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Ricardo Nicolay

Ricardo Nicolay

CARNAVAL. Antropólogo, jornalista e quase geógrafo. Bacharel em Ciências Sociais pela Fundação Getúlio Vargas, mestre em Comunicação e doutorando em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Autor do livro "Território, rede e cultura da tradição - o fado do século XIX no mundo do século XXI". Colaborador do Departamento Cultural da Unidos de Vila Isabel. Apaixonado pela Vila Isabel e devoto fiel dos santos do Carnaval.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



02/02/2016 13h30

Agora é à vera!
Ricardo Nicolay

Chegamos à reta final para o Carnaval de 2016 com o encerramento dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí, abençoado pela Lavagem do Sambódromo feito pelas baianas de todas as agremiações e coroado pelo ensaio da Beija-Flor de Nilópolis. Com isso, encerra-se a minha participação nos ensaios com comentários, mediações e considerações sobre as escolas e inicia-se o período onde a batuta é passada para os jurados, que serão os responsáveis por escolher a melhor escola de samba do Carnaval de 2016, porque agora é à vera!

Para tanto, no quesito que a mim compete e que venho trabalhando desde o ano passado, que são os casais de mestre-sala e porta-bandeira, considero que, pelo que vi e vivi nesses últimos meses de ensaios, serão fortes emoções, e podem ficar preparados: será um grande espetáculo para os espectadores que estiverem acompanhando os desfiles do Rio de Janeiro!

Sendo assim, esta coluna tem como objetivo marcar a transição entre estes dois momentos da festa carnavalesca, os ensaios e o desfile, e também levantar a bola para deixar registrado os pontos altos dos ensaios técnicos, como uma breve retrospectiva para alçarmos voo diretamente para os desfiles que começarão já na próxima sexta-feira, 5 de fevereiro. Para isto, divido a narrativa em dois momentos: o primeiro dedicado aos casais da Série A, e o segundo, arrisco a convidar o leitor a se juntar a mim em uma viagem pelo bailado dos casais de seis agremiações do Grupo Especial.

Sem dúvida alguma, para mim, o clímax de todo este período de ensaios na Passarela do Samba foi a volta de Marquinhos e Giovanna para o carnaval depois de ficarem um ano de fora da festa. Hoje, defendendo o pavilhão da Unidos do Viradouro, está sendo uma alegria imensa para muitos amantes desta arte ver dois grandes nomes do quesito girando e riscando pelo solo sagrado do samba. Em 2015, os dois fizeram parte da equipe de comentaristas do #SRZDCarnaval, abrilhantando as noites de ensaios técnicos com seus comentários e suas opiniões. Os conheci quando chegaram à Vila Isabel para compor o nosso primeiro casal, e, no ano seguinte, na Marquês de Sapucaí, demos prosseguimento a uma amizade que tem muito a crescer e se consolidar. Aprendi e continuo aprendendo muito com eles!

SRZD - Ricardo Nicolay

Outra característica marcante que se evidenciou na passagem dos casais pelo sambódromo foi a grande heterogeneidade que existe entre eles. Isso traz uma riqueza sem precedentes para esta arte, e mostra a beleza com que cada porta-bandeira baila com seu pavilhão e com que cada mestre-sala risca e corteja a sua dama. Isso me faz crer que os desfiles deste ano trarão grandes surpresas!

Dentre elas, destaco a dupla Thainá e Yuri, da Acadêmicos da Rocinha, que mostraram uma técnica muito bem aplicada e ensaiada. Isso demonstra com toda a certeza que eles estão desenvolvendo um grande trabalho, podendo ser uma das grandes revelações entre os casais da Série A neste carnaval.

SRZD - Rodrigo Trindade

Além deles, parcerias com mais tempo de estrada, como Jaçanã e Peixinho da Inocentes de Belford Roxo, Feliciano e Raphaela do Império Serrano (Ganhadores do Prêmio SRZD-Carnaval 2015 de melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira da Série A), Jack e Vinícius Pessanha do Paraíso do Tuiuti, Jéssica e Vinícius da Unidos de Padre Miguel, Jacke e Diego da Acadêmicos do Cubango, Paulo e Raessa da Caprichosos de Pilares, que há algum tempo vêm trabalhando duro para conquistar boas notas e excelência em seu desempenho, também se destacaram ao longo dos ensaios, mostrando garra, leveza, técnica e graça ao bailarem.

Por falar em Cubango, a escola terá um membro a mais junto com seu casal. Não, não estou falando de coreógrafo, nem muito menos do mestre de cerimônias. Jacke está grávida de 3 meses, e desfilará com as emoções triplicadas este ano. Outros dois pontos fortes do casal da Cubango é que eles não estão trabalhando com coreógrafos, apenas com o seu talento e sua garra, e serão apresentados aos jurados com toda classe e elegância da primeira porta-bandeira da São Clemente, Denadir Garcia, que no último carnaval, junto com seu mestre-sala Fabrício Pires, deixou a Marquês de Sapucaí com todas as notas máximas.

SRZD - Ígor Gonçalves

Chegando ao Grupo Especial, os convido a entrar em uma viagem que partirá do bairro de Noel e se findará na terra de Ismael Silva, passando pelas bandas de Natal e Paulo, e rumando para a Baixada Fluminense com duas paradas obrigatórias: Caxias e Nilópolis.

Iniciando nossa viagem, o Grupo Especial também possui uma grande diversidade de casais, que variam entre os mais jovens e os com mais tempo de avenida. A Unidos de Vila Isabel destaca-se por trazer uma nova formação de primeiro casal, com Dandara Ventapane e Phelipe Lemos, uma combinação que, a meu ver, está funcionando muito bem e tem total capacidade de colher bons frutos, ainda mais com o apoio da grande Rita Freitas, porta-bandeira histórica do Acadêmicos do Salgueiro.

