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12/01/2016 19h27

Carnaval Japão: o Despertador que acordou Osaka para o samba
Redação SRZD*

As baterias cariocas e seu suingue fascinam os instrumentistas japoneses em todos os cantos do país. A paixão é tão grande que muitos fundam grupos formados apenas por ritmistas e passam a tocar em eventos e festas.

O Despertador é um desses grupos que, fundado em Osaka há 15 anos, vem animando japoneses e brasileiros na região de Kansai, área que inclui a metrópole de Kobe, cidade irmã do Rio de Janeiro. Depois de ouvirem o "paticumbum" do Despertador, os japoneses residentes na região acordaram para o samba.

Foto: Divulgação

O grupo tem 10 ritmistas e nas apresentações vestem camisa com as cores verde e amarela do Despertador. Segundo Hiroyuki Taketani, eles se consideram um cover do Monobloco e executam os hits deste durante os desfiles. Ele conta que, no início, o Despertador era mesmo uma bateria de samba e tinha as cores azul e branco. Depois foram mudando até chegarem ao formato atual que se assemelha a um bloco. O símbolo foi mantido: um despertador, com o nome do grupo gravado.

Todas as músicas tocadas nas apresentações são escolhidas pelo grupo, levando em conta o público, o local e o tempo que os membros têm para ensaiar e não fazer feio. Uma dos shows em que o Despertador mais se destacou foi em 2001, durante uma partida do Kyoto Purple Sanga, time do Estado de Kyoto, valendo o campeonato nacional da Liga Japonesa de Futebol. A batucada levou a torcida do Purple Sanga presente no estádio ao delírio. Taketani só lamenta a falta de caviquinistas na região. "Como não temos o nosso, às vezes temos que pedir a ajuda de cavaquinistas de outros grupos", conta o sambista.

Para expandir a participação do grupo em eventos, os membros do Despertador aprenderam outros ritmos brasileiros como o funk, o samba-reggae e o maracatu. Para isso foi necessário aprofundar os estudos em vários tipos de instrumentos de percussão. Mas conforme Taketani, os membros do Despertador gostam mesmo da Portela, do Salgueiro, da Mangueira e da Estácio de Sá. Eventualmente, os ritmistas vão ao Rio para participar dos desfiles.

Osaka é a terceira maior cidade em população do Japão e o segundo maior polo financeiro-comercial, depois da capital Tokyo. Os "osakos" - moradores de Osaka - são considerados por muitos como os cariocas japoneses. Gostam de dançar, beber, são comunicativos e brincalhões. Gostam de levar a vida na malandragem. Talvez por esse motivo o samba tenha se expandido tanto por lá. O Despertador só deu um empurrãozinho para a batucada pegar.

*Marcello Sudoh é colaborador do SRZD-Carnaval no Japão

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