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26/01/2016 18h20

Exclusivo: Carnavalesca entrega cargo e se diz vítima de assédio
Redação SRZD

Fernanda Raisa não é mais carnavalesca da Unidos da Ponte, escola do Grupo B, que desfila no dia 8 de fevereiro, na Intendente Magalhães. Ela dividia a função com André Wonder, que conduzirá sozinho daqui para frente o enredo "Africanidades - do continente negro à pequena África... nossa identidade cultural!".

Serginho Aguiar, Fernanda Raisa e Marcelo Gonçalves. Foto: Divulgação

O desligamento da escola desta nilopolitana de 25 anos, apaixonada por Carnaval, formada em design de interiores, pós-graduada em Figurino e Carnaval, foi cercado de intrigas e versões até este momento pouco esclarecidas.

A opção pelo Carnaval desta jovem, que tem Rosa Magalhães como um exemplo a ser seguido, nasceu, quando ainda pela TV, e mais tarde pela internet, Raisa viu a possibilidade de materializar seu sonho em alguma escola de menor porte.

Fernanda Raisa, rainha de Bateria Silvinha Schreiber e a porta-bandeira Emanuelle Martins. Foto: DivulgaçãoEla enviou mensagem para várias agremiações pedindo uma oportunidade. Até que, no meio do caminho, encontrou o perfil numa rede social do presidente da Unidos da Ponte na época, o compositor Serginho Aguiar, que abriu as portas do mundo do samba para ela.

Como "pegou" o Carnaval em andamento, Fernanda continuou na escola participando da rotina, ensaios e tudo o que acontecia. Quando foi formada a equipe para realizar o Carnaval para 2016, ela foi promovida à carnavalesca, junto com André Wonder. E tudo fluiu muito bem por algum tempo.

Com o presidente atual da agremiação, Gustavo Barros, a relação era um pouco mais distante, mas com o presidente de honra, Marcelo Gonçalves, era mais amigável.

Com o tempo, Fernanda Raisa notou que muitas decisões começaram a ser tomadas sem o seu conhecimento. São variadas as explicações para que isto tenha ocorrido. "A cada reunião que eu aparecia, eu estava sabendo menos das coisas. Nem sempre me respondiam quando eu perguntava", desabafou.

Apesar da boa relação entre a carnavalesca e os vários segmentos da escola, nitidamente, havia algo no ar, ainda não decifrável naquele momento. Até que uma situação de tensão aconteceu. O que poderia ser uma gota d'água virou uma tempestade.

"No dia da final do samba enredo (21 de novembro de 2015), fui à quadra com a minha namorada, estava curtindo a noite (...). Em um determinado momento, Marcelo Gonçalves me chamou para falar alguma coisa, e quando acabou de falar, e foi voltar à posição em que estava, passou a mão em mim. Além de me expor para a comunidade, expor meu relacionamento, muitas pessoas viram, e inclusive comentaram comigo depois. Na hora, fiquei sem reação, depois fui até a esposa dele falar do ocorrido, para que não restassem dúvidas do que havia acontecido", disse constrangida. Fernanda Raisa esperava, nos dias que se seguiram, um pedido de desculpas, que nunca veio.

"Depois de tudo isso que aconteceu, fui a uma reunião. E lá fui chamada atenção na frente de todos e coloquei na cabeça que deveria me dedicar mais. Cheguei em casa e entrei em contato com o presidente Gustavo Barros para que ele me dissesse o que eu precisava fazer para melhorar. Ele não me respondeu. Eu insistia toda hora no Facebook e nada... Quando consegui contato, nós começamos uma discussão e ele simplesmente me demitiu da escola (...). Passada uma hora, o presidente Gustavo Barros me chamou no bate-papo do Facebook e disse que Marcelo pediu pra ele reconsiderar, e eu estava de volta, mas, desta vez, não queria mais que eu falasse com ele, que tudo que tivesse que resolver, resolvesse com os diretores de Carnaval. Acatei. Fui à confraternização da escola, e na hora de ir embora, a diretora da ala de passistas disse que era pra eu não pisar mais lá, porque os presidentes tinham contratado alguém pra me bater muito na porta da escola, quando eu estivesse distraída", contou.

"O que mais me deixou chateada foi ver que na matéria de lançamento do enredo da escola, eu nem fui citada (como se eu não tivesse feito absolutamente nada). Acho importante dizer que isso só começou a acontecer depois deste episódio (assédio). Porque, além do que aconteceu e foi ridículo, ainda tive que lidar com este tipo de represália por eu ter falado a verdade".

Ao SRZD, Fernanda Raisa explicou que decidiu tornar público o assédio que sofreu para que outras mulheres não se sintam intimidadas no seu ambiente de trabalho e que reúnam forças para enfrentar todos os tipos de abusos que possam sofrer.

