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Joan Amato

Joan Amato

SAÚDE ESPORTIVA. Formada em 2002 pela UERJ, iniciou a carreira como médica intensivista. Para tratar as pessoas fora do hospital, fez pós-graduação em medicina do esporte e tornou-se especialista em Nutrologia. É membro da International Society Of Sports Nutrition. Por adorar escrever, fundou o site Nutroesporte.com.

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10/11/2015 14h20

Melhorando a cintura com bambolê
Joan Amato

Após férias merecidas e altamente queridas, volto ao blog com isso aí mesmo que você leu: bambolê como exercício. Talvez o bambolê , que muitos da minha geração (tenho 36) e até nossos pais tenham brincado, não seja visto como exercício e, possivelmente, você nunca nem tenha pensado nele desse jeito.

Mas o fato é que pesquisadores da Universidade de Waterloo fizeram um trabalho com mulheres entre 35 e 58 anos e viram que houve melhora da distribuição da gordura corporal, que saiu da cintura, diminuindo o risco cardiovascular das participantes.

Existe um índice chamado "cintura-quadril". Ele é a razão da medida da cintura sobre a medida do quadril, ambas em centímetros. Nas mulheres, se esse índice é maior que 0,9, significa que existe acúmulo de gordura no tronco, podendo ser a gordura visceral, aquela gordura que fica por dentro da barriga e está relacionada a colesterol e triglicerídeos altos, piora da glicose no sangue e aumento do risco cardiovascular.

Um grupo de 18 mulheres, entre 35 e 58 anos, participou de um programa de exercício por 6 semanas com bambolê. O tempo de cada sessão com o bambolê foi crescendo de forma progressiva até alcançar sessões durando 15 minutos, 5 vezes na semana por volta da 3ª semana do programa. O bambolê tinha 1,02m de diâmetro e pesava 1,7kg. As participantes tinham aulas com um instrutor 1 vez por semana e faziam o exercício sozinhas nos outros dias. Cada uma recebeu um diário para descrever a experiência e, apesar do diâmetro do bambolê, as mulheres com cinturas mais largas tiveram mais dificuldade em "rebolar" no início do estudo.

Como resultado, essas mulheres perderam, em média, 3,4cm na cintura e 1,4cm no quadril. Não houve perda global de peso, porque a gordura acabou se redistribuindo para a região do tríceps e até mesmo do quadril. McGill, o autor do estudo, chamou essa redistribuição de "spot reduction", um fenômeno já descrito na década de 1960, que se a pessoa exercita uma certa área, ela perde gordura naquela área específica. Independente de ser uma simples redistribuição ou um fenômeno mais complexo, a questão é que perder gordura no abdome é bom e, assim como em estudos com obesos já mostraram, é exatamente essa gordura visceral a primeira a sair quando o exercício começa, melhorando o metabolismo e diminuindo risco cardiovascular.

Se você está no sofá, nostálgica com a infância, transforme nostalgia em exercício e comece a rodar um bambolê.


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