Pegando o trem com destino a Oswaldo Cruz e Madureira chegamos à terra de Paulo e Natal, onde encontramos Danielle e Alex, que vem desenvolvendo um trabalho sólido e incansável, contando ainda com o suporte incondicional da grande Vilma Nascimento, o nosso Cisne da Passarela. Em seu ensaio técnico, a Portela não levou para a Sapucaí apenas uma porta-bandeira, mas uma tempestade empunhando o pavilhão da águia altaneira chamada Danielle Nascimento. A cada giro, a cada batida no peito para exaltar um dos mais belos sambas de enredo deste carnaval, Danielle me emocionava. Ali via-se emoção. Via-se história. Via-se tradição! Foi uma noite emblemática a passagem da Portela e de seus casais. Do Setor 6 via-se os três pavilhões flutuando pelo mar azul e branco, e este quadro tinha como fundo a Praça da Apoteose. Esta é uma imagem que ficará em minha memória!

SRZD - Ígor Gonçalves

Seguindo em direção a Duque de Caxias, o casal do Acadêmicos do Grande Rio, Daniel e Verônica, fez uma apresentação firme e tradicional, com elementos coreográficos suaves. Menos coreografia e mais dança é o que mais representa o quesito. Neste dia brindamos o casal e a coreógrafa Ana Formighieri por reduzir os movimentos coreográficos exacerbados e por exaltar a dança tradicional.

Mantenho o meu posicionamento e ideologia - talvez um tanto conservadora -em relação à dança do casal, mas não me nego a aceitar que alguns coreógrafos vêm colaborando significativamente para a preservação da dança do mestre-sala e da porta-bandeira.

Chegando em Nilópolis, fomos brindados com uma passagem emocionante do casal Selminha Sorriso e Claudinho, da Beija-Flor, pela avenida na noite deste último domingo. Ganhadores do Prêmio SRZD-Carnaval 2012 de melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira do Grupo Especial, o casal fechou com chave de ouro a temporada 2016 de ensaios, dançando com uma felicidade contagiante, uma dança clássica e um amor sem precedentes pela escola.

SRZD - Ricardo Nicolay

E, desembarcando na estação final desta viagem, chegamos à Estácio de Sá, que fará o batismo de seu primeiro casal no Grupo Especial. Alcione e Marcinho estreiam na elite do carnaval carioca defendendo o pavilhão da vermelha e branca do tradicional bairro do Estácio e, vestidos à caráter no ensaio técnico, mostraram sua evolução do ano passado para cá e seu trabalho firme para a conquista de todas as notas máximas.

Peço perdão àqueles que porventura aqui não mencionei. Meu respeito e admiração se estende a todos vocês, defensores e discípulos de uma prática cultural tão bela e significativa para a história do carnaval brasileiro.

Até o carnaval, nos vemos na avenida!

Instagram: @rsnicolay

YouTube: http://www.youtube.com/c/RicardoNicolay 



Comentários
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    02/02/2016 18:23:44Almir Da Silva LimaMembro SRZD desde 21/11/2014

    Este prestigioso site estampou hoje mesmo, dia 02/02/2016, a notícia: ´Rômulo Ramos diretor de Harmonia da Mocidade Independente abandona a agremiação a cinco dias do Carnaval´. Em seguida, a notícia foi retirada. O meu comentário foi. Embora seja diretor da Mocidade Independente (MI), Rômulo Ramos (RR) é mera figura decorativa. Os que mandam na MI são o cappo-presidente de ´honra´ não-sambista verdadeiro, Rogério de Andrade (RA) e seu fiel-escudeiro o vice-presidente, na prática presidente-executivo, Rodrigo Pacheco (RP). Isso, porque apesar de ser um dos fundadores da MI, o presidente-executivo Wandir Trindade o Vô Macumba, é ´rainha da Inglaterra´. A MI permaneça sendo uma escola de samba comunitária e tradicional. Porém, a agremiação se encontra em processo de elitização apelidado de ´modernizadora estruturação empresarial´. Isso ocorre devido à época áurea & vitoriosa da MI, a agremiação ter sido confundida como ´vanguardista´. É um equívoco conceber-se filosoficamente uma agremiação como ´empresa´. Escolas de samba assim como clubes futebolísticos são instituições privadas de interesse público que lidam com paixão de seus adeptos/associados/torcedores. Os quais não podem ser tratados enquanto consumidores. Haja vista, escolas de samba e clube futebolísticos não têm enquanto razão de ser ou dogma da sociedade capitalista, o lucro. Já os dirigentes que comandam as agremiações e os clubes têm que ser do ramo, para poderem através de suas vocações, provar que são eficientes e ou competentes. Enfim, espero que as respeitabilíssimas comunidades da agremiação da estrela-guia de Padre e a própria Mocidade Independente não estejam sofrendo uma ´crise´ dessa às vésperas do desfile oficial 2016 e que possam ´brigar´ para voltar no desfile das campeãs. Saudações carnavalescas do portelense, Almir de Macaé.

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    02/02/2016 17:54:45Oswaldo Fernandes FilhoMembro SRZD desde 09/04/2009

    O Colunista ou tem alguma Divergência ou não assistiu aos ensaios da Mangueira e Salgueiro. Espero que os Dois Casais confirmem o que assisti nos Ensaios e deixe o mesmo numa Saia Justa.

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