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01/12/2015 11h20

Carnaval Japão: Fita de Ouro, as meninas douradas do samba japonês
Redação SRZD*

Elas são dez! Todas japonesas que tocam, cantam e dançam samba, pagode, dentre outros ritmos brasileiros, sempre vestidas de dourado, sacudindo as noites da capital japonesa. Há seis anos o Fita de Ouro vem divulgando a música brasileira no Japão, com profissionalismo, charme, graça e muito "ziriguidum". Chika Adachi, a líder do grupo, resume assim as ritmistas: "Nós temos pouco tempo de estrada, mas levamos alegria por onde passamos. Venham nos ver e comprove!".

Meninas do Grupo Fita de Ouro. Foto: Divulgação

O Fita de Ouro nasceu do convite de um grupo de passistas que não possuía bateria para tocar em seus shows de samba. As amigas ritmistas que tinham mais intimidade com instrumentos de percussão e de cordas resolveram dar uma mão para as amigas passistas. Assim debutou o Fita de Ouro numa noite de outubro de 2011. Como todas as ritmistas já eram membros de escolas de samba foi fácil montar o grupo para atuar em shows e festivais.

O nome foi sugestão do presidente de um bloco em Tokyo, baseado nas casas de venda e guarda de valores, cuja arquitetura típica é muita famosa no Japão. As cores ouro e branco, se somaram ao Cristo Redentor, ao nome da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e à bandeira do Brasil, marcando a preferência das meninas pelos ritmos cariocas. Por isso, nos shows, o Fita de Ouro toca batucada, sambas de enredo e clássicos da MPB.

Tocando em restaurante brasileiro. Foto: Divulgação

A formação do grupo é a seguinte: Chika Adachi, toca repique e miudezas. É a diretora de bateria e líder das meninas. Akane Kishida é especialista em instrumentos de marcação. Aya Tomoe toca caixa de guerra e miudezas. Uiko Inaba toca caixa de guerra, cavaquinho, canta, fala português e tem experiência em samba no Brasil e no Japão. Naomi Ozaki, excelente cavaquinista, tem experiência em baterias e canto.

Sakiko Kataoka toca surdo de variados tamanhos e caixa de guerra. Possui experiência em baterias e é a ritmista mais bagunceira. Shiho Sekino é considerada a mais bonita das dez. Toca tamborim e dança. Yuriko Izumi toca chocalho, tamborim, caixa e é a pagodeira do grupo. Hiromi Takato toca surdo, canta, dança e é a apresentadora do grupo nos shows. Sambista veterana, já viveu na França, onde fazia samba também. E finalmente, Masayo Arakawa, cuiqueira e indumentarista. O grupo não tem padronização de instrumentos, usam marcas variadas, conforme o gosto de cada uma, o que é muito comum no Japão.

O Fita de Ouro não atua com repertório fixo. Elas cantam as músicas que mais gostam e estão sempre ensaiando novos sambas. O trabalho que fazem ocorre em casas de shows, mas elas também participam de desfiles. O grupo veste sempre roupa branca e dourada. Apenas em festas temáticas, como Natal, por exemplo, elas acrescentam indumentária vermelha ou, dependendo do caso, florida. Todas as roupas são feitas artesanalmente ou montada com acessórios comprados. O gosto individual é respeitado. Cada uma é livre para se enfeitar desde que não fuja das características do grupo.

Apresentação na rua. Chika de apito (direita) comanda a batucada. Foto: Divulgação

Segundo a líder Chika Adachi, o Fita de Ouro é bastante requisitado para tocar durante shows de outros grupos que têm somente dançarinas e dançarinos. Ela conta que, certa vez, as meninas atuaram com um grupo de dançarinos que interagiu bastante com cada uma das ritmistas, fazendo passos e firulas conforme a batida de cada instrumento.

"Foi muito legal", lembra a diretora de bateria. Para os sambistas cariocas a cena talvez seja bem comum, mas naquela ocasião foi uma novidade. Elas também se divertem muito vendo vídeos de shows realizados quando o grupo era recém-fundado. "Nossa! Era muita confusão. Tocávamos errado, atravessávamos o samba, sem falar quando cantávamos com dor de garganta desafinando tudo", recorda Chika sorrindo. Essas apresentações quase desastrosas, que se tornam engraçadas depois que aconteceram, foram fruto da falta de tempo para ensaiar. "Todas nós somos ritmistas em escolas de samba e blocos aqui no Japão. Como são muitos ensaios e o tempo aperta quando se aproxima o Carnaval de Asakusa, que ocorre em agosto, ficamos sem tempo para ensaiar", justifica Chika.

No fundo, o Fita de Ouro é um espaço para as meninas se divertirem e interagirem com outras pessoas, testando ritmos novos em seus instrumentos. Fisuradas pelo Brasil, elas veem nesta atividade uma forma de demonstrar seu amor pelo samba, escolha inusitada num país que tem uma cultura própria, única e milenar.

*Marcello Sudoh é colaborador do SRZD-Carnaval no Japão.

Logo do Fita de Ouro. Foto: Divulgação

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