos e sorrisos. A relação tem que sorrir para ambos. Se não houver risadas, não há alegria, não há encanto. Isso me remete a uma entrevista de Roberto Marinho (fundador das Organizações Globo) falando sobre a sua mulher, na época, Lilly de Carvalho (depois Marinho). Ambos já eram bem "vividos"; ela tinha 70 anos quando se casaram; ele, 86. Ao explicar uma das razões que o levaram a esse casamento, nessa altura da vida, ele disse: "ela me faz rir, me traz alegria (se não foi  isso exatamente, foi quase isso). Ou seja, um tem que fazer o outro rir.

E, finalmente por hoje, o carinho, que deve ser transbordante e recíproco. Tudo com carinho e respeito é mais gostoso; imaginem, então, numa relação a dois. Se o sexo é bom, com carinho é muito melhor. Devemos ser totalmente livres e abertos para dar e receber carinho.

E se, no meio disso tudo, tiver paixão, aí o encanto fica completo. Mas paixão é coisa que dura só um tempo mesmo. E aí a gente tem que aproveitar. E lamber os beiços. Um momento em que possamos, com paz, calma e atenção, passar a energia de um para o outro. Que dure apenas um instante, um dia, uma hora, sei lá, mas que seja pleno, total.


Veja mais sobre:SexoAmor e Sexo

Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.