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01/02/2016 16h35

Vitória abre alas para o Carnaval do Brasil
Dicesar P. Rosa Filho*

Desfiles foram no final de semana, sexta e sábado, em que 15 escolas marcaram presença na passarela Walmor Miranda, o Sambão do Povo. Na sexta feira, desfilaram as 8 agremiações do Grupo A, acesso, e no sábado as 6 do Grupo Especial e mais uma convidada.

Chegou o que Faltava abriu os desfiles na sexta-feira exaltando o Caboclo Bernardo, herói do povo que salvou vítimas de um naufrágio no interior do ES no século 19. Um carro quebrou e a escola entrou apenas com duas alegorias. Fez um bom desfile, com destaque para a bateria que teve a presença de "feras" do ritmo capixaba.

Vitória abre alas para o Carnaval do Brasil. Foto: ES Samba

A Imperatriz do Forte veio a seguir e logo no esquenta mostrou toda a garra da comunidade que superou as dificuldades administrativas e foi para a avenida cumprir seu papel. Trouxe um enredo sobre a África e sua sabedoria milenar. Fez um desfile com muitas cores fortes na fantasias e nas alegorias, representando as riquezas do continente africano. A bateria foi muito bem, com suas bossas interessantes mas teve que correr ao final para cumprir o tempo.

A terceira escola a entrar na passarela foi a Independentes de São Torquato que também superou questões administrativas e judiciais e entrou com muita garra. Apresentou o enredo sobre o Folclore Brasileiro em que as alegorias e fantasias vieram com personagens que lembram botos, lobos, sereias. Destaque para a bateria com muitas paradinhas e um momento marcante em que abriu um corredor para a passagem de um saci de verdade que empolgou o público. Deve disputar os primeiros lugares.

A seguir compareceu a Chega Mais, com um enredo homenageando Neguinho da Beija Flor que, entretanto não compareceu. Apesar do carro abre alas apresentar problemas no led fez um bom desfile com elementos da cultura negra, fantasias que apresentavam muitas cores, notas musicais e beija-flores. A ala das baianas não se apresentou.

A quinta agremiação a desfilar foi a Andaraí com o enredo "Era uma vez... " que trouxe um mundo da leitura para o sambão.Fábulas infantis e personagens memoráveis foram lembrados nas alegorias e nas fantasias das alas. Interessante momento em que os componentes da bateria se agacharam, como anões, e se misturaram a ala de passistas fantasiadas de Branca de Neve. Terminou com alguma correria e ultrapassou o tempo no final.

Tradição Serrana veio em seguida, homenageando o "congo" ritmo de origem africana e presente em festas tradicionais da cultura capixaba e com a lembrança de santos protetores dos negros : São Benedito, São Sebastião e N.Sra. Do Rosário. A diversidade entre as mulheres também esteve presente com negras, loiras, morenas, ruivas e orientais. Novidade foi a presença de Porta Bandeira e destaques de origem japonesa que mostraram muito samba no pé. A escola entrou com um pouco de atraso e também ao final alguma correria e buracos para cumprir o tempo.

Novo Império veio com pinta de campeã! Mesmo perdendo ponto por ter estourado o tempo a escola vai chegar entre as primeiras colocações. O enredo exaltou a cultura africana, as quilombolas e defendendo a liberdade religiosa e o respeito à diversidade de crenças. No abre alas chamou a atençao combinação entre o símbolo da escola, a coroa, e as esculturas de negros que representavam a realeza africana no meio da grande floresta oculta. As bossas e paradinhas da bateria foram muito aplaudidas pelo público. Fez um desfile empolgante.

Encerrando o primeiro dia a Rosas de Ouro teve como tema a Insurreição de Queimados, fato histórico da época da escravatura no Espírito Santo e pedia respeito aos negros e religiões de origem africana. Já estava amanhecendo e pouco público ficou para assistir o desfile, mesmo assim, o componentes vieram com muita animação.

