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Ticiana Farinchon

Ticiana Farinchon

SERIADOS DE TV. Formada em Jornalismo pela Facha, cursa pós graduação em Mídias Digitais. Apaixonada por tecnologia e cultura, tem nos seriados de TV seu maior vício, acompanhando em tempo real tudo o que acontece neste fascinante universo.

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27/11/2015 12h19

The Voice Brasil: voz ou popularidade?
Ticiana Farinchon

A voz do povo é a voz de Deus. Quando o assunto são os realities musicais, essa é uma triste realidade. Por culpa do público? Em parte. Mas o grande responsável por isso é o idealizador da brincadeira, que transforma um concurso de canto num concurso de popularidade, na medida em que abre as votações antes mesmo dos candidatos emitirem uma só nota. E mais uma vez o "The Voice Brasil" perdeu um dos seus grandes talentos por conta de uma estrutura equivocada.
Em uma noite mais pirotécnica que musical, os técnicos apresentaram, cada um, três dos seis cantores restantes em suas equipes. Destes, um seria salvo pelo público, outro pelo jurado, e o terceiro deixaria a atração.

O primeiro a abrir as apresentações foi o Team Brown, com Adna Souza. Embalada em um vestido cuja saia cobria todo o palco, a menina, de apenas 17 anos, teve uma apresentação totalmente engessada, visto que não podia nem se mover, o que em muito prejudicou sua performance. Em seguida, a corretíssima Agnes Jamille, ao meu ver a melhor das três, com nuances surpreendentes para quem se recuperou de um calo nas cordas vocais. A terceira a se apresentar foi Paula Sanffer, com sua voz potente e seu estilo que lembra muito o da vencedora da primeira edição do programa, Ellen Oléria. O público escolheu Agnes, e o técnico ficou com Paula, eliminando a caçula Adna da disputa.

A equipe a se apresentar a seguir foi a de Claudia Leitte. Posso me arrepender muito do que vou dizer um dia, mas de longe o time mais uniforme desta edição. De cara, uma grande candidata a ser a voz da noite. Allice Tirolla veio de Adele, interpretando a canção tema do filme de 007 e, literalmente, deslizando no palco. Segura, afinada, chique. Perfeita. Logo após, com uma versão (ao meu ver equivocada) de Anitta, cantou Nikki, com uma apresentação correta. O terceiro a subir ao palco foi Willian San´Per, que, por incrível que pareça (e não necessariamente no sentido positivo) conseguiu interpretar "Réu Confesso", famosa na voz de Tim Maia, inteiramente em falsete. Deu o óbvio (graças a Deus!) - Allice escolhida pelo público, Nikki por Cláudia. Willian, fora.

Então, o Team Lulu (ou TeamLux, como ele gosta de falar) subiu ao palco. E ninguém podia esperar o que viria a seguir... Jonnata Lima apareceu no palco acompanhado de pianos e violinos, para interpretar... "Açaí". Sim, caros leitores... Chegou a ser engraçado ouvir os violinos como pano de fundo para a poesia neoclássica "Açaí, guardião, zum de besouro, ímã". Não que eu não goste de Djavan, mas cada coisa em seu lugar. Quanto ao cantor, que pouco tem a ver com as escolhas feitas por seu técnico, fez uma apresentação correta, diante do que lhe foi proposto. Depois, aquela que veio a ser a performance da noite. O cabeleireiro Marcos Matarazzo atacou de "Bohemian Rhapsody", do Queen. Confesso que faz muito tempo que algo não me impacta tanto em realities musicais. Fiquei totalmente arrepiada com tudo: música, voz, presença de palco... E minha percepção foi prontamente ratificada pelo público, que o ovacionou ao fim da canção. Por último, a jovem Tori Huang, que mostrou diversos problemas de emissão (por várias vezes foi impossível ouvir o que ela cantava no início das frases), e que foi literalmente engolida pelos dois concorrentes.

Marcos Matarazzo. Foto: Divulgação

Questionado por Tiago Leifert, Lulu fez suas considerações sobre os candidatos, e acabou soltando o nome do seu favorito (Jonnata) antes que a votação do público fosse anunciada. O que veio a seguir deixou a todos - público, espectadores, plateia e os outros jurados - em estado de choque: a votação popular escolheu Tori, deixando nas mãos de Lulu decidir entre Jonnata e Marcos. Mesmo contra os apelos de TODA a plateia presente, o técnico não quis se contradizer - diante da besteira que havia feito - e eliminou o cabeleireiro, na mais polêmica e injusta eliminação de todas as edições do "The Voice". Ainda desnorteado, o próprio apresentador Tiago Leifert deixou escapar uma informação técnica, ao mencionar o "quase ao vivo" do programa, corroborando os rumores de pré-gravação da atração, o que vai de encontro ao que a emissora divulga.

No time Teló, Edu Santa Fé trouxe para o palco sua sublime interpretação de "Luar do Sertão". Seguro como sempre, mostrou a que veio. Depois, Franciele Karen tentou animar a galera com uma versão de "Clarity", sem sucesso. O último a se apresentar na noite foi Matteus, com "Caso Indefinido". Comercialmente, não há dúvidas que o candidato é o mais viável dentre todos os que se apresentaram esta semana. E o melhor: além de bonito, bem articulado, com presença de palco, ele canta. Ponto para o Teló na escolha. Falando no técnico, foi dele a melhor da noite. Ao ouvir o apresentador anunciar que tudo dependia da escolha do público, Michel mandou, sem pensar: "Esse é o problema!"

Não, Michel, não é. O público só se torna um problema quando é deixada em suas mãos uma decisão que deveria ser musical e passa a ser de popularidade. Como não há a necessidade de aguardar a apresentação para votar (o que seria impossível com o programa pré-gravado), tanto faz votar no "The Voice" quanto em "A Fazenda" ou no "BBB". Tanto faz se o candidato canta bem ou não. Não se vota na performance, vota-se na pessoa.

Por fim, o público surpreendentemente (desta vez pro bem, ufa!) escolheu Edu Santa Fé, e Teló, sem dúvidas nem amarras, optou por Matteus. Mais que justo.

Depois de uma semana de bizarrices, o que nos resta é esperar que o próximo episódio seja mais "dentro da caixinha".


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