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Tadeu Kaçula

Tadeu Kaçula

CARNAVAL/SP. Sambista, sociólogo e pesquisador das origens do samba e da cultura tradicional de São Paulo. Fundador do Instituto Cultural Samba Autêntico e do Projeto Rua do Samba Paulista. Idealizador e produtor do projeto Memória do Samba Paulista, que reúne uma coleção com 12 CDs dos principais sambistas e Velha-Guardas das Escolas de Samba de São Paulo. Diretor cultural da Uesp - União das Escolas de Samba Paulistana - e membro do departamento cultural da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Ex-presidente da Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco. Autor do livro "Casa Verde - Uma pequena África na Zona Norte de São Paulo".

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04/12/2015 14h50

Os Bambas de São Paulo e a Tiririca
Tadeu Kaçula

"Oia a banana oro i da terra" e as rodas noturnas com muito jongo, umbigada, samba rural e tiririca, que era uma espécie de capoeira paulista; "Zum, zum, zum, zum, zum, zum capoeira mata um".

Era assim que a "curriola", a nata da malandragem, passava o tempo no extinto largo da banana que era uma espécie de centro cerealista onde atualmente fica a sede do Memorial da America Latina no bairro da Barra Funda.

Largo da Banana. Foto: Acervo

Ali, em quanto não havia trens para descarregar, os negros faziam as batucadas nas caixas de frutas e de engraxates que nas horas vagas se ajuntavam com os bambas da região.

"É tumba moleque tumba é tumba pra derrubar...

Tiririca faca de ponte, capoeira vai te pegar...

Dona Chica do tabuleiro quem derrubou seu companheiro

Dona Chica do tabuleiro quem derrubou seu companheiro

Abre a roda minha gente que o batuque é diferente

Abre a roda minha gente que o batuque é diferente"

(Geraldo Filme)

Outros pontos importantes de encontro dos sambistas para as rodas de pernada, como também era chamada a tiririca, era as "Cinco esquinas" na Baixada do Glicério, na antiga Prainha, atualmente Vale do Anhangabaú, e um dos mais importantes pontos de encontro dos engraxates e bambas do samba paulista, a famosa Praça da Sé.

Lá, se reuniam Toniquinho Batuqueiro, Seo Silval, Carlão do Peruche, Germano Matias, dentre outros, mas, um dos principais bambas que, segundo Toniquinho batuqueiro, era o bom de pernas e o "valente" da época, foi Valter Gomes de Oliveira, o "Pato N´àgua".

"...o tira teima dos sambistas do passado...

Bexiga, Barra Funda e Lavapés

O jogo da tiririca era formado...

O ruim caia e o bom ficava de pé..."

(Geraldo Filme)

Enquanto a roda acontecia, os engraxates batucavam na tampa da lata de graxa e faziam a marcação nos caixotes e o ritmo conduzia os bambas que, no desafio, faziam de tudo para manter seus ternos brancos intactos, pois aquele que saísse da roda com o terno sujo éra porque tinha caído e, assim, não era o "bom de perna"!

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