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Tadeu Kaçula

Tadeu Kaçula

CARNAVAL/SP. Sambista, sociólogo e pesquisador das origens do samba e da cultura tradicional de São Paulo. Fundador do Instituto Cultural Samba Autêntico e do Projeto Rua do Samba Paulista. Idealizador e produtor do projeto Memória do Samba Paulista, que reúne uma coleção com 12 CDs dos principais sambistas e Velha-Guardas das Escolas de Samba de São Paulo. Diretor cultural da Uesp - União das Escolas de Samba Paulistana - e membro do departamento cultural da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Ex-presidente da Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco. Autor do livro "Casa Verde - Uma pequena África na Zona Norte de São Paulo".

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13/10/2015 15h36

Dos cordões às escolas de samba - parte 5
Tadeu Kaçula

Em 1935, Eupídio de Faria funda a escola de samba 1ª de São Paulo e, dois anos depois, em 1937, em plena instauração do estado novo no Brasil, Madrinha Eunice funda a primeira escola de samba ainda em atividade, a Lavapés!

Essas foram as primeiras escolas de samba fundadas em São Paulo em plena era dos saudosos Cordões carnavalescos que imperavam até o final da década de 1960 na capital paulista.

À época, o então prefeito da cidade de São Paulo, Faria Lima, achava o modelo do Carnaval em São Paulo um tanto desorganizado e, pensando nisso, determinou que os organizadores do evento adequassem algum regulamento para dar o caráter de competitividade e organização dos desfiles que os Cordões realizavam na Avenida São João e Vale do Anhangabaú.

Carnaval no Vale do Anhangabaú. Foto: Acervo

Em 1968, um grupo de sambistas liderados por Evaristo de Carvalho (jornalista e radialista), Carlos Alberto Caetano (o Carlão do Peruche, Fundador da Unidos do Peruche) e Alberto Alves da Silva (o Seo Nenê, fundador da Nenê de Vila Matilde), fundam a Federação das Escolas de Samba de São Paulo para organizar e administrar o Carnaval.

Faria Lima tinha um plano turístico e econômico para o Carnaval de São Paulo e, baseado nas experiências do gênero na cidade do Rio de Janeiro, ele pediu para os lideres do Carnaval adequarem o evento para que a cidade pudesse atrair turismo gerando uma receita considerável para os cofres públicos e, dessa forma, Evaristo de Carvalho e os demais sambistas viajam até o Rio de Janeiro e solicitam o regulamento do Carnaval carioca para implantar em São Paulo.

Por contra partida, a prefeitura daria uma subvenção para ajudar na montagem das escolas, pois somente as escolas de samba receberiam a verba e, dessa forma, os Cordões mudam de categoria e passam a ser escolas de samba. Dois Cordões resistiram as mudanças até 1971; Vai-Vai e o Cordão Camisa Verde e Branco, pois do contrário, morreriam assim como os Cordões Fio de Ouro, Paulistano do Gloria, Rosas Negras e Campos Elíseos.

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