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11/01/2016 20h11

Carnaval Japão: grupo japonês mistura samba com metais
Redação SRZD*

Muito ritmo brasileiro, metais e coreografias, misturado à composições cantadas em japonês. É assim que a banda Mocidade Vagabunda leva o samba para seu público japonês, a maioria jovens que vivem na região em torno de Tokyo e que curtem uma batucada ou um som diferente. A paixão pelo Brasil e pela cultura verde-amarela há muito tempo atrai japoneses de todas as idades. O sucesso da Mocidade Vagabunda é uma prova de que o samba associado a outros ritmos também é uma forma de divulgar o jeito brasileiro de se divertir.

O grupo foi fundado em 2007, na cidade portuária de Yokohama, capital do Estado de Kanagawa. No município vivem muitos brasileiros e é a segunda maior metrópole do Japão, perdendo em população e riqueza apenas para a capital Tokyo.

A ideia de fundar a banda partiu do presidente Tomohiro Yasuda, chamado pelos componentes de Ani Presidente. Ele e dois amigos - Hirofumi Kamata, o Cámaci, e Yasushi Soejima, o Soeji da Cozinha - foram convidados por um amigo para participar de uma festa de DJs. Chegaram ao local com um grupo de samba e surpreenderam. "Aqui no Japão o samba é visto como uma música alegre. Mas queríamos mostrar que samba não é só isso, que também tem um lado cool", explica Junichi Takahashi, um dos membros da banda formado em língua portuguesa pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Tokyo.

Fotos: Divulgação

Solo de agogôs e tamborins

Depois da estreia, o grupo adotou como símbolo um coração com as letras "M" e "V", de Mocidade Vagabunda. As cores azul e preto, para os fundadores, representam a juventude e a noite, respectivamente. O grupo tem cerca de 20 membros que tocam variados tipos de instrumentos de percussão. Ani toca repique, Cámaci toca cordas e Soejima, caixa de guerra. Mas quando o evento é muito grande entram outros 30 instrumentista, com metais e guitarra, somando cerca de 50 pessoas. Esse grupo maior é chamado de "Bateria Nota 1000".

Nas apresentações, a Mocidade Vagabunda canta composições próprias em japonês. Na hora do samba, o show são os solos de tamborins, agogôs de quatro bocas e repique. Cantam sambas-enredo, como "É Hoje" da União da Ilha do Governador, ou hits da MPB, em especial Tim Maia e Jorge Benjor. As músicas executadas são escolhidas pelo núcleo do grupo e definidas conforme o tipo de evento, que normalmente acontecem em casas noturnas. Todos vestem a camisa da banda que traz dizeres como "Samba é global" ou "Samba will never die". Como o público do grupo é praticamente japonês, a frase em inglês é mais fácil de ser compreendida.

O show não pode parar

Foto: Reprodução de InternetJunichi lembra com satisfação um dos melhores shows da banda realizado à beira de um rio. "Foi uma rave", recorda. O ritmista conta também cenas engraçadas que já aconteceram nas apresentações como o sutiã de uma das meninas que caiu durante o show. A garota passou boa parte do espetáculo tentando segurar os seios em cima do palco enquanto cantava e dançava. O show não podia parar!

Apesar de tocarem vários ritmos e autores da MPB, a Mocidade Vagabunda é fã de pagode e samba-enredo. Entre os sambistas eles destacam o grupo Fundo de Quintal e o Kiloucura. Entre as escolas de samba preferem o Império Serrano e a Mangueira.

Segundo Junichi, todo show é uma diversão, mas é preciso ensaiar. "É aí que que mora o problema. Combinar a agenda de 20 pessoas para os ensaios é a maior dificuldade encontrada pela Mocidade Vagabunda. Mas no final dá tudo certo", garante o ritmista.

*Marcello Sudoh é colaborador do SRZD-Carnaval no Japão

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