Porta-bandeira Emanuelle Martins, Fernanda Raisa, Suzy Leal e André Wonder e mestre-sala Johny Matos. Foto: Divulgação

Leia a carta de demissão:

Venho por meio desta, comunicar oficialmente meu desligamento da G.R.E.S Unidos da Ponte. Antes de mais nada, gostaria de agradecer imensamente a oportunidade que tive, e tudo de bom que tive a oportunidade de viver na escola, além das pessoas que carrego no coração e tenho imensa gratidão. Essas, com certeza, podem contar comigo pra todos os carnavais que virão. Meu querido e eterno "Presi" Serginho Aguiar, obrigada por confiar em mim quando cheguei até você na internet pedindo uma oportunidade de acompanhar o processo do carnaval que já estava em curso, e você prontamente me convidou a participar e conviver na escola, foi minha primeira porta pra esse mundo mágico do carnaval que ainda acredito e amo tanto. Obrigada às minhas queridas mulheres guerreiras da velha guarda e baianas, meu carinho e contato com certeza não terminam aqui, tenho todas como família, muitas das vezes me senti acolhida e pude desfrutar de tamanha experiência que me passavam na maior humildade do mundo, e podem contar, ninguém grita com as senhoras quando eu estiver por perto "rs", compro as brigas todas de novo. Meu amigo Burunga, obrigada por sempre apoiar minhas loucuras, obrigada por me ajudar a prender bandeirinhas e principalmente me ouvir. Obrigada ao meu casal favorito, Johny e Emanuelle, toda sorte e sucesso a vocês. "Manu", que além de ter minha admiração, virou grande amiga, obrigada por todo o apoio em tempos difíceis. Presidentes Gustavo Barros e Marcelo Gonçalves, agradeço pela oportunidade de fazer parte do carnaval de 2016, e tudo que aconteceu me ensinou muitas coisas, boas e ruins, me trouxeram mais bagagem, então, de alguma forma foi válido. Ao meu companheiro de profissão André Wonder, desejo toda a sorte do mundo nesta reta final, não deixe nosso projeto maravilhoso sair dos trilhos, te entrego um filho que pude ver nascer e agora espero ver brilhar, como você sempre diz: "Arrasa, querido!". A todos os outros componentes, bateria Ritmo Meritiense, minha querida rainha de bateria Silvinha, meus diretores de carnaval, todos da velha guarda, compositores, passistas, a todos vocês só tenho a agradecer por tanta atenção e receptividade, muito obrigada por tudo e toda sorte do mundo para o próximo carnaval. Fazer parte da história de uma escola tão tradicional e tão querida, e honrar este pavilhão, são coisas que sempre farão parte da minha história de vida. Como pessoa que ama o carnaval, sempre farei de tudo pra continuar a viver neste espetáculo e me entregar a este mundo que tanto admiro. Como mulher, nunca mais irei temer nada que venha a me ferir, me respeito, e espero o mesmo respeito que sempre dei a todos, que nenhuma mulher se cale e se sinta agredida. Eu não serei mais uma delas.

Raisa abriu boletim de ocorrência na Delegacia para que o caso seja investigado e, também, como mais uma iniciativa que vise preservar sua integridade física contra eventuais surpresas.

A Escola Unidos da Ponte foi procurada e a informação da assessoria de imprensa é que o caso será tratado pessoalmente pelo presidente Gustavo Barros. Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos resposta. Tão logo a tenhamos, franquearemos o espaço para a agremiação fazer seus devidos esclarecimentos.

- Leia também: Dirigentes da Unidos da Ponte se pronunciam em redes sociais sobre denúncia de assédio

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Comentários
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    27/01/2016 15:12:21Gabriel MacedoMembro SRZD desde 02/01/2012

    Caros amigos, diretores e todos os segmentos do maior espetáculo da terra o Carnaval eu Gabriel Macedo no papel de Diretor de Carnaval da Unidos da Ponte, venho através desta nota pública me solidarizar ao Presidente Gustavo Barros e o Presidente de honra Marcelo Gonçalves pelas notícias que foram divulgadas na mídia carnavalesca a respeito do caso de ?assédio ? sofrido pela ex carnavalesca que fazia parte do quadro da nossa agremiação. Antes de qualquer matéria ser vinculada na mídia deve-se ouvida as partes envolvidas e enfim chegar aos verdadeiros fatos ocorridos ainda mais quando estamos falando de um assunto muito sério e importante . Antes de ser Diretor de Carnaval da Unidos da Ponte sou amigo de longos carnavais do então Presidente Gustavo Barros e do Presidente de honra Marcelo Gonçalves, onde tive o prazer de trabalhar em várias agremiações do mundo do samba e nunca se ouviu falar de noticias de baixo escalão sobre essas duas pessoas ou caso similar a esse tipo de calúnia que foi lançada na mídia carnavalesca. Vale também ressaltar ao mundo do samba o árduo trabalho que esses dois profissionais e amigos do samba estão realizando para colocar o Carnaval da nossa querida Unidos da Ponte na rua dando a nossa comunidade o que ela merece através de uma trabalho sério, comprometimento e amor ao que se faz ainda mais quando se fala de Samba. Vamos com tudo minha comunidade não vamos deixar que essas calúnias apaguem o brilho da nossa família e o nosso Carnaval. ? O tempo rouge a intendente é grande? ATT. GABRIEL MACEDO - DIRETOR DE CARNAVAL

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    26/01/2016 23:02:26domingos lopezMembro SRZD desde 11/06/2009

    Raissa quem perdeu com tudo isso foi o GRES PONTE....a diretoria passa outros virão para sanear as intolerâncias dessas pessoas que pensam que podem tudo!

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