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17/12/2015 17h55

Carnaval Japão: agremiação japonesa tem nome espanhol, mas faz samba o ano inteiro
Redação SRZD*

O nome é em espanhol, mas a escola não esconde sua paixão pelo carnaval e pelo samba carioca. O GRES Amigos Calientes, agremiação da Liga S2, o grupo de acesso do carnaval de Tokyo, é formado por japoneses que pensam e fazem samba o ano inteiro. O objetivo é chegar com toda força no maior desfile de escolas de samba fora do Brasil, o Asakusa Samba Carnival, que ocorre desde 1980, na capital Tokyo.

A escola foi fundada há 21 anos por um grupo de amigos em Yoyogi, no Bairro de Shibuya, região equivalente à Ipanema, no Rio de Janeiro. Os amigos não vacilaram em batizar a nova escola com o nome Amigos Calientes, cujo desfile de estreia seria no Asakusa Samba Carnival. Depois de transferir a sede para Kanda, no Bairro de Chiyoda, região entre o centro de Tokyo e os bairros mais abastados, lembrando o bairro Catete, a escola ganhou força e começou a reunir mais sambistas.

Foto: Hiroyasu Sato

As cores adotadas pelos fundadores foram o verde, o amarelo e o laranja. A ideia foi reproduzir as cores primárias da luz que são o vermelho, o verde e o amarelo. A maioria decidiu por trocar a cor vermelha pela laranja, conta Tomohiko Mizutani, presidente da escola. O símbolo recebeu silhuetas dançando em volta de instrumentos. Pronto, a escola já tinha o formato da sua bandeira.

Com 150 componentes divididos em seis alas, a escola tem à frente da bateria o Mestre Kazunori Yamada, que conta com sete tamborins, sete chocalhos, três repiques, sete caixas e sete surdos. O enredo, o samba-enredo e o casal de mestre-sala e porta-bandeira são escolhidos por toda a escola, dentre aqueles que se candidatam a fazer o carnaval, o samba-enredo e levar o pavilhão na avenida. O mestre de bateria chega ao cargo indicado pelo mestre anterior. A ala de ritmistas é aberta. Todo aquele que participa de uma quantidade determinada de ensaios, pode desfilar no naipe que desejar. Já a rainha de bateria e as passistas têm de passar por um teste de avaliação. Todos os componentes pagam ou fazem sua própria fantasia.

Em sua história, o Amigos Calientes destaca a sétima colocação na Liga S1 do Asakusa Samba Carnival como o melhor resultado conseguido. Já um desfile que não guardou boas lembranças para os componentes foi o segundo lugar na Liga S2.

Foto: Hiroyasu Sato

Em 2015, o Amigos Calientes ficou mais uma vez com o vice-campeonato do Acesso, com o enredo mostrando o ato de entregar mercadorias. Apesar de ser a segunda vez que a escola emplaca esta colocação, Tomohiko afirma que a agremiação fez um grande desfile. Das sete escolas que disputaram o título naquela Liga, o Amigos Calientes teve as melhores notas nos quesitos Enredo, Samba-Enredo e Bateria. Empatou com a campeã no quesito Evolução e perdeu em Fantasias e Dança.

Ainda segundo Tomohiko, o ponto forte da escola é a união dos componentes. Mas, segundo ele, falta orçamento. "Não temos dinheiro para apresentar fantasias luxuosas ou que utilizam grande quantidade de penas", revela. A escola tem como fonte de renda apenas as apresentações que faz nas ruas e em festas, e a contribuição paga pelos componentes. Esse total soma cerca de 48 mil reais, quantia usada para a elaboração do carnaval. Materiais facilmente encontrados em lojas no Centro da cidade do Rio de Janeiro, no Japão são produtos importados de alto valor. Mas o presidente defende seu pavilhão e trabalha para colocar na avenida um carnaval de qualidade dentro das possibilidades. Ele convida a todos os brasileiros em viagem ao Japão, que venham conhecer o GRES Amigos Calientes. Tomohiko garante que, apesar do nome em espanhol, o grupo não vai decepcionar os visitantes em matéria de samba e animação.

*Marcello Sudoh é colaborador do SRZD-Carnaval no Japão

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