O segundo dia de desfile começou a Barreiros atrasando 32 minutos.Na concentração muita correria e desencontro de informações. A comissão de frente e muitas passistas não se apresentaram por problemas na confecção das fantasias. A escola veio homenageando Martinho da Vila, que também não compareceu. A opção do carnavalesco foi de brincar com as palavras que estiveram presentes na vida de Martinho como compositor. As fantasias e alegorias tem citações musicais e depois a parte literária. A bateria não entrou no recuo e assim conseguiu cumprir o tempo. As lindas fantasias de destaques, que superaram a tudo para levar a alegria na avenida, foram o ponto alto o desfile. A presença de componentes de banda do congo na bateria também chamou à atenção de maneira positiva.

Jucutuquara foi a segunda agremiação a desfilar. Com o enredo "Vitória" contando sobre a culinária, arquitetura, boemia e comércio da cidade. A Rainha de Bateria, literalmente tocou fogo na avenida. De tempos em tempos ela utilizava um objeto em chamas na sua coreografia. As alegorias e fantasias das alas representavam os manguezais e a cata de caranguejos, o comércio da Vila Rubim, Iemanjá protetora dos pescadores. Fantasias criativas e com bom acabamento.Alguma correria ao final para cumprir o tempo. Mesmo com o canto deixando a desejar , veio para disputar os primeiros lugares.

A Pega no Samba veio a seguir e, de início entrou sem a Comissão de Frente que se apresentou apenas a partir da segunda metade do desfile. Com uma homenagem a Augusto Ruschi, que teve sua vida marcada pela preservação do meio ambiente, o enredo marcou a defesa da natureza como fio condutor. Fantasias não usaram penas e sim outros materiais alternativos. Rainha, Musa e destaques vieram fantasiadas de borboletas, libélulas, beija-flor , guardas florestais, flores, como orquídea, araras e até aranha. Ao final também correria para cumprir o tempo e mesmo teve um leve atraso.

A MUG - Mocidade Unida da Glória, campeã do ano passado foi a quarta a desfilar e mostrou que pode chegar ao bicampeonato consecutivo. Com o enredo Papo de Botequim, falou da malandragem no bom sentido e também críticas políticas . Chamou a atenção o carro com políticos presos, entre os quais, Dilma e Lula.A comissão de frente e o carro abre alas com muitos elementos humanos que subiam e desciam remetem a antiga Lapa. A bateria fez coreografias e paradas, inclusive com o uso de papel picado e foi muito aplaudida. Rainha Fernanda brilhou como sempre. Fantasias e alas lembravam jogos e cozinha de comida de boteco. No geral a agremiação fez um desfile técnico, com pouco erros.

A Piedade veio a seguir com esquenta eletrizante e muita garra e emoção. O enredo "Vamos ao Mercado?" conta a história e os dias atuais do tradicional mercado da Vila Rubim. Na última alegoria faz uma menção ao futuro desse local e ao comércio virtual. Alegorias e fantasias representavam fatos marcantes do passado e presente do mercado e seus comerciantes e compradores. As alegorias estavam imponentes e com belíssimo acabamento, já as fantasias tinham aspectos que deixavam a desejar tanto no acabamento como na qualidade do material desejado. O canto dos componentes foi um ponto forte e está na briga para os primeiros lugares.

Boa Vista foi a última escola do Grupo Especial a desfilar. Com o enredo que conta sobre o folclore espiritosantense suas crenças, ritos e sabores. A apresentação foi dividida em três partes: negro, branco e índio. A comissão de frente trouxe para a avenida a Festa do Divino e seus integrantes fizeram uma belíssima exibição. Entretanto o tripé que acompanhava estava com acabamento mal feito e não abria direito. Alegorias e fantasias das alas, com bom acabamento por sinal, representavam as festas religiosas, incluindo as danças juninas A escola evoluiu dentro do tempo, o canto funcionou e deve brigar também pelo primeiros lugares.

Como convidada especial e sem disputar o título, a Império de Fátima, foi a última a se apresentar e com pouco público presente.Trouxe o enredo " O sorriso do tigre no Império de Fátima" e veio mostrando o sorriso em suas várias formas como amor, felicidade, alegria. O abre alas trouxe o próprio sorriso do tigre, símbolo da escola e foi nítida a alegria e animação de todos os componentes, da Diretoria, da Harmonia, Bateria e Baianas. Fantasias simples, originais e com bom acabamento. Mostrou que tem condições de figurar entre escolas do grupo de acesso.

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