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Carlos Nobre

Carlos Nobre

CULTURA AFROBRASILEIRA. Carlos Nobre é jornalista, pesquisador e professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio. É mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido de Mendes. Autor de oito livros sobre discriminação racial, segurança pública e cultura afrobrasileira. Foi autor e coordenador da Coleção de Livros Personalidades Negras da Editora Garamond(RJ).

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23/11/2015 22h58

Tia Ciata é homenageada com escultura
Carlos Nobre

As comemorações pelo Dia Nacional da Consciência Negra teve uma grande surpresa com a presença nas ruas do entorno da antiga Praça Onze de uma escultura de cinco metros de altura de Hilária Batista de Almeida(1854-1924), a Tia Ciata, confeccionada com material reaproveitado de aço carbono, aço inox soldados, chapas de geladeiras e armários velhos.

A escultura saiu dos jardins da Escola Municipal de Artes Calouste Gulbenkian, na Rua Benedito Hipólito, Centro, acompanhada por baianas de escolas de samba e mães-de-santo. Ela foi levada em cortejo para o Monumento de Zumbi dos Palmares, na Praça Onze, para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra.

A construção do monumento aconteceu durante uma oficina de escultura, na Caloueste Gulbenkian, no segundo semestre de 2015, cujo objetivo central era a homenagem em escultura da grande líder da cultura negra do Centro, no início do século XX.

Durante toda manhã de 20 de novembro, na Calouste Gulbnekian, a escultura atraiu a atenção dos visitantes, que ficaram fascinados pela imagem forte da antiga mãe de santo, que se tornou uma das figuras negras mais reverenciadas da cidade.

Antes de ser levada às ruas, a escultura foi homenageada por mulheres, lideradas por Gracy Mary, bisneta de Tia Ciata, que, numa roda, ao som de uma bateria de mulheres, foi cercada e saudada por gritos entusiásticos das mulheres.

Gracy Mary, que organiza um movimento de baianas da região, disse estar feliz com a homenagem prestada a sua bisavó. Ela diz que aprendeu a admirar a bisavó devido às histórias ouvidas sobre ela, em geral, contadas pelos parentes mais velhos.

Por volta de 1906, a casa de Tia Ciata, na Rua Visconde de Itaúnas, 106, hoje Rua de Santana, era uma espécie de centro cultural frequentada por sambistas, estivadores e políticos. Suas rodas de samba se tornaram famosas e costumavam a durar dias.

Numa certa noite, em 1906, foi cantado numa de roda de sua casa o samba "Pelo Telefone", registrado como autoria de Donga e Mauro de Almeida. A obra entrou para a história da MPB como o primeira música registrada como samba e virou mito.

O papel de Tia Ciata, na Pequena África, sua liderança e capacidade unificar as mulheres, foram tema de um livro clássico chamado "Tia Ciata e a Pequena África", de Roberto Moura.


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